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19 de junho de 2013

Os malabaristas


 Se perguntar não ofende:


1.O PS tem repetido que é pelo facto de o PSD ter ido além da troika que o país está nesta situação!

A pergunta singela a fazer aos socialistas é esta: se o governo tivesse cumprido apenas o que estava no Memorando, dito de entendimento, a situação seria diferente?

O Memorando em si, não continha já uma dose “cavalar” das políticas de austeridade?

O PS quer fugir às suas responsabilidades e continua a navegar na ambiguidade para chegar ao poder e no essencial conduzir a mesma política?

O reforço da influência do PCP é o mais sólido factor para obrigar o PS a inflectir para uma política de esquerda sem ambiguidades e demagogias.

2. Na Interpelação feita ao governo o PS voltou a falar na renegociação do Memorando de entendimento em relação aos prazos e juros!

Prazos ainda poderia ser em relação ao défice, mas dos juros só pode ser em relação à dívida.

O PS não quer assumir que a renegociação da dívida é inevitável mas também não quer ficar de fora..., para amanhã nos dizer que sempre defendeu o aumento dos prazos do empréstimo e a redução dos juros!!!

O termo renegociação queima-lhe a língua e mostraria que ia a reboque do PCP...

O FMI vai dizer que se enganou em relação à Grécia, que a dose de “austeridade foi excessiva e que a reestruturação da dívida foi feita tarde de mais.

O PSD e o CDS andaram a dizer, para justificar a postura de sobrevivência do governo (bom aluno) que a situação da Grécia se devia ao facto de esta não ter cumprido!!!

A situação da Grécia, como agora confessa o FMI, deve-se assim às medidas
da troika, aos atrasos e à claudicação do governo PS grego perante a Sra. Merkell e o sr. Sarkozy.

17 de junho de 2013

Eles fazem o jogo da banca. Nós pagamos!

Quando eles falam de despesismo! 546 milhões de euros para os bancos!

Despesismo para eles – sacerdotes do neoliberalismo que é como quem diz sacerdotes do grande capital- são os vencimentos  e as reformas dos trabalhadores da função pública, são o Serviço Nacional de Saúde, a Escola Pública, as prestações sociais..!
Despesismo para eles, não são as derrapagens nas obras públicas, os vencimentos de amigos e correligionários nos gabinetes ministeriais, os benefícios fiscais dados à banca, os casos  BCP, BPN, BPP ou Banif.
Despesismo para eles não são a vigarice dos “swaps”.
Em apenas tres meses o Estado entregou pelo menos 545,6 milhões de euros aos bancos para cancelar contratos de “swaps”
E ninguém vai preso.
A Secretária de estado do tesouro continua como se nada fosse com ela!
Passos Coelho diz que a dita senhora não negociou para a REFER contratos especulatórios... mas sabe-se que a REFER assinou dois contratos" com um nível de risco e de complexidade elevado"!
De acordo com o Relatório entregue pela consultora Storn-ltarbour ao IGCP, os dois contratos em causa têm risco de 3 numa escala que vai de 4 a 5.
Está tudo bem...

EUA: 16 ORGANISMOS DE SERVIÇOS SECRETOS

“Pode o fascismo estar muito longe?” “A Constituição está a ser revogada “em nome da lei”.
Os EUA dispõem atualmente 16 organismos de serviços secretos, que incluem funções de espionagem nacional e internacional, conforme relatado pelo jornalista independente Franklin Lamb, (1)
É neste sentido que Norman Pollack (2) questiona: “Pode o fascismo estar muito longe?” Afirma que a América está num precipício, com a “Constituição a ser revogada “em nome da lei”, a propósito das revelações de crimes de guerra revelados por Bradley Manning (a ser julgado após detenção de cerca de dois anos em condições fascistas) e das revelações sobre espionagem interna de Edward Snowden, refugiado em Hong-Kong. Nos EUA, diz N. Pollack.
Os organismos citados por Frack Lamb são os seguintes:
14 - Drug Enforcement Administration, Office of National Security Intelligence (DEA/ONSI),
 
1 - http://www.counterpunch.org/2013/06/11/will-the-west-pay-a-high-price-for-targeting-syrian-regime/ Franklin Lamb is doing research in Syria and Lebanon and can be reached c/o fplamb@gmail.com
2 - http://www.counterpunch.org/2013/06/13/america-at-the-precipice/
Norman Pollack is the author of “The Populist Response to Industrial America” (Harvard) and “The Just Polity” (Illinois), Guggenheim Fellow, and professor of history emeritus, Michigan State University.

