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6 de julho de 2011

GRANDES DE MAIS PARA FALIR

Felix Salmon
Finance blogger, Reuters

The warning signs were there. In the decades before the financial world fell apart in 2008, what had been a great many small and diverse intermediaries merged and grew into a few global powerhouses. The new behemoths of finance were generally far too big to manage: with their trillion-dollar balance sheets and cellars full of assets that no one understood, they were a disaster waiting to happen.

These institutions were, literally, too big to fail. Lehman Brothers was one of the smallest, and its bankruptcy forced governments around the world to carry out formerly unthinkable emergency actions just to keep the global economy from completely collapsing. The cost of the bailout ran into the trillions, and unemployment rose as high as 10.1 percent; we can probably never recover fully from the crisis. The ingredients that spelled disaster were simple: bigness, interconnectedness, and profitability.

Big banks, by their nature, are much more systemically dangerous than smaller ones—just imagine the cost to the federal government if it had to cover all the deposits at, say, Bank of America. Lehman is a prime example of the dangers of interconnectedness: because every major bank did a lot of business with the firm every day, the chaos when it suddenly collapsed was impossible to contain, and rapidly spread globally in devastating and unpredictable fashion.

And great profitability, of course, is as good a proxy for risk as any. If someone tells you that he can make huge profits, year in and year out, without taking on big risks, then he’s probably Bernie Madoff.

As of now, not only have we failed to fix these three problems, but we’ve made them all worse. The big banks are bigger than ever, after having swallowed up their failed competitors. (Merrill Lynch, for example, is now a subsidiary of Bank of America; don’t believe for a minute that BofA’s senior management or board of directors has a remotely adequate understanding of the risks that Merrill is taking.)

Interconnectedness, too, has increased. With the bailout came a deluge of liquidity, courtesy of Ben Bernanke: the Fed bailout was tantamount to dropping billions of $100 bills from helicopters over Lower Manhattan. That money got spent on financial assets—that was the whole point—and as a result, financial assets started moving in conjunction with one another. If my shares are rising, your shares are almost certainly rising too. And your commodities, and your municipal bonds, and your Old Master paintings. Because of this increase in financial correlation, if and when another crisis hits, it will be uncontrollable: it’s certain to strike absolutely everything, all at once. And though some people think Congress can simply regulate the problems away, there’s no way to legislate solutions to problems that are endemic to our financial system.

Meanwhile, Wall Street pay is back at record highs—that didn’t take long—and the financial industry once again accounts for more than 30 percent of U.S. corporate profits. This doesn’t look like low-margin utility banking, where you take a small fee for matching buyers and sellers, borrowers and lenders. Beware. This is big-money gambling, back with a vengeance, and riskier than ever.

REACÇÕES AO CORTE DE RATING


La prime de risque de la France est au plus haut depuis plus d'un an
Les effets vont au-delà des pays périphériques. La prime de risque (« spread ») de la France, c'est à dire l'écart de taux à 10 ans avec l'Allemagne , atteint ainsi 0,52 %, un plus haut depuis plus d'un an.

Les taux français ne se tendent pourtant pas ce mercredi, mais le rendement de la dette allemande se détend fortement, signe d'une recherche de sécurité de la part des investisseurs.

Sur le front du crédit, les CDS des banques montent. Cela reflète les inquiétudes sur le secteur financier, exposé au risque « périphérique » ainsi qu'aux tensions sur la liquidité.lESECOS

Fantástico!

É ouvi-los sobre a posição da empresa de notação Moody's a propósito do corte no "rating" da República. "Injusto", "Assalto", "Não queremos pena queremos justiça", etc.,etc.
Descobriram agora que tudo isto é «por causa dos lucros dos accionistas privados e nunca escrutinadores das "ratings"» (Editorial do jornal "Negócios" de 06.07.2011)
Francamente não estava à espera que nos dessem razão tão cedo!
O que esta decisão da Moody's nos mostra é que por melhor e mais submisso aluno que o País seja, por mais aperto do cinto que o governo faça aos trabalhadores e ao povo a especulação vai continuar e no segundo semestre de 2013, quando o país for ao mercado para pedir mais empréstimos a médio e a longo prazo só os terá a juros incomportáveis!
Isto é, terá de recorrer a novo empréstimo com outra troika, mas mais dependente, com mais empresas básicas e estratégicas (vendidas a saldo) nas mãos do estrangeiro!
E qual a conclusão que os grandes economistas do sistema tiram?
Que não há outra via senão de continuarmos a mostrar que vamos cumprir o que acordámos com a troika!!! (ouça-se o dito Bastonário da Ordem dos Economistas).
O que se impunha neste momento era arrepiar caminho e confrontar de imediato a União Europeia com a seguinte opção: ou renegociar o acordo com a troika, baixando as taxas de juro e alargando os prazos, retirando todas as exigências de privatizações e aterações laborais... ou Portugal pediria formalmente a renegociação da dívida e com ela o euro teria um ataque em forma por parte do dólar, Wall Street e as suas correias de transmissão, as empresas de rating.
A União Europeia tem meios técnicos para responder aos problemas dos países periféricos. Ou através do BCE com a compra da dívida directa aos Estados ou através da mutualização da dívida.


