O assassinato de líderes e negociadores por duas vezes pelos EUA, enquanto decorriam negociações, aliás bastante favoráveis ao que os EUA diziam pretender, ultrapassa tudo que mesmo historicamente se verificou. Repare-se que nas infindáveis especulações do "comentadores" isto é simplesmente dado como não existente.
A estupidez que lidera o império e vassalos revela-se ao assassinar gente que ainda por cima eram os mais flexíveis nas negociações. Agora dos atuais 13 membros do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, apenas 2 são ditos “reformistas”.
Os EUA tentam reiniciar negociações, mas a sua "estratégia" tem-se baseado em: pressão máxima; prazos sucessivamente adiados; ameaças vociferantes de destruir as infraestruturas do Irão -ou a sua própria civilização. (!) Teerão mostrou frieza e foi muito claro em não se intimidar, não há negociações sob um bloqueio naval. Não há negociação enquanto seus navios estão sendo atacados - de facto violações do cessar-fogo.
A Grande Questão é o bloqueio naval. O Artigo 3(c) da Resolução 3314 da Assembleia Geral da ONU (Definição de Agressão) vai direto ao ponto: “O bloqueio dos portos ou costas de um Estado pelas forças armadas de outro Estado” qualifica-se como um ato de agressão. Isto aplica-se diretamente aos EUA, não ao Irão.
O Irão não bloqueou nenhum porto estrangeiro, nem declarou um bloqueio total no Estreito. Impôs uma taxa de passagem a embarcações transitando nas suas águas territoriais ou impedindo a passagem de embarcações de ou destinadas a nações envolvidas na agressão de que foi vitima.
Seguindo a Convenção de Genebra de 1958 sobre o Mar Territorial e a Zona Contígua, e a sua legislação - Lei de 1993 sobre as suas Áreas Marítimas - o Irão sempre enfatizou que o direito de “passagem inofensiva” não se aplica a embarcações que ameassem a sua segurança.
Portanto, o Irão tem o direito soberano absolutamente lícito em termos do direito à autodefesa de regulamentar a passagem desses navios em resposta a uma guerra relâmpago unilateral e ilegal por parte da superpotência imperial.
O Império do Caos ignora tudo o que é legal. Especialmente porque o que já está em jogo é um bloqueio marítimo global de facto imposto ao Irão, à Rússia, é claro à China e, mais cedo ou mais tarde, a qualquer outra nação.
O seguro comercial para petroleiros do Golfo subiu impressionantes 400% numa semana. Os petroleiros literalmente pararam de cruzar o Estreito de Ormuz; além do ataque com canhões navais de 5 polegadas contra diversos navios iranianos.
Justamente quando o Irão estava relaxando o controlo no Estreito de Ormuz, como parte do cessar-fogo, os EUA surgiram com o seu bloqueio naval, a caminho de destruir a economia global, comprometendo o combustível de aviação, diesel, transporte marítimo, etc.
A evolução do conflito determinará a introdução de controlo e portagens no Bab al-Mandeb como compensação pela guerra de uma década travada pelas monarquias do Golfo, os EUA, Reino Unido e Israel, que matou dezenas de milhares e deslocou mais de 4,5 milhões de pessoas, desencadeou uma das crises humanitárias mais graves do mundo e destruiu milhares de casas, escolas, hospitais, centrais elétricas, fábricas, pontes, portos e aeroportos. Porém, os Houthis não foram vencidos e dispõem de armamento cada vez mais avançado
O Estreito de Bab al-Mandeb, é responsável por 12% de todo o comércio global e 10% do petróleo comercializado mundialmente. Com o seu fecho, a opção restante entre Ásia, África e Europa é via Cabo da Boa Esperança: duas semanas a mais no mar, agravadas com o disparar dos custos de transporte.
Após 47 anos de sanções devastadoras, o Irão é capaz de encarar o Império e os titubeantes vassalos que por fim chegaram à conclusão que os iranianos são claramente mais fortes do que inicialmente previam.
O frágil cessar-fogo não vai durar. Quando ocorrer a lista de alvos já foi anunciada: o oleoduto de Yanbu na Arábia Saudita, que contorna Ormuz; o terminal de Fujairah nos Emirados Árabes Unidos; o fecho de Bab al-Mandeb. Isto representará o desaparecimento de uns 32% do abastecimento global de petróleo. E será o Império da Pirataria o responsável por isso.
Fonte: https://strategic-culture.su/news/2026/04/22/iran-u-s-the-strategic-limbo-breakdown/ Pablo Escobar
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