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11 de janeiro de 2022

Estratégias das revoluções coloridas - 1ª parte

As revoluções coloridas fazem parte das estratégias para derrubar governos de que os EUA e seus aliados/vassalos não gostam. "Os serviços secretos ocidentais estão a aperfeiçoar ferramentas clandestinas que são concebidas para enfraquecer países tal como os vírus enfraquecem corpos", disse Sergey Naryshkin, chefe dos serviços secretos russos. "Trata-se de criar operações clandestinas de maneira contínua e à escala global. "Isto pode ser comparado à ação de um vírus; podem passar décadas a destruir um organismo humano sem sintomas e, uma vez diagnosticado, muitas vezes é demasiado tarde para tratá-lo."

Os métodos utilizados para influenciar e desestabilizar outras nações incluem a criação de estruturas orientadas em rede que podem operar sob uma premissa de ativismo público, arte, ciência, religião ou extremismo. Depois de coletar dados sobre as linhas de fratura numa sociedade-alvo, estas estruturas são utilizadas para atacar aqueles pontos fracos num ataque sincronizado, esmagando a capacidade do país para responder às crises. Simultaneamente, os perpetradores propalam uma narrativa através dos media locais e globais e das redes sociais afirmando que a única maneira de resolver problemas é substituir o governo por um outro, possivelmente com um apoio externo direto.

"Podemos observar este cenário implementado na Venezuela ", disse Naryshkin. Entre outros meios, os EUA reforçam a sua ação com sanções económicas e uma maciça campanha diplomática e mediática em apoio ao pretendente, mas as tentativas de Guaido de tomar o poder em Caracas falharam.

Na Ucrânia os EUA planearam romper o equilíbrio e violentamente arrancá-la para longe das ligações à Rússia. Mas o problema era "como fazer com que esse processo parecesse orgânico? Afinal de contas, simplesmente invadir a Ucrânia com o Exército dos EUA resultaria na liquidação dos próprios EUA."

ONG dos EUA fizeram uma lavagem cerebral na sociedade para aderir ao liberalismo e à sua "democracia", semelhante ao vírus de que falou Sergey Naryshkin. Foram constituídas formações militantes locais na Galícia (por exemplo o "Sector Direita") e capturam edifícios administrativos na Ucrânia Ocidental, antes de finalmente serem transportados a Kiev para a "revolução" de Fevereiro. Existem 3 versões da tecnologia do golpe de Estado

1. Golpe de Estado tradicional – um golpe simples e esmagador, eficaz contra o chamado "terceiro mundo" (ex. América Latina, África, Indonésia, etc.)

2. "Revolução colorida" – sequestrar temporariamente a "sociedade civil", eficaz contra estados mais tecnologicamente refinados, mas não superpotências (Síria, Líbia, Jugoslávia, Ucrânia);

3. "Revolução colorida 2.0" – tomada do controle sobre a nação desde o início, eficaz contra aliados de superpotências nucleares, aplicado depois dos Acordos de Minsk terem sido assinados e os jatos russos aterrarem na Síria (exemplos: Venezuela, Hong Kong, Rússia, Sérvia).

A versão nº 3, diz respeito ao pós-guerra na Síria. Note-se que a Rússia terminou a guerra na Síria em 2015 – tudo o que aconteceu depois disso está atrás da cortina de negociações referente à ordem mundial.

Campanhas de palavras-chave nas redes sociais são também usadas mas não têm o mesmo efeito devido à mobilização crescente de utilizadores anti-golpeTornou-se também muito difícil manter a estética da operação limpa de modo sistemático – o porta-voz da Rada [parlamento ucraniano] afirmou que "Hitler era um grande líder"; uma figura sénior do Qatar admitiu na TV que o Qatar financiou grupos armados para remover Assad; um vídeo pode aparecer mostrando um líder "pró-democracia" a ler um texto em frente a um produtor americano, etc;

O fortalecimento geral da Eurásia e o declínio do Ocidente liberal (e portanto as suas oportunidades para violar o direito internacional) fazem com que os cidadãos não tenham razão para acreditar que seja o paraíso que pretende ser;

Nas "revoluções coloridas" um objetivo central é superar no espaço da informação global o adversário, (dita "guerra de quarta geração"). As notícias falsas têm de ser filmadas, as agências têm de espalhar as imagens falsas coordenando-as diariamente com os objetivos gerais de tal modo que se sinta que o serviço de notícias regular é "confiável", porque a última coisa que um governo neoliberal quer é que os seus súbditos comecem a pensar que gente do governo está a patrocinar a Al Qaeda. Contudo a realidade geopolítica que temos hoje não é a mesma que antes do envolvimento da Rússia na Síria. O mundo mudou.

(continua)

Texto completo em: Understanding America’s “regime change” strategy in Russia | The Vineyard of the Saker ou em A estratégia dos EUA para a "mudança de regime" na Rússia (resistir.info)



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