Mas o que eles querem é o saque, querem ganhar em todas as frentes e em todos os carrinhos.


Vão roubar para a estrada!


Espero que os que venderam as empresas públicas e conduziram o país para o desastre venham um dia a ser julgados e condenados!!!

A crise social global-Relatório da ONU 2011

http://gesd.free.fr/glosocri2.pdf

Department of Economic and Social Aff airs
The Global Social Crisis
Report on the World Social Situation 2011
United Nations
New York, 2011
Department of Economic and Social Aff airs
The Department of Economic and Social Aff airs of the United Nations Secretariat
is a vital interface between global policies in the economic, social and environmental
spheres and national action. The Department works in three main interlinked areas: (i) it
compiles, generates and analyses a wide range of economic, social and environmental data
and information on which Member States of the United Nations draw to review common
problems and to take stock of policy options; (ii) it facilitates the negotiations of Member
States in many intergovernmental bodies on joint courses of action to address ongoing or
emerging global challenges; and (iii) it advises interested Governments on the ways and
means of translating policy frameworks developed in United Nations conferences and
summits into programmes at the country level and, through technical assistance, helps
build national capacities.
Note
Th e designations employed and the presentation of the material in the present
publication do not imply the expression of any opinion whatsoever on the
part of the Secretariat of the United nations concerning the legal status of any
country or territory or of its authorities, or concerning the delimitations of its
frontiers.
Th e term “country” as used in the text of this report also refers, as appropriate,
to territories or areas.
Th e designations of country groups in the text and the tables are intended
solely for statistical or analytical convenience and do not necessarily express
a judgement about the stage reached by a particular country or area in the
development process.
Mention of the names of fi rms and commercial products does not imply the
endorsement of the United Nations.
Symbols of United Nations documents are composed of capital letters combined
with fi gures.
ST/ESA/334
United Nations publication
Sales No. E.10.IV.12
ISBN 978-92-1-130304-9
Copyright © United Nations, 2011
All rights

Uma versão do rei Midas

« Quand les hommes blancs auront transformé les terres, l'eau et les forêts en argent, ils se rendront compte que l'argent ne se mange pas. » Proverbe indien

