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9 de outubro de 2019

O catastrofismo ,o apocalipse , o diluvio...

A comunicação social e as variações do tempo ao longo dos tempos

Demétrio Alves
UNL/FCSH, CICS-NOVA
Outubro 2019

I. Introdução
Por variações do tempo entendem-se, aqui, as alterações das condições meteorológicas nas diversas regiões ao longo do tempo. Costuma falar-se em mudançasde estado do tempo.
Os diversos tipos de precipitação (chuva, neve, granizo, etc.,), a temperatura do ar
e a pressão atmosférica a várias altitudes, a velocidade do vento, o grau de humidade e a
nebulosidade, podem ser avaliados qualitativa e quantitativamente constituindo-se como
parâmetros meteorológicos fundamentais. Estes são, por sua vez, função complexa da
rotação da Terra, da inclinação do seu eixo em relação à órbita, do ponto ocupado na sua
translação em torno do Sol e da intensidade e tipo das radiações solares que chegam ao
planeta que habitamos. A temperatura a diversas profundidades, bem como o tipo de
velocidade das correntes experimentadas nas grandes massas de água existentes nos
mares e oceanos, estão correlacionadas com as condições atmosféricas porque, entre
outros aspetos, contribuem para a evapotranspiração e, assim, para o grau de humidade
do ar atmosférico.
Sabe-se que a evolução das condições meteorológicas constitui um bom exemplo
de sistema caótico existente na natureza, o que determina que as previsões, têm, apesar
da evolução técnico-científica que se traduz em métodos empíricos e numéricos
sofisticados, um horizonte temporal limitado1.
A propósito das mudanças de estado do tempo sentidas em várias regiões do
planeta, não apenas daquelas associadas às estações do ano, vem-se falando cada vez mais

