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17 de junho de 2019

Itália

L’Italie est-elle en train de créer une monnaie parallèle?

Pour l’instant, ce n’est qu’une décision de principe : le gouvernement italien envisage de créer des bons du trésor (mini-BOTs) censés officiellement servir de moyens de paiement pour ses arriérés. L’initiative inquiète déjà les responsables européens et les financiers : ces mini-BOTs pourraient très vite se transformer en monnaie parallèle interne à l’Italie, au risque de miner l’euro.
Many things are unclear about the idea that Italy’s government could issue what would amount to small-denomination IOUs to pay some of its bills. How would the so-called mini-BOTs work? Are they a clever way of giving the country’s sluggish economy a boost? Would they amount to a parallel currency to the euro, or even a prelude to leaving it? Are they a sly way of getting around the European Union’s rules on debt? One thing is sure: markets don’t like any of these possibilities.

1. What are mini-BOTs?

So far, just an idea. The original proposal called for the creation of small-value notes (from 1 euro to 500 euros) that would be issued to meet overdue payments to government suppliers. They could also be issued as credits for up to 25,000 euros each ($28,300) to taxpayers entitled to refunds. Like an IOU from the government, mini-BOTs would pay no interest and have no due date. They would be guaranteed by the state and would be accepted by the government for the payment of taxes. There would be no obligation for third parties to accept them. The name is a play on BOT, or Buoni Ordinari del Tesoro, a common short-term Italian Treasury bill.

15 de junho de 2019

O assalto ao património publico

DOZE ANOS É POUCO TEMPO
Agostinho Lopes
«Doze anos de mentira» é um artigo de Pedro Santos Guerreiro (PSG) no Expresso de 08JUN19, «alegadamente» sobre o assalto de Sócrates e companhia, com Berardo pelo meio, ao BCP e sector financeiro. Para PSG, «Alegadamente isto não é um assalto, é uma conspiração; é uma associação criminosa». Vale a pena ler.
Mas lamento que PSG fique pelos doze anos na sua denúncia. É pena que não se debruce sobre os antecedentes. A «associação criminosa» é escassa em «sócios». E é insuficiente que fique pela responsabilização de comportamentos («alegadamente» criminosos, ilegais, corruptos) de agentes económicos e políticos.    
Ao ler as notícias e comentários às revelações da nova Comissão de Inquérito à CGD, em particular depois da audição de Berardo, parece, de facto, que a história da corrupção, crime e roubo de bens públicos só começou há doze anos. Ou com o BPN de Oliveira e Costa. Ora, nada mais longe da verdade.

14 de junho de 2019

Russia China

O Fórum Económico Internacional, em São Petersburgo, mostrou a realização a grande velocidade da “Parceria da Eurásia Alargada”, mencionada pelo Presidente Putin no Fórum Valdai, em 2016, e anunciada pelo Ministro Lavrov na Assembleia Geral da ONU, em 2018. Agora incorporam-se os projectos chineses da "Rota da Seda" e russo da rede de comunicação da “União Económica Euroasiática”. Ao contrário das declarações oficiais, esta cimeira foi seguida por uma considerável delegação dos Estados Unidos.
A comunicação social mediática concentrou-se, em 5 de Junho, no Presidente Trump e nos dirigentes europeus da NATO que, no aniversário do Dia D, celebraram em Portsmouth “a paz, a liberdade e a democracia asseguradas na Europa”, comprometendo-se a “defendê-las quando ameaçadas”. Referência clara à Rússia.