4 de julho de 2011

O PEQUENO DICIONÁRIO CRÍTICO – 24.1A REPARTIÇÃO DO RENDIMENTO – I
Uma das questões que sempre se colocou às sociedades desde a formação dos Estados foi a repartição do rendimento obtido. Os conflitos sociais na antiguidade (evidentes no Egipto, Grécia, Roma), os conflitos medievais ou modernos entre o poder real e o poder feudal, as lutas dos camponeses, tinham por origem desequilíbrios e desigualdades na repartição do rendimento. Consta que João II de Portugal, afirmou que seu pai só lhe tinha deixado as estradas para passear – as funções do Estado e o progresso do país estavam dependentes de abater do poder feudal. Situações análogas ocorreram na Inglaterra e em França. As crises e decadência dos Estados e dos Impérios foram agravadas pelas contradições dos sistemas económicos e sociais, que resultavam no acréscimo de desigualdades sociais. Não deixa de ser curioso que srs. professores e srs. comentadores (*) falarem, falarem, dando “bons conselhos” ao “povo” e mostrarem-se preocupados com o “despesismo” sem tocarem numa questão central da existência dos Estados, desde sempre: a da repartição do rendimento. Sim, nós sabemos, remetem isso para o “mercado”, como se o “mercado” não fosse a expressão económica e social dos poderes dominantes em cada época e em cada sociedade.
A má distribuição do rendimento é geradora de crise. Verificou-se na crise iniciada em 1929, tal como na actual. A persistência nas mesmas políticas só a agrava.
O desenvolvimento tecnológico permitiu um rápido aumento da produtividade, em princípio estavam criadas as condições para o aumento do nível de vida e de segurança dos trabalhadores, contudo foi completamente aproveitado em benefício do capital, particularmente o rentista. A repartição entre o capital e o trabalho desceu para níveis históricos. O mito social-democrata de criar riqueza para melhor a distribuir sem atender às relações de produção, simplesmente ruiu. A questão é sempre: quem controla? O que se verificou foram níveis de desigualdade só comparáveis com o de há muitas décadas atrás.
Em Portugal, a percentagem dos salários no Rendimento Nacional caiu para 40,6% em 2006, valor idêntico ao dos anos do salazarismo e mesmo inferior ao verificado em 1973. Portugal está entre os países com maiores níveis de desigualdades. De acordo com o índice GINI proporcionado pela ONU (UNDP), em 2009 era o mais desigual em toda a UE, estando em 5º lugar entre os países considerados desenvolvidos apenas ultrapassado em termos de desigualdade pela região de Hong Kong, Singapura, EUA e Israel. Os 10% mais pobres repartiam 2% do RN, os 10 % mais ricos cerca de 30%.
O exemplo dos EUA e de outros países ajuda-nos a compreender o sentido das políticas que são aplicadas em Portugal para sair da crise e que fracassaram e fracassam em toda a parte. Nos EUA entre 1979 e 2004 os trabalhadores americanos aumentaram a sua produtividade em 64% enquanto o seu salário horário médio apenas aumentou 12%. (Economic Policy Institute – 2007). Os super-ricos tornaram-se mais ricos e os trabalhadores tornaram-se mais pobres. De 1979 a 2007 (nos EUA), a média dos rendimentos após impostos dos 1% mais ricos passou de 7,5% do rendimento nacional para 17%. Em consequência as desigualdades atingiram níveis semelhantes aos anteriores à grande crise de finais dos anos 20.
John K. Galbraith (que fez parte do governo de Kenedy) definiu da seguinte forma as políticas neoliberais: “os ricos nunca são demasiado ricos para investir nem os pobres demasiado pobres para trabalharem mais”. Quaisquer que sejam os votos piedosos é esta a filosofia subjacente às políticas do FMI e da UE. Na UE a aumentam pobreza, a precariedade, o desemprego, mas o sr. Trichet diz que “nem se pense em taxar transacções financeiras (…) há desvantagens económicas, financeiras e técnicas” (euroobserver.com 01.jan.2010). Ou seja, a Europa e os EUA são dirigidos por indivíduos para os quais o conceito de social não entra nos seus raciocínios: apenas a sua economia, a sua finança, a sua técnica.
Vejamos onde nos levou a política destas “vantagens”. Nos EUA. Em 1991 um gestor de topo (CEO) recebia 140 vezes mais que um trabalhador médio; em 2003 esta relação tinha aumentado para 500 vezes. (www.inequality.org). Actualmente, nos EUA, 15,7% da população vive abaixo do nível de pobreza; há 25 milhões de desempregados e subocupados; 20% das crianças e jovens, menores de 18 anos, vivem na pobreza.
Em França, “98 individuos controlam as sociedades do CAC40”. (Jean Marie Langoureau – www.legrandsoir – 06.agosto.2010) “Nos países membros do G7 a parte dos salários no PIB baixou de 5,8% entre 1983 e 2006. Segundo a Comissão Europeia na Europa a parte dos salários caiu 8,6%. Em França 9,3%. Ao mesmo tempo a parte dos dividendos no Valor Acrescentado passava de 3,2% para 8,5%. (…) portanto (em França) cerca de 120 a 170 mil milhões de euros que foram transferidos do trabalho para o capital. (www.legrandsoir - 23.maio.2010)
Na Alemanha os impostos aos mais ricos baixaram 10%, enquanto a imposição fiscal à classe média subiu 13%. Em vinte anos a classe média reduziu-se, passando 65% para 59% da população. Os salários reais reduziram-se 0,9%, enquanto os salários mais elevados e os proveitos por lucros e por património aumentaram 36%. Em 1987 os dirigentes das principais empresas ganhavam em média 14 vezes mais que os seus empregados, hoje ganham 44 vezes mais. O desemprego e emprego a tempo parcial afecta 9,5 milhões de pessoas; além de 22% da população tem emprego precário.
Insuspeito de rejeitar o mercado o prof. Joseph Stiglitz (Prémio Nobel 2001) poderia esclarecer muita gente por cá – caso a economia não se tivesse transformado numa dogmática ao serviço do totalitarismo financeiro - na sua opinião, “o plano actual dos EUA para reduzir o défice é um pacto quase suicida”. Recomendando: “investimentos públicos em infraestruturas, educação e tecnologia”(…) “Reformar o sistema fiscal seria uma maneira equitativa de incrementar os recursos e reduzir o défice”. (www.rebelion .org – 31.março.2011).
 “Nos EUA cerca de 7 500 famílias tinham rendimentos superiores a 20 milhões de dólares ano. Usam o seu poder e riqueza para distorcer as políticas públicas e prioridades económicas (www.inequality.org). Todas as formas de corrigir a redistribuição do rendimento encontram feroz oposição de políticos e comentadores, etc., do “arco” neoliberal. O argumento recorrente é de que é extremamente perigoso intervir no funcionamento do mercado. Mas estes assuntos não podem ser deixados às forças dos “mercados” – isto é de quem os controla. São do campo da política, ou melhor, da “economia política” não da “economia” que na actual versão apenas reflete o interesse do grande capital. Esquecem os milhões de milhões que foram dispendidos para salvar os “banksters” (Paul C. Roberts) – só nos EUA 700 mil milhões de dólares.
Paul Craig Roberts não será alguém da “esquerda radical” – como o classificaria a social-democracia cá da terra - (1), tem simplesmente a lucidez de refletir fora do totalitarismo neoliberal. Num texto sobre a situação nos EUA, “A Wall Street contra os pobres e a classe média”, escreve: “Para as oligarquias dominantes a questão é como salvar o seu poder. A sua resposta é fazer o povo pagar”. De todos os países do mundo, nenhum necessita uma revolução tão urgentemente quanto os Estados Unidos, um país dominado por um punhado de oligarcas egoístas que têm mais rendimento e riqueza do que pode ser gasto durante toda uma vida”. Sim, lá como cá. (2)

