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10 de abril de 2026

Como vai continuar a guerra no Médio Oriente

 As parte envolvidas têm os seguintes objetivos:

- Israel quer a destruição permanente do Irão. A guerra deve durar até que o Irão se renda, qualquer cessar-fogo deve ser inteiramente vantajoso para Israel. O exército dos EUA deve permanecer comprometido até o fim. Todas as outras ameaças regionais potenciais devem ser neutralizadas.

- O Irão quer um fim real dos ataques israelitas e americanos. Retirada militar dos EUA do Médio Oriente. Controlo permanente iraniano do Estreito de Ormuz. Um cessar-fogo que Israel não pode quebrar. Os objetivos adicionais do Irão, como reparações e alívio de sanções, podem ser negociáveis.

- Os Estados Unidos são menos claros em seus objetivos. Os neoconservadores querem quebrar o Irão para garantir o controle de todo o petróleo do Oriente Médio. Sionistas, querem prosseguir até ao "fim dos tempos" fantasiados.

A maioria dos militares e profissionais da inteligência querem evitar uma derrota que acabaria com o Império. Trump, quer: Enriquecer e à família. Não ser exposto aos arquivos Epstein. Não ser rotulado como um perdedor.

- Para que a guerra termine, todas as partes devem parar de lutar. Concretamente: O Irão deve alcançar todos os seus objetivos antes de parar. Israel precisa que o Irão seja completamente derrotado. Isto é os combates continuarão até que um desses países colapse. Ou o Irão perde a capacidade de lutar e rende-se ou Israel colapsa como Estado e uma Palestina surja do que resta.

Se Israel está a caminho de perder o que tem de fazer para sobreviver? Primeiro, os Estados Unidos devem permanecer comprometidos até ao fim. Israel terá que mantê-los na guerra até que o fim da mesma seja decidido. É a única esperança de Israel.

Segundo, Israel deve manter o Estado israelita intacto. Não é difícil imaginar um Israel com uma população em fuga. Uma proposta para serem adquiridas ilhas gregas como local de evacuação gerou debate em Telavive.

Segundo o The Forward, uma publicação judaica independente, mais de 25% dos israelitas queriam deixar Israel em abril de 2025. São dois milhões de pessoas. Qual será o número agora?

Um Israel sem israelitas não é mais Israel. É uma Palestina: multiétnica, diversa e secular. Não há garantia de que a região se estabilize, mas será diferente e não genocida. O facto de Israel precisar de Trump prende-o numa armadilha. Pode desistir sem invadir o Irão e perder  o Golfo como domínio americano; ou invadi-lo, como Israel quer, e enfrentar um desastre certo.

Se Trump o tentar, corpos americanos voltarão em caixões. Deixando de lado sionistas e neoconservadores como Lindsey Graham, nenhum americano quer isso. O preço a pagar será o fim de sua presidência e talvez até da sua vida. Trump procura uma saída.

Trump pode não ter escolha. Primeiro, há o dinheiro sionista que o financiou e quer o que comprou: a defesa incondicional de Israel. Se necessário através da chantagem. Trump foi o melhor amigo de Epstein durante anos, as propriedades de Epstein estavam saturadas de câmaras de vídeo. Epstein claramente trabalhava para Israel.

Esta armadilha, explica o comportamento errático de Trump. Ele fica tão assustado que perde a cabeça. Seja o que for que escolha, perde. Se Trump ordenar um ataque terrestre o aparelho de segurança americano tem a última palavra e o Estado Profundo pode fazê-lo renunciar. Trump enfrenta de ambos os blocos ameaças de aplicação da 25ª Emenda ou um atentado.

Israel cairá quando seus mísseis estiverem esgotados. Se o Irão resistir até lá, Israel, corre o risco de ser derrotado, e não é mais Israel. Então, Israel lançará um ataque nuclear, dez ou quinze ataques destinados a forçar a paz nos termos de Israel. O Irão, inflexível, construirá suas próprias armas nucleares se ainda não o fez. Tem urânio suficiente para fabricar dez ou onze bombas em semanas. O contra-ataque iraniano matará Israel como Estado. A terra permanecerá, envenenada. O Estado vai desaparecer.

Então, Estados Unidos, Rússia e China vão retirar-se e a diplomacia finalmente começará. Mas Israel vai executar a "opção Sansão"? Na minha entrevista com Golda Meir na BBC em 1971, perguntei: "Primeira-Ministra, quero ter a certeza que entendi o que está dizendo. Diz que, se Israel algum dia correr o risco de ser derrotado estaria pronto para levar a região e até o mundo inteiro junto?" De imediato respondeu: "Sim, é exatamente isso que estou dizendo."

No início do pânico do lado israelense durante a guerra de 1973 (Yom Kippur), dois mísseis israelitas foram armados com ogivas nucleares. Os alvos eram Cairo e Damasco.

Nenhum de nós quer isto. Mas uma análise imparcial das possibilidades mostra que não estão a nosso favor, nem a favor dos EUA ou do mundo. Então, permitam-me terminar com um desejo: Que o que acabei de escrever não se torne verdade.

Fonte - Thomas Neuburger Como tudo isso vai acabar?

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