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12 de abril de 2026

Caitlin Johnstone, palavras como punhos

 Eis como o Caitlin termina o seu texto: "Já disse isso antes e vou repetir: é impossível ter desprezo suficiente pela imprensa ocidental."

Israel é um Estado genocida de apartheid cuja existência se baseia inteiramente numa estratégia de violência e abusos incessantes no Médio Oriente. Enquanto esse Estado continuar a existir na sua forma atual, a paz nunca será alcançada.

Israel já está sabotando agressivamente o cessar-fogo de duas semanas acordado pelo governo Trump com o Irão, massacrando um grande número de civis no Líbano, uma nação que está explicitamente fora dos limites para qualquer ataque, de acordo com as condições do cessar-fogo acordadas por Teerão.

Os EUA e Israel tentam alegar que o Líbano não faz parte do acordo de cessar-fogo, mas o Paquistão, que os EUA designaram para mediar o acordo, afirma que isso é falso. O New York Times relata que a Casa Branca participou da comunicação pública do Paquistão, que incluía explicitamente o Líbano nas condições do cessar-fogo, antes de mudar de tom após o ataque de Israel. O Irão respondeu a essas violações interrompendo novamente o tráfego pelo Estreito de Ormuz.

Isto serve como mais um lembrete de que o mundo pode ter paz ou pode ter Israel – mas não pode ter ambos. 

Enquanto isso, democratas na Câmara , no Senado e no Congresso dos EUA estão finalmente avançando com uma Lei de Poderes de Guerra para impedir que o presidente dos EUA entre em guerra com o Irã, eu diria que mais vale tarde que nunca. Porém, democratas como Chuck Schumer e Chris Murphy criticam o Presidente não por suas horríveis atrocidades no Irão, mas por perder o Estreito de Ormuz e não conseguir objetivos como o desarmamento completo do programa de mísseis convencionais do país.

Como anteriormente disse está claro que a razão pela qual o Partido Democrata não se opôs à belicosidade de Trump em relação ao Irão foi porque eles também a apoiavam. O Partido Democrata para 2024 acusou Trump de “incompetência e fraqueza” por não ter entrado em guerra com o Irão durante seu primeiro mandato. Kamala Harris rotulou o Irão como o inimigo número 1 dos Estados Unidos e no debate de 2024, criticou repetidamente Trump por ser brando demais com os inimigos dos Estados Unidos e anunciou que “sempre dará a Israel a capacidade de se defender, em particular no que se refere ao Irão e a qualquer ameaça que o Irão e seus representantes signifiquem para Israel”.

Muitas pessoas argumentam que a depravação de Trump em relação ao Irão prova que todos deveriam apoiar os democratas, mas está claro que o Partido Democrata é apenas a face mais educada da mesma estrutura de poder maligna.

Wyatt Reed, do The Grayzone, publicou um artigo sobre uma reportagem bizarra da BBC que citava uma iraniana anónimo que supostamente lhes disse que apoia os EUA e Israel “atacando a infraestrutura energética, usando uma bomba atómica ou arrasando o Irão”. A "iraniana anónima" era na realidade uma repórter da BBC e ligada à CIA e às operações de propaganda dos EUA na Radio Free Europe/Radio Liberty. Após protestos públicos, a citação foi removida e substituída com palavras completamente diferentes.

No mês passado, The Times publicou um artigo intitulado “Alguns iranianos dizem que uma coisa é pior do que bombas: a ausência de bombas”. Potências ocidentais estão promovendo a agressão com alegações evidentemente falsas de que as pessoas nos países alvo do império querem que bombas sejam lançadas sobre elas, da mesma forma que os defensores da escravidão argumentavam que os africanos eram mais felizes como escravos porque Deus fez com que a natureza deles fosse servir.

Será que Caitlin exagera? A razão é lhe dada pelos representantes de Israel. Poe exemplo, Yitzhak Kroizer do partido Otzma Yehudit ("Poder Judaico"), alinhado com Netanyahu, afirmou num recente debate parlamentar sobre a introdução da pena de morte para prisioneiros palestinianos: "Apoio os combatentes das FDI em todas as situações. Mesmo que o preço seja matar crianças ou mulheres, isso não me interessa". "Em Jenin [Cisjordânia] não existem civis inocentes. Em Jenin não existem crianças inocentes", esclarecendo que não tem "nem um pouco" de "qualquer tipo de sentimento de misericórdia pelos palestinos".

Desde políticos de topo até recrutas das FDI, os comentários chocantemente indiferentes dos israelitas sobre palestinos e outros inimigos de Israel provaram ser um pesadelo para as relações públicas dos senhores dos media que procuram fazer com que os povos rejeitem evidências impossíveis de esconder dos seus olhos e ouvidos.

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