No seu livro "A Governança da China", diz Xi Jinping: "a modernização com características chinesas é uma modernização socialista liderada pelo Partido Comunista Chinês, e não uma modernização de qualquer outro tipo."
Essa modernização é um sucesso. Tirou quase 800 milhões de chineses da pobreza. A modernização capitalista gera pobreza, quando não absoluta, relativa das massas trabalhadoras, crescentes desigualdades tanto no nível nacional quanto entre países. O histórico avanço global da China melhorou o padrão de vida, não apenas dos mais pobres, mas de todo o povo chinês, a fim de alcançar uma prosperidade comum, um passo importante na modernização ao estilo chinês. Quase metade dos pedidos de patentes no mundo são chineses, três vezes mais que os pedidos dos Estados Unidos. A China forma 1,5 milhões de engenheiros todos os anos.
A Global Times atribui as conquistas do país a uma grande diversidade de capacidades de produção local; uma maior orientação para investimentos de longo prazo; uma flexibilidade muito maior no financiamento, devido a instituições públicas financeiras, únicas. A ascensão da China transformou-a de um dos países mais pobres do mundo numa potência capaz de desafiar os Estados Unidos numa única geração. Não se trata de copiar processos, mas estuda-los e aprender com o seu exemplo é fundamental.
Diz Larry Johnson (ex-analista da CIA): A dinâmica de poder está agora do lado da China, porque não há uma única coisa que os Estados Unidos produzam que a China precise, mas existem coisas que os Estados Unidos precisam que só a China produz. Ex. terras raras.
Em África e na Ásia, a China contorna os planos ocidentais, levando a esses países um modelo de cooperação económica e desenvolvimento muito diferente do proporcionado pelo ocidente ligado aos processos do FMI e BM. A China tem uma posição importante em muitos países africanos por meio da "Iniciativa Cinturão e Rota" oferecendo às nações africanas melhores acordos de mineração e benefícios tarifários.
Na Declaração final da reunião da OCX os países condenam o ataque dos EUA ao Irão; apoiam a reforma do sistema financeiro internacional; estão empenhados em impulsionar a OCX para um papel-chave nas questões globais; refutam os dois pesos e duas medidas em relação ao terrorismo; opõem-se à interferência na soberania dos Estados e reafirmam a indivisibilidade da segurança. Recorde-se que os membros da OCX representam quase metade da população mundial e mais de um terço do PIB global.
Entre duas dúzias de documentos assinados destaca-se o que regulamenta o Centro para o Combate aos Desafios e Ameaças à Segurança dos Estados-Membros, um mecanismo para neutralizar as ingerências e guerras imperiais, com a Rússia e a China estabelecendo a construção de um novo sistema de relações internacionais.
O proposto Banco de Desenvolvimento da OCX pretende ser “o mais independente possível dos sistemas financeiros de Estados que utilizam instrumentos económicos como armas para obter vantagens unilaterais nas relações internacionais”. Quanto à questão da energia: Putin destacou a Estratégia de Cooperação Energética, que deve ser implementada nos detalhes até 2030.
O que podem fazer os EUA quanto a isto? Da UE não vale a pena falar porque é irrelevante, dadas as suas fragilidades e lideranças incompetentes. Os EUA ameaçam com sanções e aumento de tarifas, mas só se vão prejudicar e aos vassalos europeus.
Acerca da ameaça de sanções sobre os países que apoiem o Irão, a posição da China foi clara: a China opõe-se a sanções unilaterais que considera ilegais dado não terem base no direito internacional e que não sejam aprovadas pelo CS da ONU. "A China já afirmou várias vezes que se opõe firmemente às sanções unilaterais ilegais. A China tomará todas as medidas necessárias para proteger firmemente seus próprios direitos e interesses" alertando Washington para não "interferir ou perturbar" o comércio da China com o Irão.
A China amplia sua liderança em IA e controla cerca de 70% da produção global de minerais de terras raras, o que lhe dá vantagem sobre os fabricantes de chips dos EUA. Em resposta às tarifas de 10% de Trump sobre as importações chinesas, a China introduziu novos controlos sobre cinco minerais críticos
Os governos ocidentais e os EUA têm dificuldade em perceber que competir com a China é mais fácil no papel do que na prática. Os EUA estão a promover um novo bloco de comércio de minerais críticos através de subsídios, mecanismos de apoio aos preços, tarifas e compras garantidas. Uns países pretendem um quadro liderado pelo G7, os EUA acordos bilaterais. Os grupos industriais, mineiros e refinadores estão divididos sobre sobre como sistema deve funcionar e quem deve suportar os custos. Enquanto os países ocidentais debatem estas questões, a China já controla grande parte do ecossistema global de minerais críticos...
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