A dívida federal representa 122,7% do PIB, mas incluindo a dos Estados e locais atinge 133,1% do PIB. A dívida total, incluindo empresas e particulares, é 350% do PIB. Um paraíso para a finança que recebe de juros mais de 7 milhões de milhões de dólares anualmente. É esta a política que a direita copia com os cantos de sereia de menos impostos "mais dinheiro na carteira". De facto, nos EUA, impostos federais e direitos aduaneiros representam 17,1% do PIB, em Portugal 37,1% em 2024, anteriormente cerca de 40%. Não por coincidência, os portugueses vivem cada vez pior.
Ora os EUA não conseguem erradicar a pobreza (quase 40 milhões pobres), centenas de milhares sem abrigo, mortes por excesso de drogas, etc. Na realidade, dado o endividamento, em termos líquidos a maioria é pobre, envolvida em permanentes guerras para satisfazer as transnacionais e a oligarquia financeira que vive da especulação e dos juros. Os dirigentes políticos limitam-se a satisfazer a camada oligárquica que controla com seu dinheiro as eleições. O défice comercial (apesar das tarifas) está em 704 mil milhões de dólares, o petróleo importado representa 242 mil milhões e o défice com a China é de 160 mil milhões.
O império já não consegue suportar as despesas que a sua manutenção acarreta, os aliados têm de a pagar com tarifas comerciais e despesas militares acrescidas. Faz lembrar a fase terminal do império romano chamando "povos bárbaros" em apoio às suas legiões.
Em vez de paz e prosperidade global prometida com o fim da União Soviética, os países depararam-se com violência e guerras. Perante esta realidade, Rússia, China, Irão e mais países convencem-se que acordos de "cessar de fogo" significam que a guerra continua dentro de momentos mais favoráveis e tratados de paz com os EUA ou aliados prosseguir a guerra por outros meios.
Militarmente o Irão expôs os limites do poder dos EUA. Previam a derrota do Irão em "três a quatro semanas", mas a guerra não tem fim à vista. Como é possível esta incapacidade de previsão? A questão é que tanto investem na propaganda que acabam por ser conduzidos pela própria manipulação, recusando-se a absorver a realidade.
Foram levados ao esgotamento dos níveis estratégicos de mísseis e intercetores de defesa (Patriot, THAAD). Os custos da guerra contra o Irão, se incluir a recuperação das bases atacadas pelo Irão poderá atingir cerca de 300 mil milhões de dólares. As potenciais perdas económicas para a economia mundial, de acordo com o Índice Global de Paz de 2026, podem atingir 3,5 milhões de milhões se o Estreito de Ormuz permanecer fechado por seis ou mais meses.
Segundo o aprovado na Câmara dos Representantes o orçamento para a defesa será de 1,15 milhões de milhões de dólares - incluindo medidas para expandir a cooperação militar entre os EUA e Israel. Porém, apesar desta enorme despesa, os propagandeados Patriot têm um histórico fraco quer na interceção de mísseis russos Iskander na Ucrânia - que também destruíram várias baterias Patriot - quer contra os mísseis iranianos, ou iemenitas/iranianos contra defesas sauditas.
Mas não só, os EUA estão "mal preparados" para defender o país de ataques de enxames de drones, "Não temos os sensores necessários", disse o tenente-general Joseph Jarrard, vice-comandante do Comando Norte, no Simpósio de Defesa Espacial e de Mísseis. Pior, os EUA não têm defesa contra misseis hipersónicos ou contra o Poseidon ou o Sarmat russos.
Quanto à produção militar, apesar da propaganda do "país mais poderoso do mundo", os registos de situações problemáticas com os F-35, o tanque KC-46, os porta-aviões da classe Ford, estão repletos de alertas, falhas em testes, aumentos de custos, atrasos na entrega, deficiências não resolvidas.
A grande ameaça ao império é a China, sem que a China queira atacar os EUA. A China só ameaça os EUA em concorrência económica, mas para a propaganda basta isto para os EUA terem o direito de reforçar a sua presença no Indo-Pacífico, e cercar a China militarmente, porém como não podem mais "arcar indefinidamente com os custos de segurança da Ásia" os países da região estão sendo incentivados a aumentar os gastos com defesa, melhorar as capacidades militares e assumir mais responsabilidade por sua própria segurança.
Os EUA perdem influência globalmente e estão tecnicamente falidos, mas isto não é o fim do seu império. Apesar da desdolarização o dólar não foi substituído como moeda de reserva. A riqueza privada concentra-se em elites que na generalidade prosperam e sobrevivem à sombra do poder imperial e determinam o poder político. Como consequência, os países sob dominação americana têm tido um desempenho pior do que os demais. A tal "ordem baseada em regras" de que já nem os propagandistas falam apenas trouxe violência, privações, insegurança.
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