A arma mais poderosa do império pretensamente unipolar é a propaganda. Qualquer objetivo em que se empenhe é apresentado como um postulado - não precisa demonstração da sua validade - a partir do qual se deduzem narrativas, como Euclides a sua geometria. Os grandes media servem como global caixa de ressonância.
Se um ataque direto se prepara, durante semanas o caso é repetidamente falado sem nunca o por em causa, conformando a opinião pública com a sua inevitabilidade. Assim, o Irão foi transformado em ameaça aos EUA - mesmo à Europa! É um Estado teocrático. É um Estado terrorista, jiadista dizia um "comentador" em estilo "metralhadora falante" não permitindo a contestação - a que ninguém se atreveu! E trata mal as mulheres.
Tudo isto dá direito aos EUA a bombardearem o país e matarem indiscriminadamente civis, algo em que os EUA e Israel têm muita prática, sempre por motivos de democracia e direitos humanos.
Afinal, que países o Irão atacou sem primeiro ser atacado? As suas forças armadas "não se envolveram em quaisquer ataques, exceto em defesa". Se bombardear um Estado dito teocrático, mas onde há liberdade religiosa (judeus e cristãos) que outros países teriam de ser atacados e invadidos? E Israel que baseia a ambição de anexar territórios vizinhos em interpretações de textos bíblicos?
Que grupos terroristas são patrocinados pelo Irão? ISIS, Al-Qaeda e derivados foram criados e mantidos pelos EUA e Arábia Saudita. O Hezbollah é um movimento político armado após o massacre de Sabra e Chatila (quem se lembra?) O Hamas era um partido político dirigente em Gaza, armado para proteger a população das agressões israelitas muito antes de 7 de outubro de 2023.
Quanto à questão feminina, que moral há no ocidente onde "caso Epstein" não é único, o crime organizado procede à escravatura sexual e proliferam crimes na dita "dark web".
No Irão há pelo menos 6 mulheres deputadas, muitas outras participarão na vida política. As mulheres representam 60% dos estudantes universitários, fortemente representadas em programas de ciência e matemática. A primeira mulher a ganhar a Medalha Fields, - espécie de Prémio Nobel da matemática - era iraniana.
O rabino ortodoxo Elhanan Beck. Afirma: os iranianos não têm ódio aos judeus. Existem cerca de 35000 judeus a viver no Irão, tendo lá uma vida boa. O Irão não colocou os judeus em campos de concentração, protege-os como cidadãos normais, Têm acesso a escolas, institutos, há um hospital judeu no Irão financiado pelo governo.
O Irão terá um sistema autoritário, "países democráticos não o podem tolerar". Não se põe a questão de quem lhes deu autoridade para o atacar ou o problema é terem petróleo?
No Irão foram eleitos governos pró-ocidentais - algo não tolerado no sentido contrário nos países da coutada imperialista. Nem por isso as políticas agressivas mudaram: viram uma renovada oportunidade para os seus objetivos. A paz nunca foi uma opção para o império: O Irão tinha concordado na questão das armas nucleares e do urânio enriquecido. No dia seguinte, foi atacado
A CIA e Mossad tentaram mover os curdos numa luta separatista contra de Teerão, mas os curdos iranianos não se movimentaram. A organização curda Peshmerga anunciou que os seus combatentes estão prontos para defender e suprimir qualquer ameaça nas regiões curdas iraquianas. Mais este falhanço obrigou os EUA a debaterem-se com a questão de invadir território iraniano.
Outro falhanço foi a insurgência elogiada e dramatizada pela CE e pelos media, apresentada como "protestos pró-democracia", multiplicando por dez as vítimas mortais - de ambos os lados, mas atribuídas só a um - elogiando o desafio "aos governantes clericais autoritários do país." Na realidade, a CIA e a Mossad apenas tinham intenção de provocar o caos que serviria para iniciar a "mudança de regime". No entanto, nenhuma revolta se materializou a liderança do Irão permaneceu no controlo do país.
Mas o Irão não está sozinho. A Rússia e a China apoiam o Irão no âmbito militar e da cooperação económica. Pequim valoriza a amizade com Teerão e o MNE chinês expressou apoio ao Irão na proteção da sua soberania, segurança, integridade territorial e dignidade nacional
O Irão rejeitou a proposta dos EUA declarando estar preparado para continuar a defender o seu território e infligir sérios golpes ao inimigo. O Irão quer quebrar o ciclo de guerra - cessar fogo - guerra. Pretendendo que cessem a agressão e os atos terroristas; sejam estabelecidas condições objetivas que garantam que a guerra não será repetida; os danos da guerra e suas reparações sejam indemnizados; cesse a guerra em relação a todos os grupos de resistência envolvidos neste conflito; reconhecido o direito do Irão à soberania sobre o Estreito de Ormuz como direito natural e legítimo.
A consecução destes objetivos significa uma guerra prolongada, intensificando-se à medida que Israel e os EUA esgotam suas reservas de armamento. Entretanto na região a extração de petróleo e gás está reduzida, havendo reparações que demorarão três a cinco anos.
Sem comentários:
Enviar um comentário