13 de junho de 2013

ELES TÊM UM PLANO…

Escreveu Mike Whitney: A recessão na Europa persistirá até que as elites da UE alcancem o seu objetivo, que consiste em dizimar o modelo social que proporciona cuidados de saúde, pensões a proteção laboral para os 17 membros da Eurozona. É disto que se trata. Uma vez que os trabalhadores da UE tenham sido reduzidos à pobreza do terceiro mundo, então os fazedores desta política voltarão a uma estratégia pró-crescimento, mas não antes (1) 
Não há qualquer ajustamento económico, trata-se apenas do prosseguimento de medidas orçamentais recessivas. Não há qualquer criação de emprego, apenas mais falências, desemprego e despedimentos massivos na função pública desestruturando o funcionamento do Estado nas áreas sociais e económicas.
Não há rigor orçamental, chamam “rigor” a medidas recessivas e antissociais. A evidência mostra que estas políticas têm conduzido ao sucessivo agravar dos défices e do endividamento. Mas o governo e o PR voltam costas à realidade com que o país se debate e (cada um à maneira) vão dizer baboseiras (que outro nome poderemos dar) para a UE, dado que são de nulo efeito.
As privatizações anunciadas como promotoras da eficiência e do desenvolvimento, proporcionaram a criação de rendas monopolistas, levaram à desindustrialização e ao crescente endividamento. O fecho anunciado da SN é um dramático exemplo deste descalabro. Representaria um retrocesso de décadas, consagrando o arrastar do país para o subdesenvolvimento. A precariedade aumentou através das formas mais selvagens de exploração por via do falso trabalho independente, trabalho à peça/semana, trabalho clandestino, etc., tendo diminuído o emprego estável.
Mas tudo isto, incluindo a recessão, faz parte de um plano: a servidão pela dívida conduzida pelo novo feudalismo financeiro (a sua existência baseia-se na extração de rendas) proporcionando mão-de-obra barata e sem direitos,  para que as megaempresas transnacionais dos países capitalistas dominantes possam agir discricionariamente, como é seu uso.
As teses neoliberais assumem que em regime de mercado livre salários e preços tendem a igualizar-se através da economia global – são os designados mecanismos de “equilíbrio automático”.
Não se demonstra porém a que nível de subsistência ou mesmo sobrevivência os salários encontrariam este “equilíbrio” teórico e que equilíbrio social existiria – pois os fatores sociais são ignorados ou considerados “imperfeições” do mercado.
Este sistema, não apenas este governo, não corresponde às necessidades das populações deve ser posto em causa e substituído por um governo que defenda os valores constitucionais, compatibilizando crescimento económico com  desenvolvimento humano.

11 de junho de 2013

De sucesso em sucesso....


