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5 de março de 2013

O BPP e os Socialistas


Lembrando ainda o BPP e a intervenção de Agostinho Lopes.
***
Em resposta às questões colocadas pelos deputados contestando o aval dado pelo Estado ao BPP o Secretário de Estado do Tesouro Carlos Costa Pina dizia o seguinta conforme se pode ler no diário da AR :
(...)
Sr. Secretário de Estado do Tesouro e Finanças: — Em segundo lugar, como contrapartida da prestação da garantia, foram prestadas contra-garantias por parte da instituição em causa, contra-garantias essas que têm um valor superior ao valor da garantia,...

O Sr. Secretário de Estado do Tesouro e Finanças: — ... o qual se deve manter em permanência, isto é, a instituição está permanentemente obrigada, durante o prazo da garantia, a manter o nível de contra- garantias em montante superior ao montante da garantia que o Estado prestou”
Como se sabe a garantia foi executada.... e o senhor Carlos Costa Pina
remeteu se ao silêncio tal como os socialiastas...

Lá como cá


Os socialistas (franceses, portugueses, espanhóis...) e as frases sonantes na oposição e no governo!

Na campanha eleitoral em 22 de Janeiro de 2012, François Hollande afirmava: «o meu adversário não tem nome, nem rosto, nem partido, nunca apresentará a sua candidatura, nunca será eleito e no entanto governa. Este adversário é o mundo da finança».
Passados poucos meses de governo o primeiro-ministro do governo de Hollande afirmava: «Eu sou parceiro dos banqueiros».

Palavras para quê
É um artista socialista!

Bendita austeridade !


Contrastes

O DN de hoje, 5 de Março de 2013, em duas páginas seguidas, 32 e 33, mostra-nos o resultado das ditas medidas de austeridade, de facto medidas de concentração da riqueza.

Na página 32, um grande título: «25 mil famílias pediram revisão do abono de família em 2013».
Na página seguinte as fotografias de Américo Amorim, Soares dos santos e Belmiro de Azevedo, na lista dos mais ricos do mundo!

Só a fortuna do rei da cortiça é de 4,1 mil milhões de dólares (3,15 mil milhões de euros) muito perto dos 4 mil milhões que o governo quer cortar!

Significativamente, nestes tempos de crise, estas grandes fortunas aumentaram em 2012! Estas e outras grandes fortunas

Aumenta o número dos que empobrecem enquanto uma minoria continua a fazer crescer o seu património. Bendita austeridade dirão eles...

Para onde foi e para onde vai o nosso dinheiro !



PARA ONDE FOI O NOSSO DINHEIRO
O caso do BPP
Para que se lembre,

Depois de 20 000 milhões de euros de aval, depois de 4000 milhões de
euros para a recapitalização, depois da «nacionalização» do BPN, o
Governo decidiu agora salvar, com o recurso ao dinheiro dos
contribuintes, o BPP. Pior, o Sr. Ministro das Finanças veio dizer:
«Nas actuais condições do nosso mercado financeiro, todos os bancos
acabam por ter uma relevância sistémica».
Publicamos hoje intervenção de Agostinho Lopes na A. R., 02 Dezembro 2008

(...)Ministro das Finanças veio dizer: «Nas actuais condições do nosso
mercado financeiro, todos os bancos acabam por ter uma relevância
sistémica».

A conclusão lógica a retirar é que o Governo não deixará falir nenhum
banco, por maiores que sejam as asneiras, as negociatas, as
irregularidades dos seus gestores e accionistas.

Ou seja, o negócio bancário em Portugal não tem riscos!

Então, Srs. Membros do Governo, por que têm de ser os lucros do sector
bancário privados?

Por que não nacionaliza o Governo todos os bancos?

Assim, o Estado e os contribuintes aguentavam com os prejuízos, mas
também tinham direito aos lucros.

Assim é que não!

Os banqueiros e os poderosos «ordenham» e ficam com o «leite»; os
portugueses e o Estado «alimentam a vaca»!

