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8 de junho de 2019

Que novas missões para os Bancos Centrais


La mission des banques centrales fait débat

C’est dans l’air du temps, de partout s’engage une réflexion sur les banques centrales dont la mission de longue date est de lutter contre l’inflation. Ce qui n’est plus précisément d’actualité lorsque l’on voit la BCE lutter pour au contraire essayer sans y parvenir, de l’augmenter.

7 de junho de 2019

Keynes :socialista , liberal ou conservador ?


Keynes: socialist, liberal or conservative?

James Crotty is emeritus professor of economics at the University of Massachusetts Amherst.  Along with his colleague Sam Bowles, he is one of the few radical heterodox economists to gain tenure at a leading American university.
Crotty’s main contribution to economics has been to try and synthesise Marx and Keynes.  This ended up with Crotty arguing in his 1985 article “The Centrality of Money, Credit, and Financial Intermediation in Marx’s Crisis Theory”, “that Marx’s vision of capitalist crises cannot be understood except in terms of the development of the credit and the financial system, and that his discussion of these ideas anticipated the ideas on financial fragility later developed by Minsky and other Post Keynesians.” (quoted in an interview with JW Mason)  In other words, Marx was really a post-Keynesian Minskyite.

5 de junho de 2019

Psicopatas ameaçam a paz no mundo


Falando aos alunos de West Point, Mike Pence, vice-presidente dos EUA, disse-lhes que em breve estariam lutando contra os terroristas no Afeganistão e no Iraque, mas também contra a Coreia do Norte, que continua a ameaçar a paz, contra a China, que desafia a presença dos EUA na região e contra a Rússia agressiva que busca redefinir as fronteiras pela força. (1)
 
È extremamente preocupante que estejamos integrados numa aliança militar (a NATO) dirigida por paranoicos, mentirosos compulsivos, gente altamente disfuncional, mentalmente instável que em vez de ocupar lugares de liderança a nível mundial devia estar em tratamento psíquico. Desde os tempos da Alemanha nazi que não se viam psicóticos assumirem funções de tanta responsabilidade e tão decisivas para a paz no mundo.
 
Contudo não menos grave e preocupante é o seguidismo dos governos NATO (ouça-se o sr. Santos Silva) e aliados, e dos media na sua a repetição acrítica destes desvairos pelos media. Tal faz-nos recordar os mecanismos que Ionesco reproduziu na sua peça “O rinoceronte”.
 
A farsa de falsas indignações contra a Venezuela agredida e roubada, a alegação de atentados aos direitos humanos contra a China por ocasião do trigésimo aniversário das ocorrências de Tiananmen, as alegações contra o Irão, a Síria, a Rússia, etc., servem para ocultar o que os farisaicos defensores de direitos humanos ocultam sobre estes países e sobre os 5 a 7 milhões de vítimas das guerras ocidentais apenas deste o 11 de setembro em Nova Iorque (não o 11/9 da CIA no Chile…).
 
Repare-se que os EUA com pouco mais que 4% da população mundial consomem anualmente 25% dos recursos mundiais - e geram resíduos na mesma proporção. Além disto, 0,7 % da população mundial detém 46% da riqueza mundial.

Para manter este nível de consumo e desperdício, os excessos de uma minoria - a oligarquia - é necessário um exercer um poder repressivo imperialista sobre as fontes de recursos humanos e materiais do resto do mundo. Todo um dispositivo militar, constantes guerras de agressão, intensa propaganda para mascarar as estas iniquidades.
 
Isto mostra o Estado de decadência do sistema capitalista que não pode sobreviver sem a ameaça constante da força militar e de manter as populações na chantagem de imaginárias ameaças e terem de se submeter ao poder imperial sem o que passarão a ser considerados inimigos.

A segunda guerra mundial iniciou-se formalmente com um falso ataque da Polónia à Alemanha no Verão de 1939. Seria bom pensar onde nos pode levar a mentira institucionalizada.
 