PIB caiu 4% no 1º trimestre do ano

1.     Depois de no passado dia 15 de Maio ter divulgado as estimativas rápidas do PIB, o INE veio hoje divulgar os resultados das Contas Nacionais Trimestrais referentes ao 1º trimestre do ano. A informação estatística entretanto disponibilizada permitiu ao INE, não só a rever a anterior estimativa do PIB, como apresentar estimativas para a evolução no 1º trimestre do ano das diferentes rubricas da Despesa: Consumo Público, Consumo Privado, Investimento, Procura Interna, Exportações e Importações.
2.     A nova informação disponível obrigou o INE a rever em baixa a evolução do PIB no 1º trimestre, comparativamente com o trimestre homólogo e com o trimestre anterior. As novas estimativas apontam agora para uma queda do PIB de 4% em termos homólogos, em vez dos anteriores 3,9% e para uma variação em relação ao trimestre anterior de -0,4% em vez dos anteriores -0,3%.
3.     A forte queda do PIB nos 1ºs três meses do ano deveu-se de acordo com o INE, à quebra acentuada da Procura Interna, que caiu em termos homólogos 6,3% e à estagnação das Exportações, com uma variação de apenas 0,1%. A acentuada queda das Importações no 1º trimestre do ano (-6,4%) induzida pela queda da Procura Interna impediu um maior descalabro na evolução do PIB.
4.     A evolução acentuadamente negativa da Procura Interna no 1º trimestre do ano deveu-se ao contributo do Investimento que neste período caiu 16,8%, enquanto o Consumo Privado e Público na linha do que vinha acontecendo em trimestres anteriores, continuaram os seus percursos de queda em torno dos 4%.
5.     Uma análise mais fina do comportamento do Investimento no início do corrente ano, permite-nos concluir que o maior contributo para a queda registada veio do Investimento em Construção, que caiu 25,7% e do investimento em Outras Máquinas e Equipamento que caiu 5,7%.
6.     Refira-se ainda que de acordo com o INE, o emprego total no conjunto da nossa economia caiu no 1º trimestre 5,2%, ou seja em relação ao 1º trimestre do ano passado foram destruídos na óptica das Contas Nacionais 244 300 empregos e desde a assinatura do Pacto de Agressão foram destruídos 434 800 empregos.
7.     Estes dados sobre a evolução do emprego em termos trimestrais e na óptica das Contas Nacionais mostram-nos que em termos homólogos há 17 trimestres consecutivos, isto é, desde o 1º trimestre de 2009, o emprego vem caindo. Como resultado desta contínua quebra no emprego, desde o início de 2009 foram destruídos em Portugal 609 mil postos de trabalho.
8.     Uma última nota que me parece relevante tendo em conta a próxima discussão do Orçamento Rectificativo para 2013. De acordo com os dados agora divulgados o deflator do PIB no 1º trimestre do ano foi de 0,5%. Ora o Governo corrigiu neste Orçamento não apenas a sua previsão do PIB para 2013 – estimava uma queda de 1% e agora estima uma queda de 2,3% - mas decidiu também corrigir o deflator do PIB – estimava um deflator de 1,3% e agora estima um deflator de 1,8% -. Esta alteração no deflator do PIB não se entende, porque no 1º trimestre esse deflator está nos 0,5% e porque se estima uma queda da inflação para 2013. No orçamento rectificativo essa estimativa da inflação é de 0,7%. Curiosamente a OCDE nas suas mais recentes previsões estima uma queda do deflator do PIB de (-0,4%). A sensação com que ficamos é que o Governo pretende nesta fase compensar a maior queda prevista para o PIB com uma maior subida do seu deflator. Desta forma a preços correntes a estimativa de queda do PIB é bem menor e o seu efeito no agravamento do rácio da dívida pública e do défice orçamental também.
CAE, 5 de Junho de 2013
José Alberto Lourenço          

5 de junho de 2013

Terrorismo Ideológico - Terrorismo Social

O Jornal de Notícias trazia ontem 04.junho, na sua primeira página um texto do sr. José Vieira de Andrade, “professor catedrático e constitucionalista”, do seguinte teor: “as pensões não são propriedade dos reformados, não são um contrato, mas um estatuto legal alterável”.

Claro que não são “propriedade”, sr. professor! São dívida do Estado! E como tal têm estatuto legal alterável, como todos os contratos e todas as dívidas!
Mas então por que não trata Estado as outras dívidas da mesma forma?! Com os reformados nem sequer renegociação existe – o governo neofascista PSD – CDS ignora para tudo o que não seja finança e grande capital, o que sejam Constituição, leis, direitos sociais, nem a não retroatividade das leis aplica. Mas para a dívida pública a juros usurários nem em renegociação se fala: é sagrada!
 
