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5 de outubro de 2026

A programada guerra com a Rússia - 2

 A Europa acumulou erros nas suas políticas em relação à Rússia com o objetivo de a controlar e aos seus recursos. As lideranças assumiram que as suas "armas maravilha" e as sanções levariam a Rússia ao colapso. Falharam, entrando em histeria belicista, quando até na Casa Branca perceberam o absurdo destas "estratégias". Na Europa não entendem que em termos estratégicos a logística vale mais que as táticas, a política e as relações externas mais que as máscaras ideológicas.

Para pessoas sensatas a guerra é a última opção a considerar. Na Europa nem sequer são tentadas outras opções. Os países afundam-se em estagnação económica há décadas, endividamento, crise social, protestos e contestação às consequências das políticas praticadas, no entanto as lideranças só pensam em guerra. Bruxelas limita-se a exercer o poder burocrático instituído e inconsequência verbal. A Europa é efetivamente dirigida por Berlim, Paris, Londres, querendo que os países adotem uma economia de guerra, gastando até 5% do PIB, de acordo com os objetivos do Império.

A Europa está longe de ter um comando militar unificado, de dominar as novas formas de guerra, com drones e mísseis hipersónicos e sem capacidade para uma guerra de atrito diretamente com a Rússia. Não dispõe de matérias-primas, os circuitos logísticos ou já foram perdidos ou implicam um pesado esforço de guerra só para os manter. 

 Além disto os custos atuais do armamento que a Europa tem de comprar aos EUA são incomportáveis. Um Tomahawk, custa 4 milhões de dólares; THAAD, 15 milhões; Patriot, 4 milhões. A guerra com o Irão levou ao esgotamento de estoques destes equipamentos, que prevendo-se 2 a 3 anos para os repor.

Não deixa de ser curioso que quanto mais belicistas menos capacidade têm para desenvolver uma guerra do ponto de vista financeiro e de potencial militar. É o caso dos Bálticos e da Polónia, cujo Ministro das Relações Exteriores, Sikorsky, declarou que "se a Rússia atacar a Polónia, venceríamos rapidamente". "Os polacos têm uma vantagem significativa sobre a Rússia na área da aviação. Poderia destruir as refinarias russas em 5 ou 6 dias" (?!) e pediu aos países da NATO para realizarem exercícios perto das fronteiras russas, tão grandes e agressivos que Moscovo não pudesse ter certeza das intenções da aliança.

Perante declarações deste tipo e uma guerra marcada para 2030 em resposta à Polónia, Patrushev (ex-KGB, atual diretor do Serviço Federal de Segurança) disse que se a Polónia entrasse em guerra contra a Rússia, Moscovo usaria todo o seu arsenal e o Estado polaco deixaria de existir em dois ou três dias.

Lavrov, advertiu: “Gostaria de salientar que não temos interesse em atacar a Europa, mas se a Europa, que fala diariamente em se preparar para uma guerra contra a Rússia, atacar, será uma guerra completamente diferente e muito curta”. 

Concretamente o que prova que a Rússia queira invadir ou atacar a Europa? Nada é apresentado, a questão aparece como dogma a que nos devemos ater. Afirma Putin: "Não estamos planeando atacar ninguém nem em 2029, nem em 2030, nem em 2050. A Rússia "não está intimidando ninguém", está respondendo à intimidação da NATO. Se enfrentarmos agressão, seremos forçados a responder (...) a questão de usar todos os meios disponíveis da Rússia surgirá inevitável e imediatamente".

Sem comentários (?!), Rutte confirmou ter recebido da Rússia o aviso que usaria todo o seu arsenal, incluindo armas nucleares, caso a NATO tentasse impor um bloqueio aéreo ou marítimo a Kaliningrado - algo que os "estrategas" há muito consideram.

Quão perto estamos de uma guerra nuclear? Durante a Guerra Fria, tanto no Leste quanto no Oeste as populações estavam conscientes da destruição universal que enfrentavam. Essa consciência parece ter-se desvanecido. A guerra nuclear é uma questão que a propaganda tem omitido. Os propagandistas têm dificuldade em lidar com factos ou conceitos que destroem as narrativas. Depois de todos os dias propalarem derrotas russas, realidade bate-lhes à porta: destruição mútua ou tratado de paz detalhado e de extensa cobertura.

Uma análise do portal chinês Sohu, refere que na Europa, os ataques nucleares de ambos os lados resultariam apenas nas primeiras horas a 34 milhões de mortes e 60 milhões afetados. A maior parte da Europa ficaria completamente destruída.

Perante isto, qualquer pessoa sensata pode ver que é necessário e urgente parar a guerra na Ucrânia, nem a Rússia será vencida nem o poder no Kremlin será substituído por um Ieltsin.

Quando na Europa dizem "apoiar a Ucrânia" leia-se: pagar a guerra na Ucrânia, uma guerra que custa cerca de 200 milhões de euros por dia, não incluindo as destruições resultantes dos bombardeamentos.

A solução é negociar um tratado de segurança mútua, pois ninguém vai invadir ninguém. Não há condições para isso, seriam necessários milhões de efetivos, não há apoio social e é proibitivo em termos de custo.

Na Europa, apesar da intensa propaganda belicista as manifestações contra a guerra sucedem-se, partidos que adotam - com sinceridade ou não - posições de negociação e paz aumentam a sua votação.

A Rússia não promove uma guerra contra a Europa: não tem condições nem económicas nem quanto a potencial de mobilização. Claro que armas mais avançadas superam a sua inferioridade numérica, mas isso só lhe dá vantagem na defesa (1). Infraestruturas europeias estariam expostas a ataques de mísseis balísticos convencionais e drones Geran-5, com defesas extremamente limitadas ou nenhuma defesa no caso do míssil Oreshnik.

1 - O potencial bélico da Rússia foi descrito em "Putin só conhece a linguagem da força...", aqui e aqui.



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