Linha de separação


21 de dezembro de 2021

Noticias & comentários

1  A maneira vergonhosa ,  como a RTP noticiou a vitória do candidato da esquerda apoiado pelo Partido Comunista Chileno revela o reaccionarismo dos seus corpos redatoriais e como lhes doeu o resultado das eleições presidenciais Chilenas .

2 Rui Rio adoptou a palavra de ordem da CIP : " o segundo  Partido mais votado  deve apoiar o primeiro", o mesmo Rui Rio que comentando o governo de Passos disse : " Comigo ainda faria pior ".

3. Foi recordado recentemente que Rendeiro financiou a campanha eleitoral de Cavaco no máximo permitido pela lei . Alguém tem duvidas que partidos vai financiar a CIP, os Mellos saúde , os banqueiros ... 

4 . A mistificação do partido vencedor , as sondagens a preceito e as campanhas televisivas a promoverem a bipartidarização e  com ela  a maioria absoluta do PS , vai ser o quotidiano destas eleições .  

5 . A campanha a favor da polarização dos votos no  PS e da sua maioria absoluta do PS passa por fazer crer que o PSD pode ganhar as eleições e que ganhando forma governo , procurando ocultar que o que conta não é o partido mais votado mas as maiorias que se formam na AR.


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20 de dezembro de 2021

Aos deputados do PS,PSD ,CDS... que no PE votaram futuras sansões contra a Rússia

 


Adultos precisam-se


Carlos Branco

Major-general e investigador  do IPRI-Nova.

Para lidar com o espetro deuma nova confrontação mi-

litar na Europa, onde a esta-bilidade estratégica se degrada dia-

riamente a olhos vistos. O catalisa-dor específico dessa confrontação

situa-se na linha que separa as for-ças ucranianas das forças rebeldes

pró-russas, na região do Donbass,onde se encontra metade do Exér-

cito ucraniano em posição para asatacar. A concentração de forças

russas na fronteira com a Ucrâniapretende dissuadir Kiev de dar

esse passo. A Rússia não atuará se aUcrânia não tentar retomar o con-

trolo do Donbass pela força.

Acossada pelas ameaças ao seu território colocadas pelos sistemas

antimíssil colocados próximo da sua fronteira, capazes de atingir

Moscovo e São Petersburgo, sub-marinos nucleares norte-america-

nos no norte da Noruega, e aumento das atividades navais da

Aliança no Mar Negro, Moscovo pretende garantir que a NATO

não vai continuar a expandir-se para Leste, nem vai continuar a

colocar sistemas de armas ofensivos próximo das suas fronteiras,

garantias que a Casa Branca não está disposta a dar.

Com a experiência de cinco invasões em três séculos, perpetra-

das por potências ocidentais, três no séc. XX, a Rússia aprendeu que

necessita de uma zona tampão para garantir a sua segurança. Por

isso, não permitirá a adesão da Ucrânia e da Geórgia à NATO,

nem que Aliança construa infraestruturas militares ou coloque ar-

mamento ofensivo nestes países.

Do mesmo modo, os EUA não permitirão que uma potência rival

estabeleça bases militares na América Central. Esta questão é exis-

tencial para a Rússia, pela qual se morre e se mata. Moscovo não vai

ceder nesta matéria. Se cedesse, ficaria numa situação de extrema

vulnerabilidade noutras regiões, nomeadamente no Cáucaso. Abri-

ria um precedente sem fim à vista.

Seria o fim da Rússia como potência. Os falcões em Washington

não querem compreender este problema e desvalorizam a sua im-

portância.

Como teria sido importante, que Washington e as potências euro-

peias tivessem pressionado Kiev a respeitar os acordos de Minsk, de

fevereiro de 2015, completamente ausentes da narrativa ocidental,

em que as autoridades ucranianasse comprometiam a garantir um

estatuto de autonomia a Donetsk e

Lugansk através de uma revisão da

Constituição, a declarar uma amnistia e a iniciar o diálogo com es-

tas duas regiões, algo que nunca fizeram. Independentemente das

nuances legais, é bom que nos convençamos de que a Rússia não vai

permitir a chacina da população russa do Donbass pelo regime xe-

nófobo e de laivos neonazis instalado em Kiev, que chegou ao poder

através de um golpe de estado, após derrubar um presidente elei-

to democraticamente.

