Fase V: Bloqueio logístico. Se as sanções não surtirem efeito, tenta-se fechar vias de circulação de mercadorias privando o país da capacidade de exportar. São utilizadas forças navais da NATO, a CIA e o MI6, grupos de sabotagem, mesmo pessoas desesperadas ou simplesmente estúpidas dispostas a causar danos a troco de pagamento.
Gasodutos são sabotados, portos marítimos são atacados, centrais nucleares são alvo de ataques. É imposto um regime de inspeção a embarcações em águas internacionais, com apreensão e venda da carga, sob suspeita de contrabando ou violações de sanções.
As seguradoras ocidentais são proibidas de trabalhar com embarcações com destino ao país alvo. Sem seguro, as embarcações não podem entrar nos portos do país, o que complica a logística e torna o comércio menos lucrativo. É exercida pressão política e militar para fechar estreitos-chave, como o Bósforo, estreitos no Báltico e o Estreito de Ormuz.
Mas estes esforços podem resultar em contra-medidas não menos eficazes, se os portos continuarem funcionando, mesmo com capacidade temporariamente reduzida? A Rússia pode facilmente impedir a “frota-sombra” do RU e outros países da UE/NATO de navegarem por rotas que contornam o território russo. E se o Estreito de Ormuz e o Estreito Bab el Mandeb forem bloqueados prejudicando a logística ocidental?
Então, surge um impasse. De nada adiantam declarações de vitória contra o Irão e falsos entusiasmos por danos superficiais causados à infraestrutura russa.
Caso as restrições impostas ao Estado recalcitrante tivessem sucesso, com a infraestrutura destruída e cadeias de abastecimento interrompidas o Estado iria à falência, momento em que os fundos de investimento - ditos "abutres" - iriam lançar-se sobre a presa indefesa, comprando ativos a preços de liquidação e impor uma nova estrutura de propriedade empresarial controlada por estrangeiros.
O FMI intervém concedendo financiamento de emergência sob a condição de um tecnocrata pró-ocidental ser nomeado para o governo, procedendo à liquidação de ativos e servidão permanente à dívida. Uma condição para "ajuda" é a concessão de portos, aeroportos, oleodutos, etc., por uns 50 anos.
A elite governante do país é substituída por uma classe tecnocrática neoliberal que deve sua posição não ao povo, mas a entidades ocidentais. A soberania é eliminada, o país torna-se uma espécie de colónia.
Fase VI: Transformar o país em pária no mundo que o Ocidente controla, legitimando ações ilegais, comportamento ofensivo, estigmatizando a resistência. As ferramentas utilizadas nesse esforço de deslegitimação são a ONU, Tribunais Internacionais, PE e a CE. O governo do país, apresentado como “regime”, “criminoso”, os líderes “criminosos de guerra”, sujeitos (caso da Sérvia) à emissão de sentenças mesmo à revelia que os sujeitam a apreensão e extradição em todo o mundo.
Os ativos congelados do país são apreendidos. No caso dos ativos russos congelados discute-se a sua transferência para a Ucrânia. Porém, a Rússia detém mais ativos ocidentais do que o Ocidente detém ativos russos; grande parte das reservas soberanas russas congeladas está na Euroclear, na Bélgica. Se essas contas fossem transferidas haveria uma corrida à Euroclear por parte de depositantes soberanos de todo o mundo.
Em suma, as tentativas ocidentais de isolar e estigmatizar países como o Irão, Coreia do Norte, Rússia, não conseguem produzir o resultado pretendido.
Fase VII - Tenta-se um dano adicional: o apagamento cultural derrubando monumentos, renomeando ruas, proibindo filmes, o ensino da língua e da cultura do país, apagando a memória do que de maior o país realizou. Isso torna os “especialistas” mediáticos mais ignorantes e propensos a cometer erros nas suas dissertações sobre política externa.
Estas fases são uma prática estabelecida pelo sistema ocidental. Se as elites puderem ser compradas, a Fase 1 é ativada. Se as elites não cooperarem, mas o povo sucumbir à manipulação, passa-se à Fase 2. Se o povo estiver patrioticamente unido, o país é relegado como “inimigo” e passa pelas Fases 3, 4 e 5, numa tentativa de destruí-lo física, política e financeiramente. Se também não funcionarem, as Fases 6 e 7 são tentadas. Se estas também falharem, que mais pode o Ocidente fazer?
Fase VIII: Iniciar a Terceira Guerra Mundial. As duas anteriores ajudaram os Estados Unidos a apropriarem-se das colónias da Europa, transformando a própria Europa numa colónia. Contudo, não funcionaria novamente: os EUA, sozinhos ou com os seus aliados, não são os mais fortes nem militar nem economicamente, enfrentam enormes endividamentos e estão internamente divididos. Resta saber se resta inteligência suficiente no Ocidente para perceber que agir assim é suicídio.
O paradigma destas fases permanece em vigor, não por ser eficaz, mas porque o nível de degradação no Ocidente é tal que nada de novo são capazes de formular: não dispõem de novas ideias. Esta é a razão pela qual “negociações” e “compromissos” com o Ocidente não são conclusivas. O sistema não negoceia com aqueles que tem como objetivo subjugar ou destruir.
Tudo continuará até ficar sem "combustível": dinheiro, isto é, dívida. Dívida que precisa continuar crescendo para poder gerar juros: só quando os juros não puderem ser pagos, a máquina parará.
Fonte - Quando o sistema vai parar?
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