Maj. Gen. Raul Luís Cunha A propósito de mais um aniversário.
Como se celebra mais um aniversário da miserável farsa
sobre o sucedido em Bucha, aqui reponho o texto que apresentei no ano
passado:
"Sobre Bucha
Sobre uma produção sangrenta. Uma completa farsa global:
Aproxima-se
mais um aniversário desta deplorável encenação. Já abordei este tópico
muitas vezes e a vários níveis – redes sociais, imprensa, televisão,
blogues, canais do YouTube, etc., mas, infelizmente, não tenho tido
grande recetividade. Também, as lideranças de alguns países continuam a
falar sobre isto, sendo que o assunto continua a ser discutido
regularmente em certos fóruns estrangeiros, incluindo no seio de
organizações internacionais, mas sempre de forma muito pouco incisiva.
Um
dia após terminarem as negociações para o acordo de Istambul, em 30 de
março de 2022 e como prova de boa vontade, a Rússia mandou retirar
completamente as suas tropas de Bucha e ao redor de Kiev pois,
eventualmente, pensava que os seus objetivos, com essa ocupação, já
tinham sido conseguidos.
Segundo o Ministério da
Defesa da Rússia, durante todo o tempo em que a cidade esteve sob o
controlo das forças armadas russas, nenhum morador local sofreu qualquer
ação violenta e os militares russos entregaram e distribuíram cerca de
450 toneladas de ajuda humanitária a civis, só na região de Kiev.
Enquanto a cidade esteve sob esse controlo, os moradores puderam
deslocar-se livremente pela mesma e usar os seus telefones celulares. As
saídas de Bucha não foram bloqueadas e todos os moradores locais
tiveram liberdade para deixar a cidade na direção norte, incluindo para a
República da Bielorrússia. Durante esse tempo, os arredores ao sul da
cidade, incluindo as áreas residenciais, foram bombardeados 24 horas por
dia pelas tropas ucranianas com artilharia de grande calibre, carros de
combate e vários sistemas de lança-foguetes múltiplos.
Quatro
dias depois da retirada, e somente em Bucha, a BBC foi lá filmar e
encontrou então uma série de corpos alinhadinhos ao longo de uma, agora
célebre, rua. Alguns dos cadáveres estavam de mãos atadas e uma grande
parte exibia um laço de pano branco num dos braços (sinal inequívoco de
afinidade com os russos). Pouco depois, foi também revelada a descoberta
de um certo número de cadáveres em sacos de plástico e enterrados numa
vala comum no terreno de uma igreja local.
Ainda me
recordo de, no dia seguinte à retirada russa de Bucha, o “mayor” da
localidade, Anatoliy Fedoruk, ter publicado um vídeo onde, com um
sorriso nos lábios, dizia que estava tudo em ordem, que a povoação tinha
sido libertada, que não havia militares russos na cidade e que assim a
situação já estava normalizada, isto sem mencionar mais nada de relevo.
Também
me recordo e este facto também está registado, de um vídeo do dia
seguinte em que as forças especiais da polícia ucraniana, constituídas
por elementos do regimento “azov”, anunciaram a intenção de irem passar
em “revista” a localidade para verificar se existiriam ainda alguns
colaboradores do inimigo.
Curiosamente, é no dia
seguinte à intervenção da polícia especial ucraniana que aparecem os
tais corpos na rua e, infelizmente para os autores da farsa, algum tempo
depois aparece um vídeo feito por um dos “artistas” onde é documentado
todo o processo de montagem do cenário, de forma a facilitar as
posteriores filmagens pelos media (o qual, se bem que tudo tenha sido
dirigido, com polícias a puxarem com cordas os corpos para os locais
onde foram depois visionados, acabou por indiciar a tal encenação que
qualquer observador, com experiência em situações idênticas, pode
constatar, dada a desajustada naturalidade da distribuição e posições
dos corpos).
Também é bastante significativo que
todos os corpos das pessoas, cujas imagens foram publicadas pelo regime
de Kiev, não estivessem endurecidos após cerca de pelo menos quatro
dias, não tivessem manchas típicas de cadáver e que os ferimentos ainda
contivessem indícios de sangue não coagulado. Tudo isso confirma de
forma conclusiva que as fotos e imagens de vídeo de Bucha foram mais uma
produção do regime de Kiev para os media ocidentais, como foi o caso da
maternidade em Mariupol, bem como em outras cidades.