em clima nos últimos anos, e, particularmente, em alterações climáticas. Ou seja, aponta-
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1 Matemática do Planeta Terra, Entre ordem e desordem: da célula ao sol, Maria Paula Serra de
Oliveira, pág. 74, 2a edição, outubro 2014, IST Press.
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------pag2---  se para a existência de uma mudança persistente nos padrões característicos dos vários tipos de clima mais comuns 2.
Tempo (meteorológico) e clima são conceitos diferentes muitas vezes confundidos pelo senso comum. Talvez porque os meios de comunicação social utilizam o termo “clima” quando se referem ao “tempo” e usam “climático” em lugar de “meteorológico”. Mas, curiosamente, nunca se enganam ao contrário3!
O tempo varia muito e de forma contínua, aliás, de forma caprichosa, não obstante reger-se por leis da natureza. Já o clima está, ou é suposto estar, sujeito a variações que ocorrem muito mais lentamente4. A ciência que dele se ocupa, a climatologia, fundamenta-se no estudo estatístico dos elementos caracterizadores do clima, ou sistema climático, procedendo a descrições sistemáticas e a explicações acerca da repartição dos vários tipos de clima5.
O sistema climático consiste numa estreita camada exterior da Terra com pouco mais de 60 km, que engloba a crosta terrestre e o designado geofluido formado pelos oceanos e atmosfera. A modelação físico-matemática de tal sistema exige interdisciplinaridade e é extremamente complexa6.
Embora se saiba que sempre houve alterações climáticas ao longo da vida da Terra, as mudanças de que se fala e escreve de forma abundante nos últimos anos, dever- se-iam em grande parte, segundo a hipótese teórica dominante, às interações das atividades humanas com o meio ambiente. No caso concreto das repercussões na biosfera traduzidas em fenómenos meteorológicos severos que dificultam a habitabilidade do planeta, aponta-se como causa principal a crescente emissão do dióxido de carbono (CO2) a partir de diversos processos de combustão, tanto na indústria e na produção de eletricidade, como nos edifícios habitacionais ou de serviços, e, ainda, pelos transportes que utilizam derivados de combustíveis fósseis. Não obstante existirem outros gases, como o metano, p.ex., e, também, o vapor de água, que contribuem para o efeito de estufa
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2 Tipos de Clima mais característicos: equatoriais húmidos, tropicais, áridos ou desérticos, temperados, frios, polares e de montanha.
3 História de los câmbios climáticos, José Luis Comellas, pág. 15, 2011, RIAL, Madrid
4 Idem, pág. 17.
5 Dictionaire des sciences de la Terre -Continents, océans, atmosphére, François Durand-Dastès,
pág.104, Encyclopædia Universalis, 1998, Paris.
6 Matemática do Planeta Terra, Compreender o clima, uma aventura pelos paradigmas da
modelação, Carlos Pires, pág. 99, 2a edição, outubro 2014, IST Press. 2 
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de uma forma muito intensa, isso é pouco valorizado na divulgação daquilo que se vem designando como uma catástrofe que merece uma declaração de emergência generalizada.
Não é objetivo do presente artigo discutir esta hipótese, e, muito menos, confirmá- la ou infirmá-la. Dizer, apenas, que se trata de uma teoria, que ganhou grande força institucional, social e política, mas que, no entanto, não está comprovada de forma definitiva por metodologia científica homologável em referenciais canónicos.
Contudo, os órgãos de comunicação social tomaram o tema como item nuclear das suas agendas, e vêm-lhe dedicando muito espaço e tempo, designadamente através do relato dos acontecimentos meteorológicos com maior impacto, procurando estabelecer, de forma crescente e acrítica, um nexo de causalidade entre cada episódio e as alterações climáticas de raiz antropogénica.
Nos últimos meses o caudal de notícias, artigos, reportagens e debates difundidos em todo o tipo de vetores de comunicação social, tem aumentado exponencialmente, raiando por vezes uma estridência que, ela própria, se configura como inadequada ao tratamento sério de assunto tão complexo. Em certos casos parece haver um histerismo eivado de traços populistas.
E é neste contexto que se insere a pesquisa realizada de que se dá conta no presente artigo.
Pretendeu-se com ela responder às questões seguintes: a) Que eco fazia a comunicação social, neste caso a imprensa, dos eventos meteorológicos mais relevantes, isto é, aqueles que maiores inconvenientes traziam às sociedades humanas, em meados do século XX? b) Havia menos inclemências meteorológicas noticiadas do que hoje em dia? c) A natureza e a intensidade dos fenómenos registados pelos jornais eram menos significativas do que no presente?