Em vez de mediar as diferenças entre Kiev e os grupos rebeldes de

Lugansk e Donetsk, Washington mete lenha na fogueira, ameaça

Moscovo com sanções económicas e dá gás aos radicais revanchistas

ucranianos. Devemos estar cientes de que em caso de conflito haverá

apenas um ganhador. Era conveniente que Kiev, assim como os

europeus, percebesse que engros sará a lista dos perdedores. Por

isso, não é aconselhável provocálo. Deveria pensar duas vezes no

que se(nos) vai meter, porque a NATO não irá defender militar-

mente a Ucrânia. Poderá ser tarde quando descobrir que é apenas um

ator subsidiário de projetos geopolíticos alheios. ■

jornal Economico 17/12



Chile mais uma dor de cabeça para o império

La victoria de Gabriel Boric en la segunda vuelta de las elecciones presidenciales en Chile es mucho más que un alivio o una buena noticia para cerrar este año difícil. También es un espaldarazo al pensamiento constructivo y a la activación política, y una señal clara de hacia dónde debemos encaminar los esfuerzos para reconducir un presente político duro y complejo.

Boric ha conducido una campaña inteligente en un contexto extraordinariamente complicado. Desde el primer momento, su discurso supo evitar las encerronas que supone un balotaje con la extrema derecha. Huyendo tanto del victimismo como del triunfalismo, la campaña de Apruebo Dignidad ha sabido ir más allá de los registros apocalípticos o de la exageración fácil, sabiendo mantener un perfil abierto y un tono propositivo, confiado y optimista.

Centrado en lo concreto de su programa, pero sin dejar de interpelar a los votantes indecisos y a quienes no acudieron a votar, Boric ha abierto el campo lo suficiente para atraer a muchos aliados necesarios (e incluso a varios adversarios políticos), sin caer en las provocaciones de quienes han intentado utilizar su posición para decantar la balanza en favor de la ultraderecha. Ese equilibrio ha permitido salirse de su rebufo y disputarle la iniciativa y la articulación de la agenda política. Así han aflorado con nitidez los dos proyectos antitéticos entre los que se decidía el futuro de Chile. Su victoria, desde ese punto de vista, es tan clara como valiosa.

Por supuesto, el contexto concreto de esta elección es imprescindible para entender su desenlace. En ese sentido, es de extraordinaria importancia que el ciclo político y social que se inició en Chile hace más de una década vaya a tener continuidad y proyección hacia el futuro. En gran medida, lo que se ha dirimido en las urnas ha sido la supervivencia de ese proceso; la alianza política y social en torno al discurso de Kast, de hecho, puede entenderse como una coalición de intereses en torno a ese único punto: abortar el proceso de transición democrática que deje de una vez atrás el régimen económico, político y social del pinochetismo. Hoy sabemos que Chile tendrá una nueva Constitución democrática. Y que las luchas ejemplares de las mujeres chilenas, de los pueblos originarios, de estudiantes y trabajadores, se verán codificadas en un sistema político nuevo.

Ese proceso enfrentará por supuesto sus propios obstáculos y dificultades, como lo agónico de esta campaña ha dejado claro. Pero más allá de lo que acontezca en el Chile que viene, el desenlace electoral de estas elecciones tiene un impacto importantísimo en toda la región y en el mundo entero. Hoy América Latina espera a Lula con una correlación de fuerzas nueva, resistiendo las mutaciones del bolsonarismo y dando un mandato claro a las fuerzas progresistas -de México a Argentina, de Bolivia a Chile o Perú- para afianzar la estabilidad política en el subcontinente, reactivar la cooperación regional en un momento de extrema incertidumbre geopolítica, y rearticular un proyecto económico y político basado en los derechos humanos y la redistribución social. Sobre esa base se dibuja el enorme desafío de articular un nuevo ciclo progresista con el que refundar el horizonte democrático en América Latina. 