1 - https://www.legrandsoir.info/la-democratie-genocidaire.html

Daniel Vaz de Carvalho é autor de Amanhecer em Porto Desejado, uma história de amor, união e resistência, no cenário da América do Sul, https://www.facebook.com/EmporiumEditora/videos/1974035789374330/ (wook. pt, fnac.pt) e O triunfo de Diana e outros Contos, bertrand.pt)

2 de junho de 2019

A Itália a procurar respostas ao espartilho do euro

L’Italie va-t-elle entamer en toute discrétion le processus de sortie de l’Euro ? Par Jacques Sapir


La motion votée à l’unanimité par le parlement italien et concernant la création de Bons Ordinaire du Trésor de faible montant nominal (dits « Mini-BoTs») est une décision importante mais ambiguë[1]. Elle peut être considérée comme une politique de consolidation fiscale, aidant à la fois à financer un déficit public alors que l’UE montre les dents contre l’Italie, tout comme elle peut être considérée comme la possibilité de la mise en œuvre d’un scénario à deux monnaies pour ce pays et le prélude à une sortie de l’Italie de l’Euro. Le fait qu’elle survienne à la suite de la spectaculaire victoire de la Lega et de son dirigeant, Matteo Salvini, mais aussi à la suite de l’annonce de menaces de sanctions de l’UE contre l’Italie[2], est symptomatique. On peut y voir une réponse du berger à la bergère, mais aussi un peu plus que cela.
Il convient, alors, de rappeler que la possibilité de mettre en œuvre des devises parallèles avait déjà été présentée comme un outil pour résoudre le problème de la Grèce par Y. Varoufakis[3]. Ce mécanisme peut permettre d’obtenir plus de liberté tout en restant dans la zone euro tout comme il peut servir pour gérer une éventuelle rupture avec cette même la zone euro et le retour à une monnaie nationale. De fait, les devises parallèles ont une longue histoire en économie. Autrefois, les pièces émises par différents pays ont circulé librement dans un pays donné. La question a été soulevée en particulier lorsque le papier-monnaie a été introduit et lorsque les Banques Centrales ont obtenu le monopole d’émission. Les expériences avec des monnaies parallèles ne sont pas abondantes au XXe siècle[4], mais elles existent néanmoins, et la dynamique d’un système à deux monnaies mérite attention[5].


Claudio Borghi, Président de la Commission du Bilan de la Chambre des Députés italiens

1 de junho de 2019

O Navio de Assalto dos novos cruzados

Itália
Na presença do Chefe de Estado, Sergio Mattarella, da Ministra da Defesa, Elisabetta Trenta, do Ministro do Desenvolvimento Económico, Luigi di Maio e das mais altas autoridades militares, o navio Trieste, construído pela Fincantieri, foi lançado ao mar, em 25 de Maio, no Cantieri di Castellammare di Stabia (Nápoles). É uma unidade anfíbia multi-usos e multi-funções da Marinha Militar Italiana, definida por Trenta, como “uma síntese perfeita da capacidade de inovação tecnológica do país”.
Com 214 metros de comprimento e velocidade de 25 nós (46 km/h), possui um convés de vôo de 230 metros para decolagem de helicópteros, decolagem curta e aterragem vertical dos caça bombardeiros F-35B e para aviões convertíveis V-22 Osprey. Pode transportar veículos blindados no convés garagem de 1200 metros lineares. Tem uma zona inundável, com 50 metros de comprimento e 15 de largura, o que permite ao navio funcionar com os mais modernos meios anfíbios da NATO.
Em termos técnicos, é um navio destinado a “lançar e apoiar, em áreas de crise, a força de desembarque da Marinha Militar e a capacidade nacional de projecção da Defesa, a partir do mar”. Em termos práticos, é um navio de assalto anfíbio que, ao aproximar-se das costas de um país, ataca com caças e helicópteros armados com bombas e mísseis e, em seguida, invade esse mesmo país, com um batalhão de 600 homens transportados, juntamente com armamento pesado, em helicópteros e outros meios de desembarque.
Por outras palavras, é um sistema de armas projectado, não para a defesa, mas para o ataque, em operações de guerra realizadas no âmbito da “projecção de forças" USA/NATO a grande distância.