O método usado implicou fazer uma análise às edições dos jornais Diário de Notícias e Século referentes ao ano de 1950.
Por se considerar suficiente para os objetivos definidos, descrevem-se sucintamente os principais eventos noticiados nos meses de janeiro e fevereiro pelo Diário de Notícias e nos meses de maio, junho e julho pelo Século.
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II. Notícias relacionadas com eventos meteorológicos significativos publicadas pelo Diário de Notícias e Século
Diário de Notícias (1950, janeiro e fevereiro)
Em termos noticiosos, embora não se trate de evento meteorológico, será interessante registar que, no dia 1 de janeiro, se dava conta de um abalo sísmico com significativa intensidade, sentido em Lisboa, Mafra, etc., tendo o Observatório Infante D. Luís situado o epicentro a 100 km ao norte de Lisboa.
A 8 de janeiro, o matutino publicava na sua primeira página, com destaque, um interessante título: A Terra está a aquecer?
O trabalho jornalístico, de autoria de Manuel Rodrigues, era depois desenvolvido a páginas quatro, isto numa época em que tanto se falava já na “guerra fria” entre o mundo ocidental e a Rússia (URSS). Aquilo a que no jornal se dizia ser uma “audaciosa hipótese científica”, não surgiu, portanto, por falta de outros assuntos.
O texto explicava que “desde o princípio deste século a temperatura está a aumentar no ártico e os glaciares recuam”, isto segundo uma teoria do Prof. George Gamow. Mais exatamente, há que esclarecê-lo, tratava-se de Georgy Antonovich Gamov, nascido em Odessa (1904) e naturalizado americano em 1940, físico que recebeu da UNESCO um Prémio Kalinga em 1956. Esteve, entre outras investigações, ligado à teoria do Big-Bang.
No seu livro “Biography of the Earth”, o autor previa que o aquecimento ocorresse até ao ano 20 000 e, depois, haveria um arrefeceria até ao ano 50 000. A notícia referia, também, que o Prof. Hans Ahlman vinha coligindo dados sobre o Ártico, concluindo que a temperatura teria aumentado desde 1900 até 1950, cerca de 5oc. Este investigador afirmava ter verificado uma subida do nível do mar em torno das ilhas Spitzberg, relacionada com o recuo dos glaciares. Na Suécia o glaciar de Kebnekolse reduziu-se em 30 milhões de m3 desde 1902, afirmava Ahlman.
E quais eram as hipóteses colocadas para explicar o aquecimento? Inclinação do eixo da Terra? Dizer que uma expedição à Antártida dirigida pelo almirante Byrd, tinha detetado a existência de “oásis” com lagos livres numa latitude onde tudo deveria ser gelo.
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------pag5 Para tirar tudo a limpo, dizia-se na peça jornalística, tinha partido uma expedição internacional (ingleses, noruegueses e dinamarqueses) para o Antártico, a bordo do iate Norsel que levava a bordo dois aparelhos da RAF.
Notar que esta hipótese, colocada por cientistas, surgia num contexto socioeconómico pós-guerra, em que a Revolução Industrial havia começado várias décadas antes, e quando se registava um significativo incremento das atividades produtivas com a concomitante produção de gases com efeito de estufa. No entanto, estava-se então no início de um período, que durou até cerca de 1975, durante o qual, sabe-se hoje pelos registos homologados, não houve aumentos nas temperaturas médias no planeta.
A notícia atrás referida era contemporânea de uma visita do presidente do conselho aos trabalhos da barragem de Castelo de Bode, e, também, de uma outra sobre o reconhecimento do governo britânico da China Popular, embora, dizia Grã-Bretanha, “não implicava a aprovação do comunismo na China (Times)”.
A 15 de janeiro noticiava-se que um intenso “temporal” no Atlântico e no Pacífico continuava a causar graves perturbações no EUA, tendo-se afundado doze barcos de pesca.
Em Portugal o tempo apresentava-se gélido (Lisboa) e nevava abundantemente em Portalegre (22, 23 e 24 de janeiro)
No Lago Winnebago (Oshkosh), Estado de Wisconsin, localizado a norte de Milwaukee (USA) uma placa de gelo soltou-se, a 26 de janeiro, tendo isolado cerca de 6000 automóveis quando os seus condutores estavam a pescar, o que causou grande aflição durante várias horas enquanto a grande placa andou à deriva.
Entre 2 e 13 de fevereiro, anunciaram-se: um “violento temporal” em Inhambane, o vento ciclónico que paralisou o movimento de navios no Tejo, graves destruições na costa de Espinho, uma tempestade de neve em Israel, a morte de 18 pessoas devido a intensos nevões em França e um ciclone na Zambézia, tempestades no mar com chuvas torrenciais que impedem a navegação, bem como intensa queda de neve que isolou vários aglomerados em toda a Inglaterra. O naufrágio do navio finlandês “Karhula” provocou 10 mortos a oeste de Helder.
Estes eventos meteorológicos aconteciam quando se anunciava que a “bomba de hidrogénio” iria ser fabricada por decisão de Truman, e que um espião alemão, em fuga