19 de dezembro de 2021

CAXIAS – 4/12/1961- 4/12/2021- Intervenção de Álvaro Pato

 Senhores Representantes da Câmara Municipal de Oeiras

Caros amigos e companheiros,

Antes de mais quero transmitir-vos a honra que sinto pelo facto de a URAP me ter solicitado fazer esta intervenção, nesta data tão especial, de 4 de Dezembro de 2021. Passam hoje precisamente 60 anos sobre aquele dia 4 de Dezembro de 1961.

Por isso a URAP assinala e salienta a data da fuga do Reduto Norte do Forte de Caxias como uma data histórica que, conjuntamente com a célebre fuga de 10 antifascistas da Cadeia de Peniche, em 3 de Janeiro de 1960, além de terem provocado uma grande derrota no poder policial e na ditadura fascista em Portugal, constituíram o reforço da luta antifascista rumo à Vitória, tendo todos os participantes nestas fugas contribuído para o fortalecimento da luta pelo fim da ditadura fascista, celebrado apenas 13 anos depois na madrugada do 25 de Abril de 1974.

De facto foi graças ao sacrifício de muitos dos antifascistas, muitos deles presos vários anos, e pela sua dedicação, que foi possível alargar a luta dos democratas pela liberdade e pelo fim da guerra colonial, expressos nos II e III congressos de Aveiro, influenciando também a luta nos quartéis e no teatro de guerra nas 3 colónias, precursora do Movimento dos Capitães e da eclosão da Revolução do 25 de Abril e da Unidade Povo/MFA.

Sobre a fuga de Caxias teremos oportunidade de ouvir a descrição factual de um dos seus participantes, o meu camarada Domingos Abrantes.

Outros factos vos conto agora, de natureza familiar e pessoal, apenas a título de exemplo do que passaram centenas de milhares de portuguesas e portugueses, com as prisões de mais de 30 mil antifascistas nos 48 anos da ditadura de Salazar e Caetano e dos seus serventuários.

Por esta estação de Caxias passei várias vezes, para depois fazer o percurso a pé, juntamente com a minha avó Maria, até ao Reduto Norte de Caxias, para visitar o meu pai Octávio Pato e a sua companheira Albina Fernandes. Procurávamos visitá-los todos os fins de semana. Depois, já eu era adulto, visitei o meu pai no Hospital Prisão de Caxias, onde, pela primeira, vez tive oportunidade de o beijar, numa visita em comum. Ao contrário, nas visitas em parlatório tínhamos um vidro e rede de arame a separar-nos. Isto durou desde os meus 11 anos até aos 20 anos.

Em Caxias estiveram presos vários familiares meus:

- O meu tio Carlos Pato, preso em 1947 e depois novamente em 1949, tendo morrido aqui no Forte de Caxias, em 26 de Junho de 1950, após ter sido vítima de tortura que lhe provocou um ataque cardíaco, tendo morrido na cela sem qualquer assistência. Esteve preso mais de um ano. Deixou viúva a minha tia Clotilde e órfãos a minha prima Clara, com pouco mais de 1 ano, e o meu primo João Carlos, com alguns meses, que o seu pai não chegou a conhecer. Com estes primos e tia vivi em Vila Franca de Xira em casa dos meus avós que, com o meu tio Abel, nos apoiaram sempre, na ausência dos nossos pais.

- O nosso primo António Tavares, preso na mesma altura que o meu tio Carlos, tendo sido libertado 2 anos depois para morrer tuberculoso em casa.

- O meu tio Abel Pato, preso em 1953 e libertado em 1954. Esteve preso cerca de 6 meses.

- O meu pai Octávio Pato, a sua companheira Albina Fernandes e os meus irmãos Isabel e Rui, com 6 anos e 2 anos, respectivamente, todos presos em 15 de Dezembro de 1961. O meu pai esteve preso 9 anos e a Albina 6 anos e meio, ambos sujeitos às célebres medidas de segurança, prolongando por mais 3 anos a condenação a que tinham sido sujeitos.

Os meus irmãos foram libertados cerca de um mês depois e entregues aos meus avós paternos com quem eu próprio vivia desde 1952.