* - A quem dedicamos este tema, como se verá no seu final.
1 - Ex-editor do Wall Street Journal e ex-secretário assistente do Tesouro dos EUA com R. Reagan , http://www.counterpunch.org/roberts02182011.html Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
2 - Creio que ao falar em revolução Paul Roberts não estará a pensar em armas pelas ruas, mas em transformações qualitativas do contexto político e social, e não dos habituais paliativos que nada resolvem nem alteram quanto às causas fundamentais.

A seguir: A repartição do rendimento – I I

1 de julho de 2011

Para os mesmos de sempre, a receita do costume

Ainda mal se sentou na sua nova cadeira de Primeiro-Ministro e Passos Coelho já mostrou ao que vem. Como a execução orçamental não apresenta os resultados desejados, pese embora todas as artimanhas de que o Governo PS se socorreu, Passos Coelho mostra que afinal toda a criatividade de que falava em campanha eleitoral era bluff, os mesmos de sempre - os trabalhadores - vão 28 anos depois ver novamente cortado uma parte significativa do seu subsídio de natal.

Há dois meses atrás, numa visita a uma Escola do concelho de Vila Franca de Xira, Passos Coelho interpelado por uma jovem que lhe dizia que a sua mãe estava preocupada com a possibilidade de que se o PSD ganhasse as eleições cortaria parte do subsídio de natal, respondeu-lhe com um ar muito sério que o PSD nunca faria isso. Mal se sentou na cadeira do poder, foi o que se viu. Que pensará esta mesma jovem hoje ou rever na televisão o que Passos Coelho então disse e o que agora fez? Que pensarão centenas de milhares de portugueses que levados pela falinha mansa destes senhores, uma vez mais cairam no engodo e agora vão sofrer na pele o resultado do voto que exprimiram?

O que ontem aconteceu na Assembleia da República foi na verdade gravíssimo, mas como muita gente de esquerda tem vindo a reafirmar a procissão ainda vai no adro. 

Como o programa de governo bem mostra e como as várias intervenções que os membros desse mesmo governo têm feito ontem e hoje na Assembleia da República, estamos perante o governo mais liberal e mais conservador eleito depois do 25 de Abril.

A proposta inserida no seu programa de emergência social de assegurar aos portugueses mais pobres o fornecimento de medicamentos, roupa e alimentação, mostra bem o retrocesso civilizacional que este governo representa. Temos que recuar quase 100 anos e ao governo do ditador Sidónio Pais  para encontrarmos iniciativa de carácter similar. Quem não se lembra entre os trabalhadores portugueses de ouvir falar aos seus familiares mais idosos, da tão célebre " sopa do Sidónio" e que mais não eram do que espaços em que eram fornecidas "sopas" aos portugueses mais pobres. Quase cem anos depois o que este "jovem" governo de direita liberal nos tem para oferecer é juntar à sopa, roupa e medicamentos.        

Ao mesmo tempo que assistimos a tudo isto, do lado do PS responsável pelo regresso desta direita ao poder, verifica-se um completo eclipse. Nada disto os preocupa, antes estão preocupados com as lutas intestinas e com a forma como hão-de aparecer aos portugueses daqui a uns meses com uma imagem tão transfigurada quanto possível, prontos a mostrarem a sua faceta defensora do Estado Social, a qual hibernou durante os 6 longos anos em que foram poder.