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------pag6 de uma mina de urânio soviética perto da Checoslováquia, dizia que “a água será transformada em combustível para automóveis”. Este cientista alemão, Wilh Mellentin de seu nome, referia-se a uma transformação da água em “oxi-hidrogénio líquido”.
No dia 16 anunciava-se a assinatura de um Tratado de aliança entre a URSS e a China, anunciava-se que continuavam a verificar-se grandes nevões em vários pontos do país, e alguns dias depois (a 26) dava-se nota de que vento a 117 km/h foi registado no Porto (Serra do Pilar) e que grande trovoada teria imposto o encerramento de várias barras.
Século (1950, maio, junho e julho)
Antes da referência aos episódios mais marcantes relacionados com o tempo, deixar registo de que, a 2 de maio, se noticiava que “é possível que as tarifas elétricas no Porto aumentem para que se possa fornecer aos consumidores corrente em boas condições” e que tinha começado “no Tribunal Plenário da Boa-Hora, sob a presidência do desembargador Dr. Abreu Mesquita, o julgamento de Álvaro Barreirinhas Cunhal, de 36 anos, licenciado em direito, acusado de atividades subversivas”.
A 5 de maio os pescadores de Sesimbra pediram a “proteção ao Senhor Jesus das Chagas para que a abundância regresse”, até porque também se noticiava que “a sardinha que fugiu da costa continental está a afluir aos Açores”, isto num tempo em que a maior parte da população portuguesa vivia da agricultura e da pesca
Também por essa altura se referia que “está quase submersa a cidade de Morris no sul de Winipeg devido a inundações/cheias do Rio Vermelho”, o que determinou que 300 000 habitantes tivessem sido afetados e que 8 500 tinham ficado sem abrigo.
Vários mortos e desaparecidos, para além de avultados prejuízos materiais devido a uma tempestade que assolou o Estado de New York, ocorrência grave registada a 9 de maio, quando “granizo do tamanho de ovos de perdiz caiu em Mértola e Moura causando avultados prejuízos” e ventos fortes causaram naufrágio embarcação pesca no Porto.
Para evitar uma nova guerra franco-alemã o governo de Paris ministro Schuman propôs, noticiava-se a 10 de maio, “a fusão da produção da hulha e aço da Alemanha e da França como um primeiro passo para a Federação Europeia”. Isto quando, discretamente, partiu uma “missão de estudo dos EUA para o Vietnam”.
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------pag6  A 12 de maio registrava-se que “chuvas torrenciais na Turquia, provocaram dois mortos e cinco feridos no distrito de Chakmak”, bem como “dezoito mortos causados por inundações no Estado de Nebrasca”.
Uma chuva intensa e trovoadas perturbaram as cerimónias do 13 de maio em Fátima e a 6a esquadra dos EUA chegou a Lisboa, enquanto no porto de Leixões se descarregavam 6200 de trigo chegados no âmbito do Plano Marshall.
Concluía-se, ainda, que as “culturas tiveram em Abril condições desfavoráveis em relação ao mês anterior devido às condições meteorológicas”, e sobre as causas do desaparecimento da sardinha das costas portuguesas, anunciava-se, a 18 de maio, que “serão estudadas por uma missão que vai aos EUA ocupar-se de questões de biologia marítima”.
A 21, “um violento furacão que durou alguns minutos assolou Vilar Formoso, tendo o granizo destruído culturas em Almeida e Junça, e um violento temporal desabou sobre a região do Porto.
As trutas do rio Coura estão a desaparecer, notava-se a 24, acrescentando que “em Padronelo (Paredes) a pesca à rede e a introdução de outras espécies” estava a dizimar as saborosas salmonidæ. Também o ano estava a revelar-se “terrível para a agricultura”: em Belmonte chove há 15 dias tendo caído granizo com grande dimensão que feriu pessoas. Em Almeida houve milhares de contos de prejuízo.
Uma grande tempestade ocorreu na Turíngia (Berlim), provocando oito mortos e duas crianças desaparecidas, bem como 88 casas destruídas, tendo perecido 95% das cabeças de gado (dia 25). Além de que violentas tempestades assolaram várias regiões de França causando mortos e grandes prejuízos em Besançon, Lille, etc.,
Em junho, dia 7, dava-se relevo a três incêndios que “devastam florestas da Terra Nova, um dos quais ameaça a cidade de Lewisport” e, a 12, chamava-se a atenção dos leitores para as inundações em Lisboa, assim como as violentas tempestades assolavam Calcutá e Bengala Ocidental.
Alguns dias depois, a 18 de junho, destacava-se a notícia de que “três continentes estão a ser assolados por violentas tempestades; milhões de francos de prejuízo e várias vítimas em França; foram arrasados os arredores de uma cidade no norte da Itália; a trágica ameaça de inundações que ocorreram em 1948 está a repetir-se na Colúmbia britânica” e a 20 de junho, dava-se á estampa a impressionante notícia de que se tinham