Bildeberg

Durante muitos anos, muitas falsidades foram escritas sobre o Grupo Bilderberg. No entanto, a partir de documentos, é possível ter uma visão fidedigna. Muitos pesquisadores asseguraram-no através de um trabalho longo e difícil. Não é um governo global, mas uma rede de influência, composta pela CIA e pelo MI6 para apoiar a NATO.
Três italianos foram convidados este ano para a reunião do grupo Bilderberg, realizada em Montreux, na Suíça, de 30 de Maio a 2 de Junho. Ao lado de Lilli Gruber, a apresentadora televisiva do La7, agora convidada permanente do Bilderberg, foi convidado outro jornalista: Stefano Feltri, Vice-Director do ‘Fatto Quotidiano’, dirigido por Marco Travaglio. O "terceiro homem" escolhido pelo Bilderberg é Matteo Renzi, senador do Partido Democrata, antigo Presidente do Conselho.
O grupo Bilderberg, constituído formalmente em 1954, por iniciativa de “cidadãos eminentes” europeus e americanos, foi na verdade criado pela CIA e pelo serviço secreto britânico MI6 para apoiar a NATO contra a URSS [1]. Após a Guerra Fria, manteve a mesma função de apoio à estratégia USA/NATO.

Politica de Avestruz

O primeiro ministro viu se obrigado a  reconhecer em Malta que o Orçamento da Zona Euro é um mini  Orçamento , mas em vez de reconhecer o fracasso da iniciativa Macron  diz que o importante é ter - se criado um Orçamento ..
Ora um orçamento formal , com verbas irrisórias , não responde nem de perto , nem de longe aos desequilíbrios provocados pelo euro...
 As políticas do euro vão continuar  , bem como as consequências para a economia portuguesa de termos um "euro marco "...
O primeiro ministro disse também recentemente , em entrevista que se podia  verificar uma nova crise do euro, se se mantivessem as assimetrias provocadas por esta moeda , pelo que um Orçamento robusto poderia fazer a necessária compensação . Mas não um mini Orçamento para salvar a face a Macron. 
A Alemanha recusa- se a financiar um Orçamento significativo  e talvez nem esteja em condições políticas e financeiras para o fazer pelo que as contradições  na UE não só se vão manter como terão tendência a acentuar-se

13 de junho de 2019


Stiglitz enterra o neoliberalismo para salvar o capitalismo.

Num artigo publicado no Guardian (1), Josef Stiglitz (JS), considera que é necessário passar a certidão de óbito ao neoliberalismo, segundo ele (e nós também) um sistema que falhou drasticamente com suas políticas de comércio livre, redução de impostos aos mais ricos, desregulamentação dos mercados de trabalho e financeiros e globalização.
Neste sentido, distingue várias correntes políticas no capitalismo atual, exercício com especial interesse na UE cujo monolitismo político-burocrático alicerçado no neoliberalismo, não passa de um totalitarismo a favor da oligarquia.
JS, refere o nacionalismo de extrema direita, o centro-direita que representa o fracasso neoliberal, o reformismo de centro-esquerda, e a esquerda progressista. Com exceção da esquerda progressista, todas as alternativas continuam a aderir a uma forma de ideologia (o neoliberalismo) que deveria ter desaparecido.
O centro-esquerda, representa um neoliberalismo com algumas preocupações sociais. Seu objetivo é adaptar as políticas do ex-presidente dos EUA, Bill Clinton, e do ex-primeiro-ministro britânico, Tony Blair, ao século XXI, fazendo apenas pequenas alterações à financeirização e à globalização. A direita nacionalista rejeita a globalização e acusa migrantes e estrangeiros de todos os problemas. Mas, como demonstrou a presidência de Donald Trump, continua zelosamente a reduzir os impostos aos ricos, desregulamentar e reduzir ou eliminar os programas sociais.
O lento crescimento económico, a crescente desigualdade, a instabilidade financeira e a degradação ambiental são problemas originados pelo mercado e não podem ser resolvidos pelo mercado. Os governos têm o dever de limitar e organizar o mercado e resolver o problema da crescente concentração do poder de mercado.
Assim a esquerda progressista defende o que JS chama de “capitalismo progressista”, propondo um programa económico baseado em:restaurar o equilíbrio entre os mercados, o Estado e a sociedade civil.
O aumento do poder de mercado das (grandes) empresas, combinado com o declínio do poder de negociação dos trabalhadores, explica em grande parte o aumento da desigualdade e o declínio do crescimento. A menos que o governo desempenhe um papel mais ativo estes problemas provavelmente irão piorar devido aos avanços da robótica e da inteligência artificial.
JS considera que o  "capitalismo progressista" é a alternativa mais viável para uma ideologia que claramente falhou. O “capitalismo progressista” teria de concretizar o rompimento entre o poder económico e o político. Nos EUA, indivíduos e corporações ricas podem financiar eleições sem limites, tornando o país cada vez menos democrático: o sistema é o de "um dólar, um voto". Portanto, na opinião de JS, os capitalistas progressistas devem começar por reduzir a influência do dinheiro na política e as desigualdades.
Diz JS que os danos causados ​​por décadas de neoliberalismo não podem ser resolvidos com uma varinha mágica, porém poder-se-á com um programa de segurança económica, emprego, salário digno, assistência médica e habitação adequada, pensões de reforma garantidas e educação de qualidade para os jovens.
Convém então perguntar a JS como na fábula: “quem vai pôr a coleira com guizos ao gato” (a oligarquia). JS esquece duas coisas. Primeiro, se a lei económica fundamental da maximização do lucro não for alterada então volta tudo ao mesmo, como aconteceu com o keynesianismo. Segundo, as alterações que propõe para serem consistentes só podem ser levadas a cabo por um partido revolucionário, cujo objetivo seja realmente alterar a infraestrutura económica e social com uma política antimonopolista  e promovendo a transição para o socialismo.


