Segundo "comentadores" a Rússia está a entrar (tal como o Irão...) em colapso. Tanto num caso como noutro aqueles "regimes" não lhes fazem a vontade, consequentemente transformam-se em inimigos.
Há no entanto mudanças nesta guerra, que parecem centrar-se na perda de credibilidade de Washington no Kremlin. Lavrov afirmou que, nas negociações em Anchorage, Trump propôs a Putin que terminasse a guerra, sob a condição das FAU se retirarem do Donbass, o presidente russo concordou. Zelensky recusou-se a retirar as tropas e os EUA nada fizeram para forçar Kiev cumprir o tinham acordado. Isto é, os EUA não tomaram nenhuma medida necessária para a solução que eles próprios tinam proposto. Rubio terá dito a Lavrov que são necessárias novas ideias, pois as anteriores não foram aceitas pela Ucrânia. (!) Algo semelhante se passou com o Memorando de Entendimento entre os EUA e o Irão.
As "novas ideias" são o apoio de Trump aos ataques a refinarias de petróleo russas, áreas marítimas, etc., afirmando que é uma "escalada que leva ao fim da guerra". Os EUA iriam transferir uma licença para a Ucrânia produzir mísseis Patriot e adquirir drones ucranianos. Também elogiou Zelensky, afirmando que ele iria "construir um grande país" (?!) embora no contexto de um acordo com os EUA sobre minerais.
Claro que a Ucrânia precisa de Patriot agora; com uma licença para produção tem de haver fábricas, pessoal treinado e produção estabelecida. A instalação de uma produção em série levará de 3 a 5 anos, as cadeias de fornecimento de componentes estão sobrecarregadas e a fábrica seria um alvo prioritário para a Rússia. Não foram mencionadas entregas de mísseis "agora" porque precisam deles no Médio Oriente. Quanto a adquirir drones é mera retórica, mas serve para os "comentadores" nos entreterem.
A NATO garante que a Europa preencheu quase todas as lacunas de defesa deixadas pelos EUA exceto bombardeiros estratégicos - apenas os EUA, a Rússia e a China operam este tipo de aeronaves, críticos para a dissuasão nuclear e a projeção de poder convencional. Sem bombardeiros estratégicos, a Europa não consegue projetar força para além das suas fronteiras e perde importância global. Sem os EUA, a Europa não consegue defender os seus próprios céus, nem tem capacidade estratégica, provando ser um subalterno dos EUA e não um rival de qualquer outra superpotência.
Podemos distinguir como mudanças significativas os ataques da NATO, através da Ucrânia, à Rússia, e a resposta russa, ambos com intensidade não verificada anteriormente. Estas alterações quantitativas mostram uma situação qualitativamente diferente: o fim do "espírito de Ancorage", que Putin quis manter, apesar de criticado e pressionado até pelos mais próximos.
Para Lavrov era evidente que a diplomacia dos EUA é apenas uma forma de conseguir uma pausa na guerra. O historial de não respeitar acordos e tratados vem desde os tempos da luta (genocídio) contra os "índios". Quando perdiam assinavam tratados; recuperavam, voltavam a atacar. O mesmo padrão querem aplicar ao mundo inteiro.
Os ataques mais intensos e em profundidade à Rússia têm causado danos que fizeram cair o crescimento do PIB russo para 1%. Os ataques contra refinarias de petróleo russas levaram a Rússia um dos maiores exportadores de diesel a proibir essa exportação afetando os preços, mesmo nos EUA, devido à escassez de oferta no mercado global.
Foram também intensificados ataques contra a Rússia no Mar Negro e no mar de Azov. A CNN declarava que "o controle da Rússia sobre o Mar Negro está diminuindo", o Institute for the Study of War destacou uma "nova fase" na guerra, com o objetivo de isolar a Crimeia e interromper o transporte marítimo russo, "especialmente de produtos petrolíferos e cereais". Foi afirmado terem alvejado mais de 100 navios russos no Mar de Azov sendo "apenas o começo". Além do transporte marítimo, os ataques tiveram como alvo infraestruturas ligadas aos gasodutos Blue Stream e TurkStream de gás natural para a Turquia pelo Mar Negro.
Estes ataques prejudicam a Rússia, mas prejudicam os países da Europa ainda mais, especialmente se a crise de Hormuz continuar. Mina a segurança energética e alimentar, acelera a inflação, aumenta os preços já altíssimos do gás natural.
É de facto espantoso cair na ilusão que estes ataques "aproximam o fim da guerra". A aposta em "ataques profundos na Rússia" fracassou, não produziu resultados esperados e não se traduziram em nenhuma vantagem nas frentes: a Rússia dita quando, onde e com que forças ataca. Os operadores de drones ucranianos estão sendo constantemente atacados pelas forças russas, as perdas entre as equipes de UAV tornaram-se muito graves.
Neste processo há algo chocante: a indiferença da UE/NATO perante a previsível resposta russa e as destruições que a Ucrânia está sofrendo. Putin avisou que: "as nossas respostas serão como um espelho e várias vezes mais poderosas, numa escala crescente. As ações das FAU estão causando certos problemas com produtos de petróleo na Rússia, mas a situação será gradualmente estabilizada."
Está claro que a UE/NATO usará a Ucrânia até ao limite económica e humanamente possível, independentemente das mortes, destruições, perseguições pela polícia de recrutamento, silenciando violações da democracia e direitos humanos.
Errata - No texto "Os EUA estão em declínio? - 1", por gralha onde estava "2 milhões de milhões por ano desde 2000", foi corrigido para "2 milhões de milhões por ano desde 2020", como aliás se obtém no site referenciado.
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