Mas sr. professor os contratos têm estatuto legal alterável, não sabia?
Pergunte ao Juiz Carlos Moreno, por exemplo acerca das PPP, que poderiam ser revistos ao abrigo da norma de “contratos leoninos”, ou alteração das circunstâncias” previstas na lei, nem o facto das PPP terem sido concretizadas contra o que estipulavam regras europeias e leis nacionais sobre o assunto, todas cheias de “boas intenções” para proteger os “dinheiros públicos”. Mas tudo isto é ignorado pelo terrorismo ideológico que serve de cobertura ao terrorismo social neoliberal-neofasscista.
 
A única coisa que se protege é a finança, a especulação o capital mono e oligopolista. Para estes o seu estatuto é inalterável e Estado colocado ao serviço da oligarquia dominante.

Estes senhores não defenderm os interesses do país defendem a tirania da dívida sobre o país, como o governador do Banco de Portugal e procuram justificar políticas antissociais que nem o fascismo se atrevia a pôr em prática no seu período final.
 
A queda do PIB de 4% no primeiro trimestre do ano mostra a validade dos seus pseudo argumentos e o caminho para onde - conscientemente - nos arrastam.
 
As pensões de reforma não serão propriedade dos reformados, mas estes  também o são do Estado: a isto chamamos neofascismo.

3 de junho de 2013

CONTRA O PROJETO FASCIZANTE EM CURSO

Defender a Constituição e os valores de ABRIL.
Até que ponto os falhanços deste governo não são um risco calculado para algo que visa mais longe na destruição do regime democrático conquistado no 25 de ABRIL?
Trata-se de confrontar consecutivamente o povo com medidas nitidamente excessivas e contraproducentes, vence-lo pelo cansaço, insegurança e pobreza, para impor “salvadores” que afastarão “políticos” e a odiada Constituição.
O que o Tribunal Constitucional tem chumbado é já no domínio do mínimo que um Estado de direito tem de respeitar. As grades vertentes da Constituição como o planeamento, a economia mista, o domínio do poder económico pelo poder político, a soberania (alienada para a UE) foram já esquecidas pela mão do PS.
Vale a pena lembrar que a fascismo não foi instaurado no 28 de maio de 1926. Só em 1933 se pode dizer que se consolidou o poder fascista (o “Estado Novo”). Durante 7 anos as forças republicanas (militares, sindicatos, partidos) lutaram contra a violência e arbitrariedade do fascismo ainda encoberto.
Esta situação é relatada pelos historiadores do período (como Fernando Rosas e o seu "Salazar e o Poder" ) e mesmo por Franco Nogueira na sua biografia de Salazar.
Este processo contou com o melífluo Carmona, burocrata militar, com provas dadas na defesa de militares golpistas da extrema-direita, foi eliminando pela intriga ou persuasão os interesses que se opunham ao fascismo e unindo direitas.
Cavaco Silva não almeja outro papel.
O descalabro económico dos primeiros governos da “Ditadura Nacional” foi a justificação para a instauração do fascismo e do poder absoluto salazarista.
Este governo está a abrir caminho para o seu objetivo final: a visão partilhada com o ministro das finanças alemão de que na UE há 50% de “estado social” a mais. Paralelamente, consideram que há também democracia a mais, e o exemplo dos EUA esta no horizonte, em que a dissidência já é criminalizada caindo mas malhas das leis “anti terrorismo”. (1) António Borges, dizia que “não é possível fazer reformas com a gritaria da oposição”. O novo ministro Poiares acha que o governo está acima da Constituição.
O recente chumbo da lei sobre as autarquias, estabelecendo entidades supra autárquicas com o dever de cumprir diretivas do governo, mostra bem os objetivos fascizantes do PSD e CDS: passar do liberalismo oligárquico (atual) para a ditadura oligárquica (que desejam).
Espanta que o PS não se aperceba dos objetivos finais desta direita e dos órgãos dirigentes da UE.
As novas medidas são uma antevisão do futuro se este governo não for demitido qunto antes. Defender os valores de ABRIL e a Constituição não são palavras de ordem, partidárias, constituem todo um programa de salvação nacional.
1 - La criminalisation de la dissidence politique aux États-Unis - Tom CARTER- www.legrandsoir.info - 31 mai 2013 - Avec une série de procès aux États-Unis, les précédents juridiques qui vont criminaliser la dissidence politique en Amérique