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18 de abril de 2013

COLÔMBIA – UM PAÍS AMIGO…


- Em 20 anos 250 000 “desaparecimentos”. Entre 2005 e 2010, 34 467.
- Numa vala comum perto de um aquartelamento militar, encontrados 2 000 cadáveres
- Opositores políticos e rebeldes barbaramente torturados e assassinados
- Milhares de sindicalistas mortos
- Aldeias bombardeadas pela aviação
- Jovens sequestrados na rua, levados para a floresta, mortos e vestidos com vestes de rebeldes
- Militantes dos direitos humanos assassinados em plena rua
- Impunidade absoluta para os assassinos
- Mais de 600 000 pessoas deslocadas entre 2010 e 2011
- Em 13 anos 3,6 milhões de camponesas expulsos violentamente das suas terras
- Nos últimos 20 anos os camponeses foram despojados de cerca de 6,6 milhões de ha.
- Em 2012 o governo declarou 17,6 milhões de ha como reserva estratégica para empresas mineiras. O governo chama a isto a sua “revolução agrária”.
- A pobreza nas zonas rurais atinge 64,3% da população. Nas cidades 45,5%
- Colômbia é um dos países mais desiguais do mundo.
- Desde junho 2011 foram assassinados 60 líderes camponeses do movimento que reclama a restituição das terras presente em 400 municípios do país
Nunca este regime foi considerado pela “comunidade internacional” (eufemismo da comunicação social para “NATO”) como violando os direitos humanos.
A Human Rights Watch considera este país uma “democracia imperfeita”, mas Cuba “uma ditadura”, embora o último jornalista e sindicalista mortos em Cuba ocorresse no tempo do ditador Batista, outro amigo.
Ninguém ouviu na comunicação social os puros defensores dos direitos humanos (os mesmos que apoiam a troika por cá) preocupados com a Colômbia, mas recorde-se o que disseram da Líbia, dizem da Síria, etc.. Normal, a Colômbia é um país amigo…do imperialismo.
Só não se entende o porquê de certas pessoas na comitiva do PR...
Dados referidos em  -  http://revistacepa.weebly.com/uploads/1/3/3/7/13372958/sin_anestesia.pdf   



17 de abril de 2013

Dois anos de troika


Dois anos de troika

Os resultados falam por si :

. Mais desemprego. 

. Uma recessão acumulada de mais de 5,5% do PIB.

. Uma queda acumulada do investimento de 25%.

. Um aumento da dívida pública de cerca de 50 mil milhões (+ 30 pontos percentuais).

. Um aumento de 2 040 milhões de euros em juros anuais de dívida pública!

E ninguém os atira ao rio Tejo?


A confissão


Uma confissão do Gaspar


Numa audição parlamentar de Orçamento e Finanças, em 15 de Fevereiro (ver Público de 16.02.013), Victor Gaspar rejeitou a ideia de que as recentes intervenções do Estado nos bancos sejam um bom negócio. “Rejeitaria liminarmente que estas operações são um bom negócio para o Estado! E acrescentou: “ O bom negócio para o Estado é que o sistema bancário assegure a sustentabilidade pelos seus próprios meios e que os recursos dos contribuintes não sejam para aí chamados!”.
É a confissão de que os contribuintes têm estado a sustentar a banca.
Nessa mesma audição o ministro defendeu que os spreeds da banca tinham de baixar rapidamente!
Foi o que se viu. Nada foi feito e recentemente o Barclays confessou que tem havido cambão entre os banqueiros na fixação dos spreeds.
Até agora está tudo muito calado, desde o Banco de Portugal, sempre conivente com os banqueiros até à dita autoridade“concorrência”.
O Estado vai garantir que os bancos farão tudo para reanimar o crédito à economia dizia Passos Coelho (15.04.2013)
Três dos quatro bancos intervencionados foram dos que mais reduziram o crédito às empresas.
Viva a banca privada!

Os banqueiros Continuam a rir !


Continuamos a pagar o desendividamento da banca!

A banca continua a ser um sorvedouro de recursos. Em Portugal e na Europa.
O resto no essencial são tremoços.
O 1.º Ministro diz que a banca que inclusivamente foi capitalizada pelo governo deve agora financiar a economia! Um dos banqueiros diz-se perplexo! Só lhe faltou dizer que não aguenta!
 A banca privada é um luxo para o nosso  país. O que recebe em benefícios do OE, o que não paga de IRC, o que leva em comissões, o que leva em spreeds nada justificados, o que tem transferido para a segurança social sem as devidas provisões, o que tem levado ao Estado nas PPP's, o que custa o BPN, o BPP, o BANIF, o BCP e o que vai custar o escândalo dos contratos de Swap com as empresas públicas, explica em grande medida o descalabro da situação e das contas públicas.