Como Abater a Russia

Forçar o adversário a desdobrar-se excessivamente, a fim de desequilibrá-lo e derrubá-lo - não é um movimento de judo, mas o plano contra a Rússia desenvolvido pela Rand Corporation, o ‘think tank’ mais influente dos EUA que, com uma equipa de milhares de peritos, representa a fonte mundial mais fiável dos serviços secretos (inteligência) e análise política para os governantes dos Estados Unidos e para os seus aliados. A Rand Corp orgulha-se de ter contribuído para a elaboração da estratégia a longo prazo que permitiu aos Estados Unidos serem os vencedores da Guerra Fria, obrigando a União Soviética a esgotar os seus recursos económicos no confronto estratégico.
É neste modelo que se inspira o novo plano, "Overextending and Unbalancing Russia", publicado pela Rand [1]. Segundo os seus analistas, a Rússia continua a ser um poderoso concorrente dos Estados Unidos em alguns campos fundamentais. Por conseguinte, os Estados Unidos, juntamente com os seus aliados, devem empenhar-se numa estratégia abrangente a longo prazo que tire o máximo partido das suas vulnerabilidades. Assim sendo, são analisadas as várias maneiras de forçar a Rússia a desequilibrar-se, indicando para cada uma delas, as possibilidades de sucesso, os benefícios, os custos e os riscos para os EUA.
Os analistas da Rand acreditam que a maior vulnerabilidade da Rússia é de caracter económico, devido à sua forte dependência das exportações de petróleo e gás, cujas receitas podem ser reduzidas, agravando as sanções e aumentando as exportações de energia dos EUA. Devem fazer com que a Europa reduza a importação de gás natural russo, substituindo-o por gás natural liquefeito transportado por mar, de outros países.

A PERITA

Agostinho Lopes
A PERITA
A perita em campanhas eleitorais veio, em verrinoso e venenoso (cuidado com a língua!) arrazoado, no «dia de reflexão», arrasar as campanhas eleitorais de todos os partidos. Título: «Os Partidos deviam esclarecer os eleitores» (1). Saudemos esta descoberta.
Depois, uma notável conclusão: «o arcaísmo da forma de fazer política em Portugal». Mas como é a «forma de fazer política» moderna, ou mesmo, quem sabe, pós-moderna? A professora não explica. É pena, porque andando nisto há décadas (foi das que decretou o «arcaísmo» dos comícios), já podia ter feito pedagogia eleitoral.
Quais os truques da perita? Todos no mesmo saco: todos partidos, todos iguais! Logo, levam todos pela mesma medida: arcaicos e etc.
A extrapolação redutora. Reduzir as campanhas de todos os partidos à campanha do cabeça de lista, mais ou menos acompanhado pelo líder. A perita só conhece o que lê no seu jornal. E o que não existe no Público, não aconteceu. Como por exemplo, as dezenas e dezenas de iniciativas da CDU por todo o país, à margem da presença de Jerónimo Sousa e João Ferreira, mas com a participação de outros candidatos e centenas de activistas da CDU.
A generalização abusiva. Tomar a parte pelo todo. A partir de episódios menos edificantes reduzir tudo e todos à vulgata eleitoral de alguns jornalistas e comentadores, inclusive do Público, sobretudo em torno do arcaico cliché do «não debate da Europa». E daí, a especialista toma os ares do seu colega Vasquinho, e desata num desatino sobre uma campanha pretensamente marcada por insultos, «dislates», «generalidades», «banalidades», «insanidades», etc., que outra coisa parece não terem dito os (todos) candidatos.
Inversão de causa e efeito. A perita está convencida que a forma e o conteúdo do eixo principal das actuais campanhas, a campanha do cabeça de lista/líder são “fabricados” pelos partidos. Amnésia ou falta de estudo? Pois devia saber que há muito é formatada pelos media e interesses que os comandam! Quem inventou a fake news dos candidatos a 1º Ministro e a bipolarização PS/PSD? E a simultânea liquidação das campanhas dos candidatos a deputados? Numa competição eleitoral, os partidos só não ocuparão todo o espaço mediático disponível se não puderem… mas quem fornece e formata o espaço das campanhas nos media são os grandes órgãos de comunicação social.
Farsa e fraude. A especialista sabe que há partidos que produzem folhetos a esclarecer. Que fazem porta-a-porta a falar com os eleitores. Que fazem sessões de esclarecimento. A perita poderia, com vantagem, consultar as agendas do Avante! das eleições realizadas desde o 25 de Abril. Ou dizer-nos por que razão o Público não esteve, agora, na apresentação da Declaração Programática do PCP. Mas não se esqueceu, no dia de reflexão, da sua piadinha anticomunista: «impossível repetir-se a mítica situação vivida por Mário Soares em 1985 (…) na então comunista Marinha Grande»! Ai estes comunistas são tão maus! Como se pode votar neles?
Por que não há esclarecimento do PS, PSD e CDS (e outros) e dos media sobre a União Europeia? Porque esclarecerem significava assumirem que tudo o que andaram a pregar sobre a UE, e em particular sobre o Euro, era mentira. Ou seja, o esclarecimento é uma impossibilidade!
  1. Todas as citações são do artigo de São José Almeida, no Público, 25MAI19.