Srs. Membros do Governo, por que razão os accionistas do Banco não
suportam, às custas dos seus patrimónios mobiliários e imobiliários,
os custos do risco dos investimentos na economia de casino feita pelo
banco?

Por que razão accionistas de referência do Banco, como João Rendeiro,
seu Presidente (a história de quem venceu nos mercados), Pinto
Balsemão, Saviotti, a Fundação Luso-Americana, Miguel Júdice, Deus
Pinheiro, Borges de Macedo, Maria José Nogueira Pinto, António Pires
de Lima (que, ainda há bem pouco tempo, fazia nesta Casa lindos
discursos em torno da iniciativa privada, do capitalismo), que
receberam, ao longo dos últimos cinco anos, 32,1 milhões de lucros ou
dividendos, que só em 2007 tiveram 12,2 milhões de euros de
dividendos, não são capazes de suportar os prejuízos com os seus
patrimónios?!

Mandou o Governo fazer a sua avaliação?

É uma resposta que esperamos.

Três outras questões esta intervenção no BPP suscita.

É estranho que o Estado, para o empréstimo de 450 milhões de euros,
exija garantias que são avaliadas em 670 milhões de euros.

Dá mesmo a ideia de que o Estado sabe bem que está a «comprar gato por lebre»...

Aliás, se assim não fosse, não se percebe por que é que o BPP não
entrega as suas garantias directamente ao sindicato bancário, antes
estes exigem um reforço de garantia, através do contrato que assinaram
com a Direcção-Geral do Tesouro e das Finanças.

É estranho, Srs. Membros do Governo e Srs. Deputados, que, até hoje,
não se saiba ainda, concretamente, quanto dinheiro há de depositantes,
que activos há, que credores existem! Certamente que os Srs. membros
do Governo ainda hoje nos vão informar sobre esta questão. Sr.
Presidente e Srs. Deputados, há duas palavras para caracterizar esta
intervenção do Governo no BPP: falta de vergonha e medo.

Falta de vergonha na cara, porque é espantoso que o Governo invoque o
chamado risco sistémico - nova expressão do léxico económico - para
garantir, com o dinheiro de todos nós, uma intervenção deste tipo, de
salvação, pura e simples, de um banco que gere fortunas, em que o
saldo médio dos cientes é de 1 milhão de euros, e, simultaneamente,
«não mexa uma palha» na defesa das centenas de empresas que, nos
últimos meses, vêm encerrando, muitas delas arrastando consigo,
directa e indirectamente, para o desemprego milhares e milhares de
trabalhadores, levando à falência outras empresas fornecedoras destas
e criando enormes dificuldades ou, também, o encerramento de outras
ainda pequenas e médias empresas que eram alimentadas pela capacidade
de consumo de todos os trabalhadores que continuarão a ir para o
desemprego.

O Governo do PS não só permite e facilita a exploração dos
trabalhadores e dos pequenos e médios empresários pelas «sanguessugas»
do sistema financeiro e grupos económicos, como agora, com o nosso
dinheiro, o dinheiro dos portugueses, os salva da falência e os
indemniza dos prejuízos a que as suas negociatas os conduziram.

Totalmente inaceitável! Medo dos poderosos.(...)

4 de março de 2013

Os factos são os factos !


A pouco e pouco vão-se rendendo à evidência

    Que evidência?
    A evidência de que precisamos mais tempo para diminuir o défice, mais tempo para pagar a dívida e com menos taxas de juro. A isto já chegaram. Mas ainda terão de dar o passo de que uma parte deverá ser anulada.
    A evidência de que a resolução da questão da dívida não chega, que é preciso resolver o que lhe deu origem.
A falta de crescimento económico. Aqui também já chegaram.
Mas a única solução que vêm é a de que é preciso atrair investimento estrangeiro.
Isto é, mais dependência, mais entrega ao estrangeiro de recursos nacionais.
Não lhes passa pela cabeça que o crescimento pode ser feito com investimento nacional, com crédito acessível , com políticas fiscais favoráveis.
Mas crédito inteligente e acessível com a banca privada, e com a política do euro caro não dá! 
Também chegarão a esta conclusão . Tarde de mais !