Ontem no Parlamento Europeu o presidente do BCE afirmou que a melhoria do sector financeiro com a concessão de uma linha de crédito de um bilião de euros aos bancos – que permitiram evitar graves problemas, não está a passar para a economia real. Os bancos continuam a restringir o crédito às empresas e às famílias,rematou.. Estamos conversados!
Há uns dias (10/04/2013) a agência de rating Moody's veio dizer que o sistema bancário português ainda necessita de 8 mil milhões de euros ( o dobro do que o governo quer cortar nos salários pensões e funções sociais do Estado). Afirmou ainda que o crédito mal parado aumentou mais do que o esperado devido à recessão! Acrescentou também: " o “que é positivo é que sabemos que 6 mil milhões de euros estão disponíveis para recapitalizar o sistema bancário caso seja necessário!"
No mesmo dia o FMI, pela voz de Christine Lagard, vem dizer que a prioridade da zona euro deve ser continuar a limpar o sistema financeiro, seja através de recapitalizações seja encerrando bancos (onde necessário). Afirmou ainda que « em particular na periferia muitos bancos ainda estão numa fase precoce de reparação...
Tudo dito!
Se juntarmos a estas declarações o caso de Chipre, então na próxima crise política no país, a corrida à banca vai ser um ver se te avias...

14 de abril de 2013

QUEREMOS SER COMO A IRLANDA?!


Neste governo dos “profissionais competentes” a mentira tornou-se uma forma de gestão corrente. Para os propagandistas o (único) problema do governo é que as explicações das suas políticas não são bem dadas. Segundo eles o povo persiste em não querer entender a sua "pedagogia". Nisto se revela a desconexão do real que esta gente atingiu.
Aliás a sua “pedagogia” não vai além da do camponês que queria ensinar o seu burro a deixar de comer. Sabemos o que aconteceu ao pobre a animal, sabemos o que está a acontecer ao país, com sucessivas e profundas quebras no consumo e no investimento. 
Mas o Gaspar não está satisfeito, quer à nossa custa ganhar a medalha de bom comportamento da troika.
Vem isto a propósito da mentira sempre repetida pelo primeiro-ministro e sequazes, com conteúdo de ameaça, que se não fizermos o que o governo diz seremos como a Grécia (para lá caminhamos e rapidamente) e fazendo o que quer seremos como a Irlanda:
Pois bem, vejamos os “êxitos” da Irlanda que tão bem está que pediu mais anos de moratória sob o colonialismo da troika. Por cá o mesmo, como um êxito. Dizia um intelectual de direita francês que “só são colonizados, os colonizáveis” – uma boa forma de desculpabilizar o colonialismo e imperialismo. Aqui fica este registo, que prova o desprezo que a direita europeia tem pelos “colonizáveis” das outras direitas.
Mas vamos aos êxitos da Irlanda. Base de dados AMECO (Comissão Europeia)
Desemprego – Em 2007, 4,7%. Em 2012 – oficial: 14,8%, como emigração massiva.
Investimento (FBCF) - Em 2007 – 46,7 mil M€; 2012 – 19 9 mil M€ (41,9% de 2007) (preços constantes)
PIB - Em 2007 – 156,9 mil M€; 2012 – 133,4 mil M€. (menos 15%) (preços constantes)
RN – Em 2007 – 144,2 mil M€; 2012 – 113,4 mil M€ (preços correntes). Em termos constantes a queda será de cerca de 40%. Resultado das políticas de deflação fiscal e livre circulação de capitais, que o governo de cá quer acelerar para “atrair capitais”.
Dívida pública - Em 2007 – 47,2 mil M€; 2012 – 191 mil M€. Sempre a crescer, com a AMECO a prever para 2014 – 207,4 mil M€.
RN/capita - Em 2007 – 36,9 mil €; 2012 – 28,1 mil € (preços correntes).
Ah! Mas a balança de bens e serviços, passou de um excedente 17,1 mil M € em 2007; para 39,5 mil M €.
Os resultados estão à vista e o sucesso é para a especulação e as transnacionais que fazem da Irlanda entreposto, com empobrecimento acelerado da população. Este o futuro que o governo quer vender aos portugueses.
O neoliberalismo é como as drogas pesadas, de que a Irlanda tomou em “overdose”.
Pois é, o ideal deste desgoverno é fazer do nós como o tal burro do camponês.

