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6 de novembro de 2012

A semântica da renogociação da dívida


A renegociação da dívida


O PCP, logo que teve conhecimento das condições do empréstimo tutelado pela troika afirmou, que com aqueles juros a dívida era impagável e ia aumentar ano a ano. Por isso, propôs desde logo renegociar a dívida, taxas de juro, montantes, não excluindo a eliminação de parte (hair cut).
O Bloco de Esquerda veio a tomar a mesma posição, enquanto o PS, PSD e CDS, rejeitaram tal solução.
Com o aumento das dificuldades do país e tornando-se agora evidente o falhanço das medidas da troika, o PS veio agora também defender a “reapreciação da dívida”.
Fala em reapreciação para não dar a ideia que se junta aos comunistas e bloquistas na reivindicação da renegociação da dívida.
E Zorrinho, com todo o descaramento diz que a reapreciação não é renegociação porque exclui o corte da dívida.
É uma espécie de renegociação “honrada” como lhe chamava Cadilhe.
Mas tanto Zorrinho como Cadilhe, o que não querem é falar de renegociação para não se conotarem com os comunistas e bloquistas!
Chegaram tarde à conclusão de que com estes juros, com estas condições do empréstimo, Portugal não tem saída.
O PSD e CDS, dando-se conta de que estão a caminho do desfiladeiro também já começam a admitir ser necessário renegociar a dívida.
Como também chegam tarde procurarem disfarçar o que andaram a dizer por duas vias.
A primeira, procurando fazer crer que andam a negociar em segredo.
A segunda, afirmando que é preciso mostrar primeiro que somos cumpridores .
Mas cumpridores em quê ?
Não atingimos o défice, nem as metas de crescimento, nem do desemprego... A cumprir só o pagamento dos juros agiotas
Aqueles que no PSD e no CDS ainda continuam a defender a não renegociação avançam com o caso da Grécia, para dizer: vejam a Grécia renegociou e não resolveu nada!!!
A Grécia, renegociou tarde, já com a corda na garganta, a cair no precipício... Teve o perdão de alguns milhões, reduziu o serviço da dívida mas foi uma renegociação limitada a uma parte da dívida e contra a aceitação de mais um pacote de austeridade que atinge muito negativamente a economia grega.
Será que se quer este caminho para Portugal? Quando chegarmos à conclusão que não há saída é que vamos renegociar, já sem qualquer poder negocial, com uma parte substancial da dívida pública nas mãos de instituições nacionais e no BCE
Quanto mais tarde acordarem pior para o país.

2 comentários:

joão l.henrique disse...

Os troikos não andam a dormir andam só a fingir. Eles não são ingénuos!
Claro que, quanto mais tarde "acordarem"pior para todos. Por isso
é urgente correr com essa cambada.

Mário disse...

Estamos a acordar, a questão é que temos medo de ligar o rádio.