 

 

11 de junho de 2019

Coisas que eles(não) dizem - 9

O neoliberalismo é a expressão da atual decadência do sistema capitalista, oriundo das limitações e contradições do keynesianismo.
A irracionalidade e ineficiência do sistema está mais que comprovada na prática pelas sucessivas crises económicas e sociais, estagnação, aumento das desigualdades e conflitos sociais. A UE e os EUA são a mais evidente demonstração destas consequências.
 
A propaganda procura obscurecer estes factos e “comentadores” seguem a via de atribuir as falhas aos “políticos”, ao sistema democrático, à necessidade de “mudança de mentalidades”. O PR, no seu papel de comentador não andou longe deste “paradigma”, logo glosado pelos (outros) comentadores.

A democracia ficou refém do neoliberalismo ao ponto de se chamar “esquerda” a um neoliberalismo temperado com algumas medidas sociais, como é o caso do PS.
Quando um governo democraticamente se afasta do padrão neoliberal/oligárquico logo se colocam ameaças de sanções, atentados aos direitos humanos (do grande capital, claro) e tonitruantes fariseus com falsas indignações fazendo propaganda anti Estado, anti “políticos”, anti sistema democrático. Porém, logo se calam assim que a oligarquia coloca seus “colaboradores” no poder.

Tomemos o caso, isto é, o caos instalado na Argentina que não ocupa espaço nos media, tomado pelos ataques à Venezuela, China, Coreia do Norte, Rússia, etc.
Macri foi para o poder - à semelhança de Bolsonaro - com “comentadores” vociferando nos media contra o estado de coisas no governo social democrata de Cristina Kirchner. Tudo piorou, agora calam-se e procura justificar o que ocorre. Há quem diga que é a “triste história económica da Argentina”. Não é. É a triste história económica e social do capitalismo, particularmente o dependente.

Com o governo de Macri (início 10/12/2015) neoliberal e vassalo dos EUA, os dados são os seguintes (1):
Pobreza - 36%. Pobreza infantil - 63,4% (2 milhões de crianças e adolescentes), subalimentação infantil 6,7%, sendo 8,5% na Grande Buenos Aires.
Desemprego - 13% (previsão OCDE)
Precários - 65,7%
Despedimentos - 253 976 (outubro 2018)
Fecho de empresas - 16 000 (até 500 trabalhadores) 2821 fábricas.
Aumento da dívida pública - 188 mil milhões de dólares 97,7 % PIB contra 53,3% em 2015
Serviço de dívida - 3,6% PIB
Inflação - 47% em 2018 e a aumentar
Queda do PIB - 44% devido à depreciação do peso)
Perda do poder de compra do salário mínimo - 24%, dos reformados - 23,7%.

Tão importante como os números é pensar como é que gente desta consegue alcançar o poder. Podemos aliás revisitar o caso PSD-CDS, não foi muito diferente, tal como a propaganda pró fantoche Guaidó.