9 de abril de 2013

AVE DA ORDEM DOS COMENTADORES: DE QUE ESPÉCIE?


O Sr. Gomes Ferreira na SIC, acerca do parecer do Tribunal Constitucional: “qualquer escritório de advogados demoraria muito menos tempo a dar um parecer”
Já chegámos a isto?! “Qualquer escritório de advogados” a produzir textos com força constitucional que obrigam órgãos de soberania!
O quê? Agora também o Tribunal Constitucional pode ser “privatizado”?!
O ódio à Constituição e/ou a vontade de ficar bem na fotografia neoliberal, leva-os a isto.
Pode dizer-se que é uma maneira de falar de gente assumida como economista e politóloga. Mas não, é muito pior: é uma maneira de pensar, pois está-se a admitir que as tarefas de um Tribunal Constitucional, poderiam ser realizadas – com vantagem?! - por um “qualquer escritório de advogados”.
E isto é que é grave, são insidiosas formas de populismo que procuram todas as vias para destruir conceitos democráticos e suas instituições.

4 de abril de 2013

OS PAPAGAIOS TELEVISIVOS


Acerca do exemplo da Argentina
O papagaio fala mas é (neste aspeto apenas) um ignorante: repete o que ouve ou induzem a repetir. Curiosamente nas televisões pululam os papagaios televisivos.
Um destes papagaios, apresentado como sendo da espécie “politólogo”, repetia a versão do governo sobre as consequências da decisão de inconstitucionalidade do OE – ou parte – pelo TC, que levariam o país para o caos, agora que estamos no “bom caminho” das “reformas” e das boas avaliações da troika e da “confiança dos mercados”. Que iriam dizer os mercados?! Credo!
Para esta gente os “mercados” – punhados de multimilionários especuladores – estão acima dos países e dos povos. Ao que chegámos! Uma espécie de entidade sobrenatural, deus Baal que exige sacrifícios humanos.
Nesta arenga o papagaio “politólogo” ameaçou com o exemplo da Argentina e do caos com pessoas a assaltar lojas, sem comer, sem emprego, etc., se atuais políticas não prosseguirem. Contudo, aqui para o tal “caos” já só falta – e mesmo assim…- assaltar lojas.
Argumentar com a Argentina para defender esta política é mentir descaradamente: ignorância e/ou má-fé. A jornalista ouvia caladinha, com um leve sorriso, pois o dinheirinho é escasso e os empregos ninguém os vê. Mas se alguém falasse contra a troika não tinha grandes hipóteses de prosseguir.
Falar na Argentina, para defender esta política é pura imbecilidade. O que levou aquele país ao caos foi justamente a política neoliberal que culminou num mentiroso como Carlos Menem, que envolveu o país em sujas negociatas. Os ministros das finanças fantasiavam promessas iguais às de cá – eram fundamentalistas neoliberais apadrinhados pelo FMI, atrelaram o peso argentino ao dólar, a bem da finança, com altos juros, baixa fiscalidade e livre transferência de capitais. Consequência: a destruição da indústria, depois de toda a economia e o colapso económico e social. O que a Argentina comprova é o resultado das políticas em curso.
Os argentinos resolveram estes problemas forçando com os seus protestos a demissão de 3 presidentes da república até haver um governo que cessou os pagamentos aos credores e iniciou a renegociação da dívida.
A Argentina teve depois taxas de crescimento de 8%. Tudo ao contrário do que perorava o “papagaio” – com ofensa para as simpáticas aves que…não mentem.
O processo de renegociação não foi porém levado tão longe como podia e devia – sem auditoria cidadã – a partir do impulso popular, designadamente nos montantes. Assim, atualmente o peso dos juros está a constituir uma grave limitação ao desenvolvimento, representando o serviço de dívida em 2012, 12% do PIB (chiffresdeladette_2012 – www.cadtm)
Este recado serve também para o PS cujas anunciadas intenções de renegociação da dívida são incompletas. Sem rever montantes, no que constituem a chamada dívida ilegítima-odiosa, não se vai longe.
Esta a lição que devemos tirar da Argentina e compar com uma renegociação correta como a do Equador que também anulou montantes – e os credores aceitaram…e piaram baixinho.
O pior é que papagaios há muitos por essas televisões.