Nunca
houve uma investigação imparcial, nunca se soube o nome daqueles
mortos. Ainda se tentou dar mais alguma cobertura oficial às acusações
de massacre, mas a exploração mediática acabou por esmorecer porque as
investigações forenses, nos corpos encontrados na vala comum, revelaram
como causa das mortes os bombardeamentos de artilharia sobre a
localidade, que só foram feitos pelas forças ucranianas e, para mais, as
“flechettes” encontradas nos corpos, só existiam nas munições
ocidentais usadas pelos ucranianos. Sobre a forma como terão morrido as
pessoas cujos corpos foram encontrados na rua, nenhuma informação veio a
público, o que é de certo modo muito estranho dado o possível impacto
no acentuar da vileza dos eventuais autores do “massacre”!
O
dia 3 de abril marca assim três anos desde a produção encomendada e
pré-orquestrada, que o regime de Zelensky e os seus patronos ocidentais
encenaram na aldeia de Bucha, região de Kiev. O que aconteceu logo em
seguida foi que, com este alegado “massacre”, começou a gritaria anti
russa e a consequente propaganda acelerou ainda mais, acusando os
militares russos de toda a sorte de malfeitorias; embora seja bem sabido
que o desprezo pelo seu semelhante seja muito mais característico
daqueles que, tais como os “azov”, se julgam uma raça superior. A partir
daqui, foi rapidamente inventada uma história sobre o suposto
assassinato em massa de moradores locais por militares russos. Apesar da
natureza obviamente encenada desta provocação, todos os meios de
comunicação social e os políticos ocidentais se apressaram a espalhar
estas mentiras.
Foi também nesta altura que o então
1º ministro inglês, Boris Johnson, foi a Kiev e convenceu o
actor-presidente a não ratificar os acordos assinados em Istambul,
porque a OTAN e os seus associados o iriam ajudar a derrotar os russos.
Foi assim também fabricado mais um pretexto para o facto de não haver
necessidade de conduzir negociações e de procurar uma saída pacífica
para a situação. Foi quando quase todos os membros da OTAN e da UE
começaram a discorrer sobre como tudo deveria ser decidido “no campo de
batalha”.
A Rússia tem, repetidamente, fornecido
refutações detalhadas desta farsa, enquanto a Ucrânia e os seus
curadores ocidentais nem sequer tentam apresentar qualquer evidência das
acusações feitas contra Moscovo. É absolutamente inaceitável que o
regime de Kiev esteja a ser tolerado nesta sua postura, por organizações
internacionais, incluindo a ONU que, de acordo com a sua Carta, está
obrigada a aderir a uma linha neutra e equidistante.
Para
conduzir uma investigação adequada, quaisquer órgãos de investigação
isentos (mesmo sendo russos) necessitariam de informações adicionais
sobre os trágicos eventos em Bucha. Sendo um facto que o regime de Kiev
tudo fez e fará para que não seja exposta mais esta sua farsa e o mundo
seja esclarecido sobre esta sua própria provocação sangrenta, desde 2022
que a Rússia apela repetidamente ao Secretariado da ONU e ao
Alto-Comissário da ONU para os Direitos Humanos, com um pedido de ajuda
para a obtenção dos dados relevantes. Essas informações adicionais são
necessárias simplesmente para estabelecer a verdade, administrar a
justiça e garantir a protecção abrangente dos direitos das vítimas da
tragédia. A mesma situação tem vindo a ocorrer com os apelos da Rússia
ao Secretariado da ONU para obter do lado ucraniano uma lista das
vítimas da provocação. Mas, durante todos estes três anos, o
Secretariado da ONU não deu qualquer resposta, o que indicia claramente
que está ao serviço dos interesses mais sombrios e que não se importa
com os danos que esta sua inação provoca na reputação da ONU.
No
início de fevereiro de 2025, durante uma reunião com representantes da
Missão Permanente Russa em Nova York, António Guterres mais uma vez
evitou prestar efectivamente qualquer assistência, afirmando que não
tinha uma lista das vítimas da tragédia de Bucha. Afinal, são às
centenas os meios de comunicação social do dito ocidente alargado que
participaram dessa produção e dessa provocação, e ele não quer ficar mal
visto pelos seus. No entanto, está a esquecer-se do posterior
julgamento pelo Altíssimo e, portanto, estou em crer que, com este
estulto comportamento, o devoto católico Guterres ainda pode acabar no
inferno."
NOTA: Para quem
eventualmente duvidar dos factos que acabei de relatar, informo que
disponho, no meu acervo, de todos os vídeos e informações que sustentam a
sua veracidade.
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