As sucessivas ameaças de Trump refletem uma maior desorientação tentando disfarçar o desacordo dos altos comandos militares nesta guerra. Acontece algo semelhante à cúpula nazi quando a derrota começava a tomar forma: demissões de generais e propaganda.
As ameaças de Trump têm graves problemas de concretização: o crescente endividamento do país, armamento extremamente caro a esgotar-se, sem capacidade de reposição ao ritmo a que é destruído. Além disto, enfrenta um Irão resiliente e determinado moral e materialmente.
O Irão dispõe de novos tipos de mísseis como ogivas múltiplas com que alvos israelitas têm sido atacados e mísseis hipersónicos. Em ambos os casos os EUA e Israel não possuem idênticos.
Ataques de mísseis iranianos em grande escala têm apenas um pequeno número de interseções, expondo os limites dos sistemas de defesa aérea israelitas apesar do seu elevado custo. Se algo está a ser levado para a "idade da pedra" são bases dos EUA que apesar de já inoperacionais continuam a ser atacadas até segundo parece serem totalmente destruídas. Locais de petróleo e gás em todo o Golfo são atingidos, agravando por anos a crise energética.
Os aviões atingidos sobre o Irão, como o "indestrutível" A-10, caças F-15, revelaram um novo sistema de defesa aérea, que conseguiu inclusivamente atingir um F-35, dito furtivo. As perdas da Força Aérea dos EUA excedem os 2 mil milhões de dólares, com custos de substituição ainda maiores. As perdas dos aviões-tanque ameaçam a operacionalidade da aviação.
Segundo fonte iraniana a produção de drones kamikaze é de 400 por dia, tendo sido utilizados em 26 dias apenas 3000.
Disfarçando reveses e ausência de estratégia foi alegado que o Irão estava a "ficar sem" mísseis, sem lançadores, etc. Há anos que o Irão tem vindo a produzir e armazenar mísseis e lançadores através de um sistema de empresas estatais, privadas, universidades e centros de investigação. Muita desta produção é realizada e armazenada em dezenas de instalações subterrâneas num total de centenas de silos (conhecem-se 25 bases, com 4–6 silos cada).
Estas instalações estão dentro de montanhas, algumas a uma profundidade de 500 m, imunes às bombas mais pesadas dos EUA como o GBU‑57, dispondo de portas blindadas maciças e rocha granítica, inacessíveis por bombardeamento. Mesmo destruindo a rede elétrica geral estas instalações podem funcionar com autonomia, dispondo de centrais de emergência, combustível e logística. Por isso, apesar das ameaças e alegações da destruição das suas capacidades, o Irão não se rende e continua a lançar ataques de retaliação.
Quanto aos mísseis pesados iranianos merecem referência o Khorramshahr 4 (alcance pode ir a 4000 km) e o Ghadr-110 que permitiu ao Hezhollah atingir Telavive pela primeira vez. O Irão é dos poucos países que possui deteção de aeronaves por infravermelhos, atuando o míssil Majid AD-08 com detonador de proximidade. Outros sistemas incluem o Herz-9, o Sayyad-1A e o Míssil 358 único no mundo que permanece no espaço à espera que os alvos apareçam.
Segundo a propaganda o Irão não tem marinha, vejamos o que sobra para afugentar navios dos EUA.
Corvetas de mísseis da classe Soleimani de 65 metros e velocidade 32 nós, manobras rápidas e características furtivas, mísseis de cruzeiro anti-navio até 300 km de alcance. A construção leve de alumínio reduz a deteção dos radares. Operando em conjunto com lanchas de ataque rápido, permitem a guerra de enxame clássica, alta velocidade e movimentos erráticos sobrecarregando as defesas inimigas, em particular no limitado espaço do Estreito de Ormuz.
Torpedos Hoot do Irão com velocidade subaquática de 360 km/h, alcance 10-13 km. Baseados em tecnologia russa/soviética reduzem drasticamente os tempos de reação das defesas. Barcos de alta velocidade com torpedos Hoot e mísseis anti-navio, estão escondidos em bases subterrâneas secretas.
Há ainda os mini-submarinos iranianos classe Ghadir dos quais o Irão colocou 20 no fundo do Estreito de Ormuz, com os motores desligados, invisíveis ao sonar e imunes à vigilância por satélite. Tripulação sete pessoas, comprimento 29 m, largura 9 m; propulsão diesel-elétrica; dois tubos de torpedo de 533 mm, mísseis anti-navio Nasr-1 e Jask-2 (alcance 300 km), permitem ataque até ao Golfo de Omã. Podem implantar quatro a oito minas em rotas de navegação.
O Estreito de Ormuz tem uma profundidade média de 36 m, muitas áreas com 20 m e apenas alguns canais de navegação com 50 a 70 m de profundidade. Um perigo para os navios dos EUA, mas não para os submarinos Ghadir - silenciosos, ágeis, adequados à guerra costeira. O Chadir pode atingir navios dos EUA, incluindo porta-aviões, e desaparecer sem deixar vestígios. Um único torpedo no casco de um porta-aviões seria catastrófico. Um Ghadir custa cerca de 20 milhões de dólares, porta-aviões classe Ford custam 13 mil milhões. Caçar um único Ghadir furtivo pode custar centenas de milhões de dólares, usando aviões de patrulha marítima P-8 , escoltas navais, helicópteros e sensores subaquáticos.
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