Não exageremos... Analistas dizem que "se as elites ouvirem a rua e voltarem a dar prioridade à educação, aos serviços públicos e à justiça económica, esta crise poderá tornar-se uma oportunidade para reformar o projeto europeu."
Ora aqui está a solução! Reformas - mas eles conhecem outra coisa? - para manter o projeto europeu, desde o início colonialista/neocolonial e ultraliberal. É isto que os deixa saudosos e ver se novamente lá chegam... "reformando". Em resumo, uma oportunidade para "mudar alguma coisa e ficar tudo na mesma". Falam em "se", mas fogem ao "como"! E socialismo? Nem pensar!
O socialismo é um avanço em relação ao capitalismo, tão evidente que na Europa, houve progresso social quando era praticado algum keynesianismo e medidas sob a pressão sindical motivada pela esquerda, que hoje, para aterrorizar a opinião pública, se chama de "radical" - e assim será quando vai ás suas raízes e não é oportunista.
Porém, em capitalismo mesmo quando devido à sua luta o proletariado melhora as condições de vida a (sua) insegurança aumenta (Engels), porém independentemente disto, aumenta a pobreza relativa - a maior parte da riqueza é absorvida pelo grande capital. Com o liberalismo, mais de 90% como tem sido documentado.
Mas há riscos, que preocupam analistas: "políticos agarrarem-se ao poder sem apresentar um resposta convincente transformando uma crise governamental, numa crise do próprio sistema político." É espantoso como queiram ver nas crises em que a Europa se afunda... apenas crises governamentais, não do sistema do "projeto europeu".
Sondagens mostravam - antes dos atuais protestos - que mais de 80% dos franceses estavam pessimistas em relação ao futuro, e à situação económica. Merz é profundamente impopular. The Economist, porta-voz ideológico do liberalismo, alerta sobre a ascensão dos radicais (!) e o atraso da Europa em relação ao resto do mundo. E, claro, sobre a perspetiva mais aterradora de todas: “Se os países da UE acalmarem em relação a Putin, só se tornará mais agressivo."
Mas que líderes para "reformar o projeto europeu"? Macron, um homem dos Rothschild; Merz, da BlackRock; Leyen, abafando a fraude de 40 mil milhões com a Pfizer, etc. A ponta do icebergue da corrupção entre os políticos na defesa do grande capital.
Esta gente queria que com a guerra e as sanções, manifestações em Moscovo derrubassem Putin. Têm-nas em casa, enquanto a população russa permanece tranquila e os governos europeus são incapazes de explicar por que a população sente insegurança quanto ao futuro, não por receios de "ameaças russas", mas pelas políticas seguidas, tendo cada vez mais dificuldade em fazer uma vida normal e pagar bens essenciais como alimentação, habitação, educação.
Os "valores europeus" - submetidos à especulação, agiotagem e oligopólios - evidenciam-se com cargas policiais, prisões em massa, canhões de água, gás lacrimogéneo, perante os protestos para os quais são incapazes de apresentar soluções.
Intocáveis permanecem o neoliberalismo, as privatizações, a redução de impostos ao grande capital que ia "criar riqueza, para melhor a distribuir" e que deu nisto: o investimento virou especulação, juros, lucros garantidos na produção de armamento
Como se tornou impossível esconder o estado de degradação a economia europeia chegou, com o social sofrendo direta e indiretamente cortes, alguns analistas esmeram-se a apontar estas falhas: o seu objetivo não é alterar o sistema, antes parecem querer converter a oligarquia e seus políticos ao bom senso. Mas há quem se deixe iludir com estas críticas de aparentes boas intenções.
Só falando nos maiores, a França está arruinada, a Itália falida, na Alemanha a Ministra do Trabalho, diz que "a situação orçamental da Alemanha é catastrófica", "em muitos setores tecnológicos, já não estamos em posição de liderança".
O panorama da UE é de países endividados, colapso industrial e dependência estratégica. Sectores como o automóvel, petroquímico, siderúrgico e metalúrgico estão em situação desastrosa, com muitos investidores a fugirem para os EUA e outros países.
Simplesmente, por muito que propagandistas falem sobre hipotéticas vitórias - agora mais na "estabilização da linha da frente" - não há dinheiro para a guerra, não há dinheiro para armas. É isto que "a rua" lhes está a mostrar - embora não queiram ver.
Cada milhão para a guerra na Ucrânia prosseguir (e os lucros das empresas do sector industrial militar aumentarem) é um milhão a menos para a saúde, educação, infraestruturas e nível de vida. Para os belicistas, é preço que temos de pagar para derrotar Putin...
Para o poço sem fundo que a Ucrânia é - e continuará a ser mesmo depois da paz - não chegam os 90 mil milhões acordados para 2026 e 2027. Zelensky pede agora mais 70 mil milhões, que a CE se propõem cobrir em dois terços (46,7 mil milhões). Certamente não terá acordo de todos os países, entretanto já pediu ao RU, Noruega e Canadá para aumentarem a "ajuda" à Ucrânia.
Assim vai a UE... guiada por tresloucados e oportunistas, embalada com bons conselhos de analistas, reformistas.
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