Medidas de austeridade ou de concentração da riqueza


A luta ideológica

As palavras não são neutras, têm um significado, um conteúdo, um sentido e, por isso mesmo , são muitas vezes empregues como disfarce, como cortina, como meio de afastar o olhar e o pensamento para o que de facto se está a passar.
É o caso ,por exemplo, da expressão”medidas de austeridade”. O sujeito A é austero, pratica a austeridade. Em si estas afirmações não têm uma conotação negativa.
Há dias um membro do Alto Clero da Igreja católica afirmava que não gostava da expressão “medidas de austeridade”. Preferia em vez de austeridade, o termo sobriedade, que tem um significado mais positivo.
Ora as medidas que têm sido tomadas correspondem como se pode ver pela prática, pelas consequências, a medidas de empobrecimento geral e de enriquecimento de uma minoria.
Não são medidas de austeridade e muito menos de sobriedade. São medidas de concentração da riqueza.
É verdade que ao fim de um longo período os povos dão-se conta do verdadeiro significado prático das expressões, mas não nos primeiros tempos. Nos primeiros tempos dificultam a compreensão do que verdadeiramente está em causa. Hoje a expressão medidas de austeridade” já tem uma conotação negativa, mas serviu para atrasar a consciência das massas e serviu para dar crença a outros fios condutores ideológicos.
Se se dissesse que se ia tomar medidas de concentração de riqueza a rejeição era imediata.
Com a expressão medidas de austeridade permite-se dizer que a austeridade é necessária, que estivemos a viver acima das nossas possibilidades e outras balelas do género o que já não era possível se tais medidas fossem designadas como são: medidas de concentração da riqueza. Concentração de riqueza no sistema financeiro (banca e seguros) e num punhado de famílias.

A BANCA

O sistema financeiro - a Banca em particular- , continua a aparecer aos olhos de muitos cidadãos como nada tendo a ver com a crise. Pelo contrário, procuram dar a ideia que são eles os bancos e banqueiros os que têm auxiliado o Estado, designadamente na dívida pública!
Nada mais falso.
Sem alongamentos de texto, basta olhar para os resultados da banca em 2012. A maioria dos seus benefícios foram gerados com a especulação da dívida pública. Calcula-se que os maiores bancos ganharam com a dívida pública cerca de 2 mil milhões de euros.
Para se ter uma ideia da sua dimensão lembre-se que o governo quer cortar no Orçamento 4 mil milhões!
A banca tem sido a grande “sanguessuga” dos recursos públicos. A entidade que viveu acima dos seus recursos, que está mais endividada que o Estado.
É significativo que na carta forjada pelo assessor de Passos Coelho, em resposta à de José Seguro, como se fosse Lagarde, se pergunte se o dirigente do PS acha que a banca não precisa de mais dinheiro!
Mais dinheiro público!
Mais dinheiro pago pelos contribuintes é claro.
Esta afirmação do assessor do 1º Ministro revela que a banca vai continuar a sugar dinheiros públicos... da maneira mais disfarçada possível !


Uma nova bomba ao retardador

O mundo dos produto derivados financeiros, que representam 600 mil milhares de milhão de dólares de posições em geral opacas (capital fictício), são controlados em mais de 80% por uma dúzia de bancos anglo-saxónicos e suiços. Um gigantesco depósito de explosivos pronto a rebentar!
A banca designadamente na UE está tão mal vista que apesar de todas as campanhas de diversão e de branqueamento do sector financeiro até a Comissão Europeia sentiu a necessidade de avançar com uma medida propagandista: a limitação dos bónus aos banqueiros. É uma medida populista e praticamente de nenhum efeito pois os banqueiros têm outros meios para encherem a carteira. Mas dá nas vistas e faz manchetes!!!
Repare-se que nem sequer limitaram os salários como na Suiça , mas somente os bónus!!!
A grande limitação não era em relação ao bónus nem mesmo aos salários. A grande limitação era a nacionalização pura e simples da banca comercial .

3 de março de 2013