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24 de setembro de 2026

O que é preciso é manipular a malta! - 2

 Vivemos sem rumo certo, num oceano de propaganda. Os manipuladores ao serviço do império percebem que as pessoas podem revoltar-se se não forem doutrinadas para aceitar injustiças, desigualdades, exploração e guerras sobre as quais o império se baseia.

Na UE até os debates mascaram propaganda, eliminando tudo o que contrarie as suas posições, mesmo sem racionalidade, nas quais dum lado os bons, o que quer que façam, do outro lado os maus - desobedientes aos ditames imperiais.

Para JD Vance, questionado sobre um ataque a uma festa de casamento no Irão, que matou quatro pessoas e feriu 68: “às vezes essas coisas acontecem”. Tal como aconteceram, na morte ou ferimento de cerca de 200 crianças e professoras numa escola primária no Irão, etc.

Os bons, como o democrático clã de Kiev, que nem precisa de eleições, ou Israel, a única democracia no Médio Oriente, podem cometer em defesa da "democracia" ou "contra o terrorismo" o que pelos maus é crime de guerra, terrorismo, objeto de alargadas sanções. Compete aos manipuladores validarem o critério.

As pessoas normais usam a linguagem para comunicarem e entenderem as ideias dos outros. Os manipuladores usam a linguagem para controlar as pessoas e suas ideias. Propagandistas, determinados políticos, pessoas com certos transtornos, tornam-se manipuladores por narcisismo ou personalidade antissocial. A linguagem serve-lhes para obter apoio, dinheiro, sexo, lealdade ou submissão. Usam-na para influenciar os pensamentos que as pessoas possam ter sobre si mesmas, sobre os outros, sobre o mundo.

A manipulação só funciona se o alvo não souber que está sendo manipulado. Como são usadas as mesmas palavras, tende-se a pensar que um manipulador usa a linguagem da mesma forma e a manipulação não é percebida. Porém, se estivermos conscientes dos reais conteúdos do que é dito, a manipulação perde o papel que tem, tornando-se o mundo um lugar melhor, porque muitos dos abusos e agressões só são possíveis através da manipulação.

É por isso que os media, comentadores, algoritmos informáticos e de IA, trabalham para manipular a nossa perceção e fazer aceitar o que o império estabelece para a nossa vida política e social. Os manipuladores procuram fazer os outros conformarem-se com os seus objetivos e admitir tratamento injusto - ao próprio e a outros.

Parceiros abusivos, empregadores abusivos, membros do clero e líderes de seitas abusivos, sistemas político-económicos abusivos, governos abusivos usam a manipulação para exercer controlo e conseguir o que querem. Se as pessoas se apercebessem das formas como a manipulação afeta suas vidas e o mundo, os manipuladores dificilmente conseguiriam o que pretendem.

A melhor forma de cortar a manipulação é ignorar as palavras e observar as ações. Observe-se para onde vão os recursos, para onde vai o dinheiro, para onde vão as armas e quem continua conseguindo o que quer. Observe quem recebe os verdadeiros bens materiais e quem recebe montanhas de narrativas vazias.

Se se vê Israel perpetrando genocídio, limpeza étnica, apartheid, violências sobre gente inocente, isso já diz tudo o que precisa saber sobre sua verdadeira natureza, independentemente da verborreia lançada.

Se se veem milionários tornando-se bilionários enquanto os trabalhadores têm cada vez mais dificuldade em pagar as suas contas, isso diz tudo o que é preciso saber sobre o sistema em que se vive, independentemente do que comentadores digam sobre o capitalismo.

Observem-se os factos e os dados materiais e ignorem-se as narrativas, então as manipulações começarão a destacar-se como mancha preta em página branca. Então começamos a recuperar o que os manipuladores roubam: a verdade e o nosso livre pensamento. (1)

A manipulação segue um padrão recorrente: captar as pessoas, em particular jovens convencendo-os de que o país está dominado por gente corrupta, roubando o que devia ser para todos, impedindo que o país se desenvolva. 

A extrema-direita navega nestas águas estagnadas - pois nada pretende alterar do essencial - baseia-se no racismo e exclusão contra grupos minoritários, atacando os princípios democráticos que limitem as suas diatribes, vitaminizando-se e contra atacando se contestados. O seu padrão "justiceiro" é o prelúdio da repressão que pretende instaurar, ao serviço de quem na sombra os apoia.

A oligarquia que controla os media promove a extrema-direita centrando com as suas arruaças a desinformação sobre o essencial. Neste processo de manipulação os acusados escolhidos são desde logo tornados exemplos da "podridão do sistema", afastando qualquer ameaça à hegemonia do grande capital, escamoteando os escândalos das privatizações e consequências para o país e as pessoas.

Num período de crise capitalista, dividir as camadas proletárias e desviá-las do essencial torna-se prioridade usando a manipulação mediática. A hegemonia oligárquica é colocada a salvo de medidas que a possam ameaçar, a arruaça substitui o esclarecimento e torna mais fácil recrutar revoltados despolitizados, capazes de odiarem o que a revolução do 25 de ABRIL propunha e procurou trazer para o país e as pessoas. 

1 - Fonte, Caitlin Johstone, A linguagem da manipulação

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