- A minha mãe, Antónia Joaquina Monteiro, e a minha irmã Carolina Honrado, de 4 anos, presas em 1963, levadas de Caxias para a prisão do Porto. A minha irmã Carolina permaneceu também presa meses até ser entregue aos familiares paternos. A minha mãe foi presa novamente em 1965. Nessas datas permaneceu presa durante 6 meses em cada uma das prisões.

- O meu tio, José Gilberto de Oliveira, cunhado da minha mãe, preso pela 1.ª vez em 1933, tendo sido deportado do Reduto Norte de Caxias para o campo de concentração do Tarrafal em 1936 onde esteve preso 10 anos;

- O meu cunhado, António Almeida, preso em 1967 e libertado de Peniche em 1969;

- Em 25 de Maio de 1973, fui também preso e libertado na madrugada de 27 de Abril de 1974. Conheci também o Reduto Sul de Caxias, onde a Pide também me submeteu a espancamentos e à tortura do sono durante 11 dias e noites. Passei eu a ser visitado pelos meus familiares.

A propósito da nossa libertação, queria lembrar-vos que ela foi retardada porque o general Spínola, que tinha nomeado um inspector da PIDE para novo director, e também tinha indicado outro inspector da PIDE para escolher os presos que poderiam ser libertados, ficando os restantes presos.

No dia 26 de Abril de 1974 os presos reuniram-se e decidiram «ou saímos todos ou nenhum».

Entretanto, o MFA impôs a rendição da PIDE, após o assassinato a tiro de 4 dos manifestantes que, na sede da PIDE na António Maria Cardoso, pretendiam o seu fim. Os militares e o povo nas ruas demonstraram que não podia haver liberdade e democracia com a existência da PIDE e de presos políticos.

Para a nossa libertação tiveram muita importância a acção dos elementos, nomeadamente advogados, da Comissão de Socorro aos Presos Políticos, que sustentaram, junto dos capitães de Abril, a necessidade de libertar todos os presos sem excepção. Bem haja a sua acção antes e depois do 25 de Abril, cuja dinâmica permitiu criar a nossa URAP de que nos honramos ser a sua herdeira democrática, unitária e antifascista.

Desde 1947 até 1974, os meus avós, visitaram anos a fio as prisões, incluindo esta de Caxias. Descrevo estes factos apenas para relembrar um dos muitos exemplos de famílias completamente violentadas e destroçadas pela Pide por lutarem pela liberdade e contra a ditadura fascista, que os manuais escolares incrivelmente apelidam de estado novo, escondendo os horrores por que passou o nosso Povo com o fascismo de Salazar e Caetano.

Nesta oportunidade, a URAP pretende sublinhar a importante contribuição da Câmara Municipal de Oeiras, que valorizamos, em particular o seu Departamento Cultural, pelas diversas iniciativas que temos tido em conjunto e que podemos salientar:

- A colocação no Reduto Norte de Caxias de uma lápide de homenagem aos presos políticos;

- Aqui à nossa frente o monumento evocativo, da autoria de Sérgio Vicente, que assinala, nas pedras do pavimento, o número de presos por cada ano, desde 1936 até 1974;

- A próxima produção do Livro de Caxias, com base na recolha efectuada pela URAP na Torre do Tombo;

- A gravação em vídeo de depoimentos de mais de 30 ex-presos políticos, agora interrompida por questões de saúde, havendo ainda muitos ex-presos e presas vivos que poderão fazer os seus depoimentos, os quais esperamos que venham a ser um excelente espólio, também podendo ser utilizado pelo Museu Nacional da Resistência e da Liberdade, em Peniche, que ainda prossegue a sua consolidação e melhoramento, mas sendo já o Museu Nacional com mais visitantes. Este ano já foram mais de 100 mil;

- O projectado memorial com o nome de todos os presos políticos, mulheres e homens, algumas e alguns dos quais passaram muitos anos nos 3 estabelecimentos prisionais de Caxias, ou seja: Reduto Sul, Reduto Norte e Hospital Prisão.

Estão de parabéns a Câmara Municipal de Oeiras e a URAP, pelo trabalho já feito. Em particular, queremos salientar e agradecer a abnegada investigação dos companheiros da URAP que há anos trabalham afincadamente para a obtenção da informação recolhida, a qual já se encontra na fase final.

