A luta popular é uma base fundamental para a mudança do sistema económico e social vigente. Sem a consciencialização da necessidade de construir alternativas consistentes ao sistema instituído, pode ser - e com probabilidade será - revertida pela oligarquia e seus agentes políticos.
"Comentadores" esforçam-se por passar para a opinião pública que se trata de manifestações ilegais organizadas por "desordeiros", escamoteando as causas e ainda mais as alternativas. São na realidade lutas plenamente justificadas. Por exemplo, os jovens licenciados ganham no início da sua vida profissional menos que há 25 ou 30 anos. É assim que funciona a "economia de mercado" em que as pessoas são também objeto de mercado. Os jovens europeus estão a compreender que o seu futuro será - já está a ser - pior que a vida de seus pais.
A luta por melhorias nas condições sociais é parte fundamental da tomada de consciência das ameaças à democracia a que a política de direita conduziu e da necessidade do retorno aos princípios do 25 de ABRIL e do seu reforço.
As medidas propostas pelo governo resumem-se a subsidiar inquilinos e dar incentivos a construtores e senhorios, deixando intactas as rendas das casas. Estão de acordo com as regras da "economia de mercado", não interferindo nos lucros, mesmo rentistas e nada alterando quanto à especulação imobiliária! As rendas permanecem descongeladas e os fundos imobiliários têm meios de não pagar impostos.
Claro que entre o anunciado e o pôr em prática vai uma grande distância como é habitual. Onde ir buscar o dinheiro? Mais dívida? Mais impostos? Mas sobre quem e sobre quê, quando a oligarquia é intocável, porque é quem controla a economia. Crescimento económico? Com o euro e as regras europeias? Com o boomerang das sanções contra a Rússia e do financiamento de uma guerra perdida e um país falido como a Ucrânia? São as narrativas de uma economia sem sentido para fingir que tudo isso vai dar certo. Uma história de fachada, tentando encobrir a dinâmica do real.
Pela UE as lutas e manifestações sucedem-se. Já não é possível esconder o fracasso das políticas europeias. Adolescentes alemães queimaram cartas de convocação militar com protestos massivos em mais de 100 cidades contra o possível retorno do serviço obrigatório.
Estudantes albaneses realizaram uma marcha de protesto até o Ministério da Educação, . exigindo melhores condições de estudo, apoio financeiro, emprego e redução das propinas. Os confrontos intensificaram-se juntando àquelas exigências protestos contra a corrupção. Esta instabilidade ameaçando as aspirações das "elites" para se juntarem à UE...
Em França milhares de presos, centenas de feridos, em manifestações contra o aumento do custo de vida, deterioração dos serviços públicos. Os organizadores afirmam que mais de 800 000 pessoas participaram por todo o país. Macron pouco mais tem a dizer do que pedir que "todos se unam contra os semeadores de caos". Ou seja, em primeiro lugar contra ele!
Na Itália, a Meloni envia soldados para reprimir tumultos em Turim, Milão, Bolonha, Roma. Os protestos incidiram contra os altos preços dos combustíveis e o aumento do custo de vida. Em Génova, manifestantes ocuparam o aeroporto durante todo o dia, em protesto contra o despedimento pela administração de uma siderurgia, que sem aviso prévio, "demitiu temporariamente" cerca de 8 000 funcionários "devido à crise". Em Nápoles, manifestantes em confronto com a polícia, indignados com o aumento dos preços e com as políticas seguidas pediram a demissão da primeira-ministra. O sul da Itália acusa escassez de bens devido aos protestos dos camionistas pelos aumentos nos preços dos combustíveis. Queixas semelhantes às dos demais países foram a causa de protestos na Grécia e em Espanha ( Barcelona e Madrid).
As palavras de Merz configuram uma derrota e as consequências de suportar o clã de Kiev - o ridículo é que se tratou de um projeto dos EUA. Merz, afirmou que a Alemanha beneficiou de produtos baratos da China, petróleo e gás baratos da Rússia e segurança fornecida pelos Estados Unidos. "Esta era, acabou". A pergunta óbvia é: quem foram os responsáveis por essa situação?
As políticas europeias fizeram com que a economia desmoronasse, agora pedem europeus que aceitem as consequências. Pode ser um colapso lento, mas é visível e não pode ser revertido sem mudanças radicais, na economia e na conceção do que é coletivo e social.
Consta que D. João II teria dito que o pai (Afonso V) lhe teria deixado apenas as estradas para passear, o resto estava nas mãos da nobreza. O neoliberalismo, nem isso, as portagens em autoestradas vão para cofres privados...
O neoliberalismo é um sistema falhado. Que alternativa, é a questão posta a todos os democratas. Uma alternativa que comece por alterar o papel do Estado, dos seus trabalhadores e dos critérios de gestão. Da apropriação pelo Estado, dos meios de produção estratégicos, colocando um fim às desigualdades económicas e ao rentismo dos oligopólios.
Tudo isto sob o lema, que também foi ouvido pela Europa: "Trabalhadores de todos os países, uni-vos!"
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