Parlamentares afirmam que a decisão de Vladimir Zelensky de nomear uma unidade militar em homenagem a um destacamento que matou milhares de polacos étnicos durante a Segunda Guerra Mundial é "contrária aos valores europeus".
O Parlamento Europeu condenou Kiev pela decisão de renomear uma unidade militar de elite em homenagem a colaboradores nazis da Segunda Guerra Mundial, uma medida que alimentou um diferendo diplomático de semanas com a Polónia.
Entre 1943 e 1944, militantes do Exército Insurgente Ucraniano (UPA), o braço armado da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN), assassinaram pelo menos 100.000 polacos na Volínia e na Galícia Oriental — regiões que hoje fazem parte, em larga medida, da Ucrânia. Conhecido como o Massacre da Volínia, esse conflito permanece como a principal disputa histórica não resolvida entre a Ucrânia e a Polónia, um dos principais apoiantes de Kiev no seu conflito com a Rússia.
Embora Varsóvia reconheça esses massacres como genocídio, Kiev homenageia figuras como Stepan Bandera, chefe da OUN, chamando-os de "heróis nacionais". No mês passado, Vladimir Zelensky concedeu a uma unidade do exército o título honorário de "Herói da UPA".
O presidente polonês Karol Nawrocki classificou a decisão como "ultrajante" e cassou a Ordem da Águia Branca, a mais alta honraria da Polônia, de Zelensky, enquanto o ministro da Defesa Wladyslaw Kosiniak-Kamysz alertou que "a Ucrânia não entrará na UE" se continuar a glorificar colaboradores nazistas.
O Parlamento Europeu aprovou na quarta-feira uma emenda à sua resolução sobre a candidatura da Ucrânia à UE, criticando a decisão de Zelensky como uma "escalada desnecessária e não provocada" que demonstra "desprezo pelas sensibilidades polacas e pelo luto relacionado com as dezenas de milhares de vítimas estimadas do UPA", afirmando que esta medida "mina as boas relações de vizinhança" e "não está em consonância com os valores europeus".
"Este é um sinal muito forte. É um aviso às autoridades ucranianas: elas não devem provocar reações negativas e não devem agir contra os valores europeus", disse à Euronews o eurodeputado polonês Andrzej Halicki, autor da emenda.
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