Finalmente, queremos agradecer aos ex-presos políticos, seus familiares e amigos aqui presentes, fazendo votos de que continuemos juntos nesta luta pelo registo da memória, por forma a permanecer viva para as novas gerações, do que foi a ditadura fascista de Salazar e Caetano, na mobilização para as diversas comemorações dos próximos 50 anos da Revolução de Abril e, sobretudo, para que defendam a Democracia e a Liberdade, valores que custaram muito a conquistar e que temos de preservar como o ar que respiramos.

VIVA A URAP! VIVA A LIBERDADE!

16 de dezembro de 2021

O fim da União Soviética não significou o fim do comunismo

 "La commune n'est pas morte", foi uma canção que lembrava aos trabalhadores franceses do final do século XIX, que a comuna tinha sido derrotada, mas não o seu espírito, as suas causas, as suas lições. Por isso, temos de recordar que apesar da intoxicação dos media em permanente campanha pela "democracia" liberal/oligárquica, o fim da União Soviética e outros países socialistas, não significou o fim comunismo. Vem isto a propósito de um texto de Bruno Guigue de que transcrevemos a parte que corresponde ao nosso título.

"Aqueles que proferiram a oração fúnebre podem ter considerado os seus desejos realidade. Ao contrário do que acreditaram, o socialismo real não desapareceu de corpo e alma. O facto da bandeira vermelha não pairar mais sobre o Kremlin não significa a sua extinção no planeta: 1,5 mil milhões de chineses vivem sob a liderança de um Partido Comunista que não mostra sinais de perder força. O Vietname socialista está indo muito bem. Na Rússia, o Partido Comunista continua a ser a principal força de oposição. Os comunistas governam o Nepal e o Estado indiano de Kerala. Apesar do bloqueio imperialista, os cubanos continuam construindo o socialismo. Os comunistas tiveram sucessos eleitorais no Chile e na Áustria.

Dizer que o comunismo deixou apenas más lembranças e pertence a um passado longínquo é cometer um duplo erro de análise. Ele não somente contribuiu para o bem-estar de um quarto da humanidade, mas também não há indicação de que tenha dito a sua última palavra. Não está condenado pelo seu passado nem privado de um futuro. Pode registar a seu crédito a luta vitoriosa contra o nazismo, uma contribuição decisiva para a queda do colonialismo e uma resistência obstinada ao imperialismo. Este triplo sucesso é suficiente para dar-lhe cartas de nobreza revolucionárias. O seu passado é também a longa série de avanços sociais e milhões de vidas arrancadas da pobreza, analfabetismo e doenças. O comunismo foi e é um esforço titânico para tirar as massas da ignorância e dependência.

Permanecendo na URSS em 1925, o pedagogo Célestin Freinet expressou "sua surpresa e seu assombro, especialmente considerando as condições em que este imenso progresso foi feito". Pedagogos russos, escreveu ele, "encontraram na sua dedicação à causa do povo e na atividade revolucionária clareza suficiente não apenas para elevar a sua pedagogia ao nível da pedagogia ocidental, mas para ir mais além, e de longe, das nossas tímidas tentativas."

Nenhuma outra força política poderia ter tirado do subdesenvolvimento os países atrasados, coloniais e semicoloniais, pelos quais os comunistas foram responsáveis no século XX. O que seria a Rússia se tivesse permanecido nas mãos de Nicolau II ou Alexander Kerensky? O que seria a China se não tivesse escapado a Chiang Kai-shek e à sua camarilha feudal? Onde estaria Cuba se tivesse permanecido nas garras do imperialismo e seus mercenários locais?

A revolução comunista em todos os lugares foi a resposta das massas proletarizadas à crise estrutural de sociedades em degradação, num cenário de atraso económico e cultural. Se essa revolução aconteceu, foi porque respondeu às emergências da época. Na Rússia, na China e em outros lugares, foi fruto de um profundo movimento na sociedade, de um amadurecimento das condições objetivas. Mas sem o Partido, sem uma organização centralizada e disciplinada, tal resultado revolucionário seria impossível. Na ausência da liderança personificada pelos comunistas, com que vanguarda as massas poderiam ter contado? E por falta de alternativa, a que desespero teria levado o aborto das promessas revolucionárias?

