Um escândalo que o actual PR levantou em campanha eleitoral e agora parece que deixou , convenientemente , cair: 225 milhões
Publico : A banca não foi condenada pelas trocas de informações sobre as práticas de crédito durante mais de uma década. Não houve decisão final por causa da prescrição dos factos. Mas o governador do Banco de Portugal (BdP), Álvaro Santos Pereira, admite que é preocupante o que se passou.
“As conclusões da Autoridade da Concorrência [AdC] e dos tribunais descrevem comportamentos que só podemos censurar e tudo fazer para que não se repitam”, declarou ontem Santos Pereira na audição da Comissão Parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública.
Foram palavras ditas no conjunto das audições que o Parlamento realizou por causa do caso que ficou conhecido como “cartel da banca”, depois de terem sido chamados os banqueiros (que defenderam a respectiva actuação, mas admitindo que hoje em dia as trocas de dados sobre créditos não seriam possíveis) e entidades como a AdC.
Esta entidade tinha aplicado coimas no valor somado de 225 milhões de euros a quase todos os bancos em Portugal, com Caixa Geral de Depósitos e Banco Comercial Português em destaque, mas, após a demora na investigação e os recursos dos bancos, o caso acabou prescrito no Tribunal da Relação de Lisboa.
O Tribunal da Concorrência, Regulação e Supervisão, de primeira instância, tinha alinhado totalmente com a AdC, apoiado pelas considerações vindas do Tribunal de Justiça da União Europeia. Porém, o caso depois não passou na Relação de Lisboa devido às prescrições — e o Tribunal Constitucional não aceitou a contestação da AdC quanto a esse tema. O caso foi arquivado, as coimas não foram aplicadas (tirando os mil euros aplicados ao Banif, que não recorreu para os tribunais).
O PCP tem uma proposta em cima da mesa para impedir que a prescrição se aplique a outros casos da Concorrência contra grandes empresas, como protagonistas do retalho ou da energia, a braços com coimas elevadas que contestaram nos tribunais. A discussão é no dia 17 de Abril.
Ontem, Santos Pereira referiu, ainda assim, que é mais difícil que se repita algo deste género. “O contexto de regulação e supervisão é hoje muito diferente do que vivíamos há 20 anos, e reduz a probabilidade da ocorrência de situações similares, mas isso não nos pode deixar satisfeitos ou complacentes.”
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