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------pag7 verificado 130 mortes de habitantes na região de Darjeeling, Bengala ocidental, em função de desprendimentos de terras devidos às chuvas torrenciais.
Não obstante publicação, a 26 de junho, de que “Tropas da Coreia do Norte invadiram a Coreia do sul”, facto que, tendo sido o início visível da Guerra da Coreia, alimentou os noticiários dos dois matutinos analisados com vasto caudal noticioso até ao início de 1951, continuou a aparecerem muitas referências a episódios meteorológico mais ou menos intensos.
III. Síntese Conclusiva
O Homem teve sempre uma íntima ligação aos diversos fenómenos meteorológicos, não apenas porque a sua segurança, atividade e conforto são função direta deles, mas, também, porque o troante fogo celeste ou os grandes caudais de água e vento remetem os humanos, temerosos do que desconhecem, para patamares pontuados por diversos teísmos.
Não é de admirar que as sociedades humanas tenham vindo a prestar crescente atenção aos noticiários relacionados com a meteorologia, nomeadamente no referencial das previsões, até porque algumas atividades económicas carecem desse prévio e vital conhecimento.
Contudo, o presente artigo tem outro objetivo: analisar, embora sinteticamente, a qualidade e a quantidade informativa difundida nos meios de comunicação social de massas, que, na atualidade, está quase sempre focada no estabelecimento de correlações com as alterações climáticas antropogénicas.
Admite-se, como muito provável, que perante notícias relacionadas com mais um ciclone (furacão, tempestade tropical, ou congéneres) ou com uma inundação violenta, os espectadores dos canais televisivos estabeleçam imediata e subconscientemente uma ligação às mudanças de clima de raiz antropogénica, até porque isso é quase sempre sublinhado. É, também, verosímil considerar que as pessoas em geral concluam que “há cada vez mais e piores eventos meteorológicos”, esquecendo, até porque deles não têm memória, os que ocorriam há setenta anos.
Contudo, poder-se-á constatar, pelo registo feito, que, em 1950, o número e a intensidade de fenómenos meteorológicos em Portugal e no mundo, foram muito significativos: várias dezenas de acontecimentos problemáticos e extremos. Não se 
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pag8 poderá, é certo, dizer se foram em maior ou menor número do que os que ocorreram em 2018, p.ex., nem se pode fazer uma comparação direta e segura das respetivas intensidades. Mas, quanto a muitos deles, apesar de não terem merecido mais do que algumas linhas no interior dos jornais, percebe-se terem significado graves impactes para as populações e territórios.
Não haverá dúvida de que determinadas cheias ou ciclones ocorridos em 1950 afetariam, no presente, um muito maior número de pessoas e infraestruturas, quanto mais não fosse devido ao aumento das densidades populacionais em determinadas zonas costeiras (e não só). E, também, salienta-se, porque os aumentos exponenciais das áreas impermeabilizadas devido à explosiva urbanização facilitam muito os caudais que acorrem às zonas baixas. O problema está no solo e não no ar.
Sublinhar que o ano de 1950 se situou em pleno num período de cerca de trinta e cinco anos (1940 a 1975) durante o qual se registou uma descida da temperatura media global, depois de ter havido um crescimento desde o início do século XX. Os modelos climáticos não têm resposta credível para este facto, até porque não seria crível que tivesse havido uma descida nas emissões de CO2 antropogénico nesse período.
Um fator decisivo para a perceção da realidade por parte dos atuais consumidores de notícias, quando comparada com a situação de há umas décadas atrás, está no facto de que, agora, qualquer episódio atmosférico mais intenso é imediatamente designado como extremo e, por isso, demonstrativo da existência de alterações climáticas, merecendo um palavroso e prolongado (horas e, por vezes, dias) tratamento mediático, com espetaculares imagens em direto, colhidas com reduzidos custos de produção, e acompanhamento de comentadores encartados como cientistas.
Parece poder-se concluir que, sem por em causa a existência de alterações no sistema climático, seria necessária uma maior prudência na disseminação de “verdades científicas” tidas como paradigmas indiscutíveis, apresentadas, bastas vezes, de uma forma simplista, pouco racional e, até, fundamentalista.
E, sobretudo, as políticas públicas, aquelas financiadas por recursos reunidos a partir dos contribuintes e dos cidadãos que pagam taxas e tarifas por serviços de interesse comum, deveriam merecer grande ponderação, evitando voluntarismos que podem vir a revelar-se graves no futuro. 


