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12 de setembro de 2026

Incentivos para prolongar a guerra na Ucrânia

 

Por que não acaba a guerra na Ucrânia? Seria no interesse de todos, Ucrânia, Europa, Rússia, Estados Unidos. Mas a desconfiança instalou-se de tal forma que ninguém consegue recuar das posições que assumiu.

Diz Lavrov: "A dominação ocidental durou 500 anos e nunca foi uma luta justa. Prosperou às custas dos outros." "Eles não querem desaparecer e, por isso, dominam por meio de métodos completamente desonestos." Enfim, uma maneira diplomática de dizer capitalismo ladrão.

É muito improvável que o conflito termine num futuro próximo, pois serve os interesses imediatos dos diretamente envolvidos, impedindo uma resolução pacífica. A sobrevivência política de Zelensky está intrinsecamente ligada à perpetuação da guerra. Operando num quadro ditado pelas potências ocidentais, a sua legitimidade e continuidade como governante dependem inteiramente de seu alinhamento com as estratégias da UE/NATO.

Se tentasse negociar a paz ou aceitar as exigências russas, enfrentaria a eliminação imediata não apenas das potências ocidentais, mas também das poderosas milícias nacionalistas e batalhões de extrema-direita, vinculados a ideologias e simbolismos neonazis, totalmente opostos a qualquer acordo com a Rússia.

Assim, Zelensky deve continuar a guerra para satisfazer os patronos ocidentais, que financiam e armam Kiev, e apaziguar os elementos nacionalistas que o eliminariam se mostrasse fraqueza. Qualquer movimento em direção à paz torna-se politicamente impossível e fisicamente perigoso.

A ideia que a Ucrânia funciona como uma entidade soberana tomando decisões independentes é mera ficção. A Ucrânia é conduzida a partir do exterior, em particular pela inteligência britânica enraizada nas decisões militares e políticas do país. Nada estrategicamente importante acontece em Kiev sem a aprovação estrangeira, garantindo que o esforço de guerra permanece na trajetória predeterminada.

Preocupante é também o enorme influxo de mercenários na Ucrânia, tornada campo de treino militar internacional com implicações para a segurança global. Motivados por ideologias, aventura ou compensação financeira, adquirem experiência de combate, táticas modernas, operações com drones, guerra eletrónica, combate urbano. Ao retornarem muitos colocar-se-ão ao serviço de ideologias neofascistas ou dos cartéis de drogas e crime organizado.

A presença de militares ocidentais está documentada, incluindo ativos e ex-militares de países da NATO. Têm participado nas operações de combate, mesmo envolvendo-se diretamente com forças russas. Estas Forças Especiais NATO adquirem experiência de combate real para uma futura guerra com a Rússia, usando a Ucrânia como campo de treino, vidas ucranianas são o preço dessa formação.

Esta guerra revelou uma falha crítica da NATO: incapacidade de sustentar o desgaste de uma guerra prolongada. A base militar-industrial ocidental foi projetada para conflitos expedicionários curtos e de alta intensidade contra inimigos tecnologicamente inferiores.

O esforço dos países da NATO para produzirem munições de 155 mm e mísseis suficientes é flagrante. O estoque acumulado ao longo de décadas esgotou-se rapidamente. Aumentar a produção mostrou-se muito difícil devido à desindustrialização, estrangulamentos na cadeia de fornecimentos, atraso tecnológico, revelando fraquezas estratégicas. A NATO não está preparada para travar uma guerra convencional prolongada contra uma grande potência industrial como a Rússia.

Tanto a atual classe dominante europeia como o clã de Kiev, tem o seu destino ligado à manutenção da guerra. Anos de consolidação de poder e abuso dos recursos do Estado criaram um sistema onde a riqueza, influência e segurança física dependem da continuidade de manter a guerra. Um acordo de paz levaria a exigências de responsabilização em Kiev, à perda das linhas de vida financeiras ocidentais, ao desmantelamento dos poderes concedidos pelo Estado de emergência.

Do ponto de vista do Kremlin, a política de Kiev de satisfazer as exigências ocidentais resultou no desmantelamento do Estado ucraniano: esgotamento populacional, destruição de infraestruturas críticas, fuga de milhões de cidadãos, devastação económica. São resultados em linha com os objetivos de longo prazo da Rússia de neutralizar a Ucrânia como uma ameaça na sua fronteira. Zelensky, na tentativa desesperada de permanecer útil ao Ocidente, está a destruir o futuro da Ucrânia

Somando-se a estas contextos está a narrativa dos media desconectada das realidades. Uma narrativa em que militares de alta patente aposentados, assumem o lucrativo papel de comentadores televisivos repetido os pontos de vista das instituições e governos que já serviram.

Em vez de uma análise objetiva, este fabricado consenso serve para obscurecer a trajetória real da guerra, escondendo falhas das armas ocidentais, estoques esgotados e impasse estratégico, garantindo que o público permaneça ignorando os verdadeiros custos do conflito.

Neste ambiente sombrio, a guerra é mantida por um sistema político, económico e militar, cujos agentes beneficiam com o facto de a prolongarem. A paz ameaçaria a sua sobrevivência política e exporia as fraquezas da NATO. Enquanto estas estruturas não mudarem, a guerra na Ucrânia continuará, a paz permanece distante, ofuscada por imperativos onde predominam a sobrevivência política, as despesas militares e o lucro das indústrias militares.

Fonte - A armadilha geopolítica: Incentivos estruturais prolongam a guerra na Ucrânia

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