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2 de abril de 2026

Atacar o Irão, porquê?

 A arma mais poderosa do império pretensamente unipolar é a propaganda. Qualquer objetivo em que se empenhe é apresentado como um postulado - não precisa demonstração da sua validade - a partir do qual se deduzem narrativas, como Euclides a sua geometria. Os grandes media servem como global caixa de ressonância.

Se um ataque direto se prepara, durante semanas o caso é repetidamente falado sem nunca o por em causa, conformando a opinião pública com a sua inevitabilidade. Assim, o Irão foi transformado em ameaça aos EUA - mesmo à Europa! É um Estado teocrático. É um Estado terrorista, jiadista dizia um "comentador" em estilo "metralhadora falante" não permitindo a contestação - a que ninguém se atreveu! E trata mal as mulheres.

Tudo isto dá direito aos EUA a bombardearem o país e matarem indiscriminadamente civis, algo em que os EUA e Israel têm muita prática, sempre por motivos de democracia e direitos humanos.

Afinal, que países o Irão atacou sem primeiro ser atacado? As suas forças armadas "não se envolveram em quaisquer ataques, exceto em defesa"Se bombardear um Estado dito teocrático, mas onde há liberdade religiosa (judeus e cristãos) que outros países teriam de ser atacados e invadidos? E Israel que baseia a ambição de anexar territórios vizinhos em interpretações de textos bíblicos?

Que grupos terroristas são patrocinados pelo Irão? ISIS, Al-Qaeda e derivados foram criados e mantidos pelos EUA e Arábia Saudita. O Hezbollah é um movimento político armado após o massacre de Sabra e Chatila (quem se lembra?) O Hamas era um partido político dirigente em Gaza, armado para proteger a população das agressões israelitas muito antes de 7 de outubro de 2023.

Quanto à questão feminina, que moral há no ocidente onde "caso Epstein" não é único, o crime organizado procede à escravatura sexual e proliferam crimes na dita "dark web".

No Irão há pelo menos 6 mulheres deputadas, muitas outras participarão na vida política. As mulheres representam 60% dos estudantes universitários, fortemente representadas em programas de ciência e matemática. A primeira mulher a ganhar a Medalha Fields, - espécie de Prémio Nobel da matemática - era iraniana.

O rabino ortodoxo Elhanan Beck. Afirma: os iranianos não têm ódio aos judeus. Existem cerca de 35000 judeus a viver no Irão, tendo lá uma vida boa. O Irão não colocou os judeus em campos de concentração, protege-os como cidadãos normais, Têm acesso a escolas, institutos, há um hospital judeu no Irão financiado pelo governo.

O Irão terá um sistema autoritário, "países democráticos não o podem tolerar". Não se põe a questão de quem lhes deu autoridade para o atacar ou o problema é terem petróleo?

No Irão foram eleitos governos pró-ocidentais - algo não tolerado no sentido contrário nos países da coutada imperialista. Nem por isso as políticas agressivas mudaram: viram uma renovada oportunidade para os seus objetivos. A paz nunca foi uma opção para o império: O Irão tinha concordado na questão das armas nucleares e do urânio enriquecido. No dia seguinte, foi atacado

A CIA e Mossad tentaram mover os curdos numa luta separatista contra de Teerão, mas os curdos iranianos não se movimentaram. A organização curda Peshmerga anunciou que os seus combatentes estão prontos para defender e suprimir qualquer ameaça nas regiões curdas iraquianas. Mais este falhanço obrigou os EUA a debaterem-se com a questão de invadir território iraniano.

Outro falhanço foi a insurgência elogiada e dramatizada pela CE e pelos media, apresentada como "protestos pró-democracia", multiplicando por dez as vítimas mortais - de ambos os lados, mas atribuídas só a um - elogiando o desafio "aos governantes clericais autoritários do país." Na realidade, a CIA e a Mossad apenas tinham intenção de provocar o caos que serviria para iniciar a "mudança de regime". No entanto, nenhuma revolta se materializou a liderança do Irão permaneceu no controlo do país.

Mas o Irão não está sozinho. A Rússia e a China apoiam o Irão no âmbito militar e da cooperação económica. Pequim valoriza a amizade com Teerão e o MNE chinês expressou apoio ao Irão na proteção da sua soberania, segurança, integridade territorial e dignidade nacional

O Irão rejeitou a proposta dos EUA declarando estar preparado para continuar a defender o seu território e infligir sérios golpes ao inimigo. O Irão quer quebrar o ciclo de guerra - cessar fogo - guerra. Pretendendo que cessem a agressão e os atos terroristas; sejam estabelecidas condições objetivas que garantam que a guerra não será repetida; os danos da guerra e suas reparações sejam indemnizados; cesse a guerra em relação a todos os grupos de resistência envolvidos neste conflito; reconhecido o direito do Irão à soberania sobre o Estreito de Ormuz como direito natural e legítimo.

A consecução destes objetivos significa uma guerra prolongada, intensificando-se à medida que Israel e os EUA esgotam suas reservas de armamento. Entretanto na região a extração de petróleo e gás está reduzida, havendo reparações que demorarão três a cinco anos.



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