O facto das formas de luta pelo socialismo não serem mais as mesmas não altera a questão. Esta luta ainda está viva ainda hoje. Os países capitalistas desenvolvidos estão em crise, e a única solução para essa crise é a formação de um bloco progressista em oposição ao bloco burguês. China, Vietname, Laos, Síria, Cuba, Kerala, Nepal, Bolívia, Venezuela e Nicarágua estão a construir um socialismo original. Fingir ser comunista enquanto se lança um olhar desdenhoso para essas conquistas concretas é ridículo. Mas é o que fazem as incontáveis capelinhas do esquerdismo ocidental.

O trabalho diário dos médicos cubanos, professores venezuelanos e enfermeiras nicaraguenses, a seus olhos, não atinge a dignidade da revolução mundial. Para esses “vestais” do fogo sagrado, tais conquistas são modestas demais para despertar o entusiasmo de um futuro brilhante. Guardiões intransigentes da pureza revolucionária, os esquerdistas adoram distribuir cartões vermelhos para aqueles que constroem o socialismo. Sem agirem em casa, ditam julgamentos sobre o que os outros fazem. E o pior é que aplicam os critérios da ideologia burguesa."

Noutro ponto do texto BG refere também a Coreia do Norte. Um tema que também merece ser recordado. Fica aqui a promessa.

Os velhos dogmas e a ortodoxia neo liberal

 

Os falcões voltam a voar para defender os interesses de sempre

A mídia europeia está repleta de declarações de políticos e economistas alemães exigindo cortes nas políticas de gastos e financiamento que o Banco Central Europeu vem realizando. O próximo ministro das Finanças alemão, Christian Lindner, pede o fim da  "orgia da dívida"  e o influente economista Hans-Werner Sinn pede o "fim do dinheiro grátis"  em um artigo recente. Embora o acordo tripartite do governo recentemente assinado inclua algumas propostas genéricas sobre a necessidade de reformar as regras europeias de estabilidade fiscal, o clima que se está gerando no país que define os rumos das políticas europeias vai claramente na direção que apontam esses economistas. Especialmente quando o aumento dos preços está começando a ocorrer na Alemanha. Lindner deixou claro em suas declarações sucessivas: o roteiro deve ser conter gastos, reduzir impostos, regras fiscais para evitar o desencadeamento do déficit público, limitar os programas massivos de compra de dívida pública do BCE e aumentar as taxas de juros para conter a inflação.

Ao que parece são medidas sensatas e com objectivos louváveis, mas a experiência infelizmente tem mostrado que por detrás delas só existem preconceitos ideológicos, vantagens assimétricas para a Alemanha em detrimento da maioria dos outros países europeus, e que, mal aplicadas e por vezes inadequadas, não gerar atividade econômica ou reduzir a dívida na Europa como um todo, muito pelo contrário.

As regras de estabilidade orçamental defendidas pelos chamados falcões europeus baseiam-se em critérios puramente arbitrários e sem base científica.

O primeiro grande erro dessas regras é que elas permanecem inalteradas em qualquer fase do ciclo em que a economia se encontra. Têm o mesmo efeito de um motorista que viaja na mesma velocidade e sem mover o volante em nenhum tipo de estrada, subindo, descendo, com ou sem curvas: acaba batendo.

As regras fiscais devem ser "anticíclicas", ou seja, mudar de acordo com a conjuntura, projetadas para poder impulsionar a economia quando ela para ou desacelerá-la quando ela acelera muito. E as regras de estabilidade que se aplicam às despesas correntes, do dia a dia e de investimentos não podem ser as mesmas, como é o caso da Europa.

O segundo erro é estabelecer um limite de 3% do PIB para o déficit público que, além do acima, é arbitrário e sem fundamento.

Em meu livro Economia para não se deixar enganar pelos economistas, explico como ela se estabeleceu na Europa, como reconhece Guy Abeille, um dos dois funcionários franceses que inventaram a regra em 1981 ( a história é contada aqui ) .   

As linhas vermelhas de Moscovo e as provocações do Império e seus satélites