7 de outubro de 2019

O desespero de duas pequeno burguesas


«MARXISTA-LENINISTA» .           Ag.Lps.
«Corbyn, não é apenas marxista, é leninista» escreve desesperada Clara
Ferreira Alves (CFA) (1)! Calculem: «Nacionalização de todos os sectores
produtivos e de serviços essenciais e não essenciais, arregimentação das
empresas e das pessoas (???) (…), consideração do capital como um
inimigo a abater, ilegalização de todas as decisões económicas que
desagradem ao Estado. (…). Aumentos dos salários dos trabalhadores,
subsídios para todos incluindo os mais jovens apenas por serem jovens,
semana de 32 horas, abolição do ensino particular e “elitista”,
nacionalizações compulsivas (???), um Serviço Nacional de Saúde com
medicamentos gratuitos mediante a obrigatoriedade de todas as
farmacêuticas produzirem medicamentos baratos, monopólio orwelliano
dos sectores intelectuais e científicos, abolição de todas as
desigualdades. Ou seja, do rígido sistema de classes britânico.» Quem
diria! Desculpe-se a dimensão da citação com a explosão maximalista e
especulativa da expressividade verbal de CFA. Mas tinha de ser. É assim
mais fácil desculpar CFA por ter acreditado em Teresa de Sousa (TS) e nos
jornais que porfiaram, durante meses/anos, no apoucamento pessoal e
político de Corbyn, e do seu apoio no Labour. Valeu a pena CFA ter
assistido ao Congresso para, em absoluta contradição com aquelas
opiniões, reconhecer que: «Corbyn (…) é um homem astuto, capaz de
falar horas sem teleponto, com os factos e os números na cabeça, com
uma inteligência política fora o comum (…)

5 de outubro de 2019

A guerra das criptomoedas

Le vif du sujet derrière la Libra de Facebook

Le destin de ceux qui font preuve d’arrogance est de devoir en rabattre comme l’a reconnu Tim Cook, le PDG d’Apple qui se pose en médiateur entre les GAFAM et les États. Facebook est désormais dans la ligne de mire de ces derniers et accumule les mises en cause. Mais cela va bien plus loin.
L’entreprise est même menacée de démantèlement par Elizabeth Warren aux États-Unis, s’attirant comme réplique de Mark Zuckerberg qu’il ira devant les tribunaux pour l’en empêcher. Les enquêtes antitrust et portant sur la gestion des données personnelles se multiplient dans les États américains. Ses techniques d’optimisation fiscale ont suscité de fortes réactions gouvernementales en Europe et, dernière mise en cause après la reconnaissance du droit à l’oubli, la Cour de justice européenne l’épingle pour sa complaisance envers les propos injurieux.
L’annonce du lancement en 2020 de la Libra, son projet de monnaie numérique, a fait déborder le vase

Milhões sairam do subdesenvolvimento

En vingt ans, 700 millions de personnes ont été extraites de la pauvreté.
La République Populaire de Chine fête son 70ème anniversaire.
Ce qu’est la Chine d’aujourd’hui, le public français l’ignore à 95 %. Les 5% qui restent sont essentiellement des diplomates, industriels, banquiers, militaires qui veulent savoir à qui ils ont affaire et qui, pour cela, ne se renseignent pas en lisant le Monde, Libération, Télérama, le Point, l’Express, l’Obs...
Les USA ont désigné la Chine comme leur ennemie. Mais elle n’est pas l’ennemie de la France. Il importe au contraire que nos rapports soient plus amicaux et ils ne peuvent l’être que si nous disons basta aux caricatures agressives.
Merci à Bruno Guigue pour cet article documenté qui ne conteste pas les défauts de l’Empire du milieu, mais qui en révèle aussi les spectaculaires réussites .
Maxime VIVAS

Branqueamento dos colonizadores

Manlio Dinucci
Hace 70 años, el 1º de octubre de 1949, el líder Mao Zedong proclamaba, desde la puerta de ‎Tiananmén, el nacimiento de la República Popular China, que acaba de celebrar ese aniversario ‎con un gran desfile militar ante ese histórico lugar. En Europa, Japón y Estados Unidos, los ‎grandes medios de difusión presentan ese desfile como la ostentación de fuerza militar de una ‎potencia amenazante. Prácticamente nadie se interesa por recordar los dramáticos momentos de ‎la historia que condujeron al nacimiento de la Nueva China. ‎
Así que nadie menciona la China que se vio reducida al estado de colonia o de semicolonia, que ‎desde mediados del siglo XIX fue explotada y desmembrada por las potencias europeas (Reino ‎Unido, Alemania, Francia, Bélgica, Austria e Italia), por la Rusia de los zares, por el Japón imperial ‎y por Estados Unidos. ‎

4 de outubro de 2019

Alterações na estratégia politico-militar mundial - 1

Dois acontecimentos recentes evidenciam o fracasso militar dos EUA e aliados. A sua vergonhosa arrogância de “senhores do mundo” teve fim após a Líbia. Agora, resta-lhes a intimidação, as sanções, o roubo (como o dos valores venezuelanos), líderes como os Bolsonaro, Ivan Duque (Colômbia), Orlando Hernandez (Honduras) (ambos ligados ao narcotráfico). para não falar dos Trump, Macron, Boris Johnson.

