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20 de julho de 2026

Os EUA estão em declínio? - 1

 A questão parece polémica dado o potencial tecnológico, militar, poder financeiro, etc. Porém há vantagens que se tornam desafios, pontos fortes que têm contrapartida de pontos fracos. Estas situações têm reflexos quer na vida interna quer nas relações externas. Sem ser exaustivo, apenas algumas notas sobre o tema, que convirá considerar, dado ajudar-nos também a perceber o que somos e que futuro se perspetiva.

Em termos de pontos fortes, os EUA têm uma população motivada pelo seu país, independentemente de diferentes visões políticas, que não concebe lideranças externas. Tecnologicamente é um país que domina as tecnologias mais avançadas. O seu PIB é em termos nominais o maior a nível mundial (em PPP é ultrapassado pela China), tal como o PIB per capita.

A grande maioria dos multimilionários a nível global é dos EUA. Dos sete homens mais ricos do mundo (com um total de 2 milhões de milhões de dólares) seis são dos EUA. As maiores empresas mundiais são dos EUA. A BlackRock controla 10 milhões de milhões, de dólares, um terço do PIB dos EUA, numa única empresa privada, controlando direta e indiretamente sectores em todo o mundo, nas grandes empresas tecnológicas, farmacêuticas, grandes bancos, media, etc.

Ora, o excesso de certas qualidades pode tornar-se um defeito, assim pontos fortes, têm a contrapartida de pontos fracos. Um deles é o social.

Os EUA apresentam um grande aumento da insegurança alimentar, devido aos cortes na ajuda alimentar federal, afetando centenas de milhares de crianças, milhões de pessoas no total. Sondagens mostram um aumento de pessoas que recorrem a doações de alimentos ou não tomam todas as refeições, à medida que os preços das necessidades básicas aumentam. Apesar dos incentivos fiscais para multimilionários, são cortadas verbas nos programas de nutrição que auxiliam milhões de crianças e idosos. Num ano o rendimento dos 50% mais pobres caiu 1,6%, continuando a decrescer nos últimos meses.

O governo quer aumentar o orçamento do Pentágono para 1,5 mil milhões de dólares cortando 73 mil milhões em habitação, saúde e educação. Cerca de 85 milhões de americanos não têm seguro de saúde ou têm seguro insuficiente. Apesar dos EUA serem o país onde as pessoas mais gastam em saúde, tem os piores indicadores dos países considerados desenvolvidos.

Os jovens lutam com dívidas estudantis que atingem quase 1,7 milhões de milhões de dólares, levando milhões de jovens à prestação de serviços sexuais.

De acordo com o FMI o crescimento do endividamento dos EUA coloca riscos à estabilidade da economia global. Ora a dívida federal, atinge 36,5 milhões de milhões de dólares, 122,24% do PIB, um crescimento de 2 milhões de milhões por ano desde 2000. O endividamento total, incluindo empresas, particulares, Estados e locais é de 350% do PIB. Uma dívida que resulta no pagamento anual de juros de 7 milhões de milhões de dólares. Trata-se de um endividamento insustentável.

O avanço tecnológico - apesar dos semicondutores mais avançados serem produzidos no exterior - deixou indústrias básicas abandonadas, traduzindo-se num défice comercial de 717 mil milhões de dólares. Décadas de subinvestimento e má gestão deixaram a indústria em ruínas. Foi estimado que seriam necessários investimentos de 183 mil milhões até 2040 apenas para repor a produção industrial ao nível dos anos 1990. Com a instabilidade política e dos mercados, em particular de energia, o risco daquele investimento não atrai os investidores. Acresce a escassez de minerais críticos e falta de trabalhadores qualificados. Note-se que a rede elétrica norte-americana é uma das mais antigas e vulneráveis do mundo desenvolvido.

A habitação, como bem essencial, tornou-se um ativo preferencial das grandes empresas, conduzindo ao colapso urbano da América. Com o mercado imobiliário dominado pela BlackRock, Vanguard & State Street, etc., há dois anos, uma habitação média podia custar 215 mil dólares, agora custa 400 mil. Em janeiro de 2025, mais de 770 mil pessoas estavam sem abrigo, não incluindo as temporariamente acolhidas por amigos ou familiares, devido à falta de habitação a preços acessíveis.

O acréscimo de riqueza tem sido absorvido essencialmente pelo 1% mais rico. Os mais ricos tornam-se muito mais ricos, enquanto, enquanto 60% dos americanos vivem de salário em salário e muitos milhões de famílias lutam para colocar comida na mesa.

Bernie Sanders, escreveu, sobre a devastação social que o liberalismo, provoca. Elon Musk, detém mais de 400 mil milhões de dólares, mais que os 52% mais pobres dos EUA. O 1% mais rico possui mais riqueza do que os 93% mais pobres. Os presidentes de grande empresas ganham mais de 350 vezes do que seus funcionários.

A oligarquia (mais corretamente timocracia) domina o país, controlando o que as pessoas veem e leem, moldando a economia, política, cultura e o futuro. Se é possível associar os pontos fortes à economia privatizada (levada ao extremo com o neoliberalismo), associada a uma eficiência ... privada, o facto é que esta "eficiência" resulta em pontos fracos no social, no coletivo.

As catástrofes que assolam constantemente os EUA, evidenciam também aspetos desta questão. Enquanto os Parques Nacionais estão com falta de pessoal, terras públicas estão fechadas, e a "campanha de eficiência" do Estado corta milhares de milhões aos serviços públicos, florestas sem manutenção, e empresas de serviços públicos deixando as linhas de energia deteriorarem-se até curto-circuitos originaram desastres.

Os EUA têm sido cenário de devastadores incêndios, ardendo intensamente durante semanas, com dezenas de milhares de hectares queimados, milhares de infraestruturas, dezenas de milhares de milhões de prejuízo - por grande incêndio. Em janeiro de 2025, um incêndio na Califórnia, originou 25 mortes (números provisórios de então) e feridos, danos estimados em 275 mil milhões de dólares.

A situação não se limita a incêndios: explosões, descarrilamentos, colapsos, incidentes aéreos, são rotineiros. Os EUA têm uma média de 1000 descarrilamentos de comboios por ano (relatórios independentes dizem 1700). Em 2020, a refinaria de Marathon - a terceira maior dos EUA - explodiu. Permanece fechada. A Refinaria Martinez, inaugurada em 2023, pegou fogo, gerando riscos de ar tóxico para moradores nas proximidades. Em 2023, a refinaria de Marathon em Garyville, Louisiana - a segunda maior - ardeu. Os furacões que atingem EUA, causam centenas de milhares de milhões de dólares em prejuízos e vidas devastadas.



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