Na guerra contra o Iémen, só ao fim de cinco anos de agressões genocidas, o seráfico secretário-geral da ONU, sr. Guterres, viu que havia uma tragédia humanitária. Aliás só o fez quando era visível que a Arábia Saudita (A S) não ia ganhar a guerra. tratava-se de tentar uma saída airosa para o “ocidente”. Aliás foi sol de pouca dura, os EUA não querem conversações de paz e obedientemente o sr. Guterres, voltou-se para as alterações climáticas e o “inimigo público nº1” o CO2.
 
Depois da Síria, os acontecimentos no Iémen colocam as forças NATO e aliados em cheque: o exército iemenita e os Houthis infligiram golpes devastadores à credibilidade dos sistemas de defesa dos EUA e das forças armadas sauditas.
 
Em agosto, atingiram instalações de petróleo da Aramco, a 1 200 km do território iemenita, reduzindo a metade a produção de petróleo da Arábia Saudita por um período de tempo que a Aramco ainda não determinou. Este ataque revelou um elevado nível de penetração na A S, conseguindo realizar reconhecimento interno com a ajuda de infiltrados e colaboradores locais, bem como as suas capacidades técnicas empregando drones de vários tipos, bem como guerra eletrónica para cegar os radares do sistema Patriot dos EUA-
 
Agora, em 28 de setembro, os Houthis e o exército iemenita realizaram um ataque convencional com duração de três dias, iniciado dentro das fronteiras do Iémen. Operação que envolveu importante recolha de informações e planeamento operacional. As forças da A S foram atraídas para posições vulneráveis e, através de um movimento de cerco empurrados para a A S sendo cercada a cidade de Najran e seus arredores. Três brigadas sauditas com efetivos da ordem dos milhares, incluindo dezenas de oficiais superiores, além de inúmeros veículos de combate, foram eliminadas.
 
Nesta operação misseis do Iémen, atingiram o aeroporto de Jizan paralisando qualquer movimento de e para o aeroporto, inclusive negando a possibilidade de apoio aéreo às tropas cercadas. O aeroporto King Khalid, em Riad, foi também atingido forçando os helicópteros Apache, a deixar a área. Bases militares próximas também foram alvejadas, a fim de impedir reforços e interromper a cadeia de comando. Isso levou as forças sauditas a fugir em desorganização.
Dezenas de veículos blindados sauditas foram atacados por mísseis houthis, juntamente com outras armas. Imagens mostraram fileiras de prisioneiros sauditas caminhando em direção a campos de prisioneiros.

3 de outubro de 2019

Banca americana ligada à maquina

A FED continua a injectar liquidez no mercado dos  REPOS e há quem se interrogue se isto não é para eternizar num quadro que já se chama de capitalismo assistido.
Repo. Repurchase Agreements (Repos): Os Repos são acordos de recompra, pelos quais uma das partes, que detém em carteira determinados títulos (eg, obrigações), concorda vender esses títulos à outra parte e recomprá-los numa data futura, a um preço ligeiramente superior. A diferença entre o preço de recompra e o preço de venda, constitui o juro da operação. Os Repos constituem, assim, uma importante fonte de financiamento para as instituições financeiras, uma vez que, estruturados de forma apropriada, estes acordos apresentam um baixo risco de crédito
Recorde se que em 18 de Setembro a liquidez desse mercado "secou" o que levou a taxa de juro em alguns empréstimos noturnos (de um dia para o outro) para os 10%, mais de quatro vezes superior ao intervalo dos juros diretores (atualmente nos 2% a 2,25%). Estes juros diretores da Fed servem para influenciar os juros praticados nos mercados financeiros dos EUA.

Esse episódio forçou a Reserva Federal a fazer uma injeção de liquidez de emergência de mais de 50 mil milhões de dólares para evitar que os custos de financiamento aumentassem ainda mais, o que não acontecia há mais de uma década , mas quando se dizia  que tinha sido apenas um episódio o que se vê agora é que estas injecções continuam...