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31 de março de 2012

ONU DESMENTE E RETIRA CREDIBILIDADE ÀS EXIGÊNCIAS DA TROIKA

O “Report on the World Social Situation 2011 United Nations New York, 2011” (1) contraria totalmente as políticas da “troika”. As afirmações do governo e seus apoiantes em defesa da austeridade, das alterações às leis laborais, cortes nos apoios sociais, são positivamente arrasadas, a sua vacuidade desmontada. Tudo isto, foi no entanto omitido pela comunicação social controlada. Censura? Não, critério editorial…
Apesar da sua linguagem prudente, o relatório condena inequivocamente e por vezes de forma veemente todos, todos os aspetos das políticas do FMI, que estão a ser impostos por via da “troika” e que PSD, CDS e PS apresentam como” “responsáveis” e “realistas”, envolvidas na habitual litania das promessas sempre desmentidas.
O Relatório, acaba por mostrar que as políticas que a esquerda consequente defende, apelidadas, à falta de melhores argumentos, pelos partidos da “troika”, de “radicais”, “irrealistas”, “irresponsáveis”, são no essencial as políticas que a ONU defende e propõe como políticas social e economicamente eficazes, constituindo as verdadeira soluções para resolver a crise que avassala os países.
É de notar que o Relatório da ONU desmascara as gratuitas afirmações dos propagandistas neoliberais de que as suas teses se baseiam em “inúmeros estudos” ou mesmo em “todos os estudos internacionais”. O relatório, não só se serve das estatísticas, dados e informações do FMI e BM, como recorre a ampla cópia de citações e análises de economistas internacionalmente reputados, de uma forma geral críticos do sistema neoliberal, embora com amplo leque de posicionamentos. Este consciente silenciamento a que se procede é talvez o mais flagrante exemplo da sua falta de razão e não sendo por ignorância será, por que não, de falta de honestidade intelectual.
Salientamos apenas alguns dos aspetos evidenciados no Relatório:
- As previsões do FMI mostraram-se completamente erradas quanto ao desencadear e evoluir da crise
- As políticas do FMI estão erradas, são pró-cíclicas, isoladas das suas consequências sociais, tendendo a criar um circulo vicioso de reduzido crescimento económico e escasso progresso social. Tem sido provado repetidamente, diz a ONU, que estas políticas aumentam os níveis de pobreza, fome e desemprego que afectam milhares de milhões de pessoas em todo o mundo, tanto nos países em desenvolvimento como nos desenvolvidos.
- A ONU alerta para a patologia social da crise. A pobreza e o desemprego estão ligados ao aumento das doenças mentais, incluindo depressão e suicídio, dissolução das famílias e violência doméstica; abandono e abuso de crianças, aumento crime e da toxicodependência.
- Devido ao aumento do preço dos alimentos, inflacionados pelos biocombustíveis e pela especulação, considera-se imperativo que os governos resistam à pressão para cortar despesas sociais, devendo aplicar medidas contra-ciclícas.
- As causas fundamentais da crise não foram resolvidas, tal como insuficiente regulação financeira, compensações excessivas aos gestores, estagnação dos salários reais e crescentes desigualdades. Pelo contrário, a crença na eficiência dos mercados financeiros levou muitos políticos a acreditar que não eram necessárias políticas industriais, de investimento ou tecnologia. Esta complacência favoreceu a liberalização do comércio e finança, privatizações e desregulação, o que conduziu a crescentes desigualdades entre países.
- A “flexibilidade” laboral é duramente criticada, transferindo para os trabalhadores a insegurança dos empregadores especialmente na ausência de adequados mecanismos de proteção social. Esta visão descarta o valor de promover emprego com segurança. Os trabalhadores são induzidos a aceitar trabalhos de baixa produtividade e baixos salários, impulsionando a economia para uma armadilha de baixa produtividade e baixos salários.
- Necessidade de proteção social: sem esquemas que assegurem acesso a cuidados de saúde, níveis adequados de nutrição e estabilidade social, um país não pode desbloquear todo o seu potencial humano. O investimento social contribui invariavelmente para o crescimento a longo prazo.
- Verifica-se que períodos prolongados de declínio de salários reais nada auguram de bom para a economia real. Não só reduzem o consumo como não têm capacidade de pagar dívidas antes contraídas. Os salários perdidos desmotivam moralmente o trabalhador e aumentam o stress, fatores que estão ligados a abaixamento da produtividade
- A recuperação económica não será alcançada enquanto a situação do emprego não melhorar de forma sustentável. Restaurar o emprego à situação de pré-crise não é suficiente porque o período que a precedeu foi notado pelo “emprego pobre” e “crescimento sem emprego”.
- O mercado livre é severamente criticado. A ideia é que se o governo se retirar o mercado resolverá os problemas da pobreza. Porém os mercados não podem atuar e não atuarão quando as pessoas nada têm. Se se tira a ajuda vai deixa-los morrer.
- A natureza global da atual crise limita a opinião que a crise possa ser ultrapassada através de recuperação baseada na exportação. Países que aplicaram políticas contra-ciclícas têm tido maior capacidade para ultrapassar os impactos da crise, designadamente com sistemas de proteção social e programas de emprego. Os designados “estabilizadores automáticos”, no seguimento de um abrandamento económico conduzem ao crescimento dos défices, redução dos rendimentos e crescimento das despesas sociais.

30 de março de 2012

Projecções macroeconómicas do Boletim de Primavera do Banco de Portugal

Algumas Notas

1. As sucessivas projecções macroeconómicas para 2012 efectuadas para a economia portuguesa nos últimos seis meses pelo Banco de Portugal, nos três últimos boletins económicos de Outono e Inverno de 2011 e Primavera de 2012, são bem elucidativas da situação que vivemos. De previsão em previsão o cenário macroeconómico é cada vez mais negro.
2. Nos últimos seis meses a previsão, por parte do Banco de Portugal de queda do PIB em 2012 agravou-se em 54,5%. Se em Setembro se previa que a recessão em 2012 atingisse os -2,2%, agora com a informação disponível no BP essa previsão de queda já é de -3,4%.
3. Para o agravamento nas previsões de recessão em 2012 contribui fundamentalmente o agravamento esperado na queda do Consumo Privado, na queda das importações, na queda do investimento e o menor crescimento que agora se estima para as exportações.
4. O impacto esperado das medidas do pacto de agressão em 2012, em que se destacam o corte, em termos reais, dos salários e das pensões de reforma em 17%, resultante da supressão do subsídio de férias e natal para a esmagadora maioria dos trabalhadores da Administração Pública e do Sector Empresarial do Estado e para grande parte dos reformados, o congelamento dos salários nominais dos restantes trabalhadores da Administração Pública e do sector privado, a redução de 50% nas retribuições por trabalho suplementar, a subida dos preços dos transportes públicos e da energia bem acima da inflação, o aumento do IVA e do IRS, os cortes nos apoios sociais às famílias e aos desempregados, o aumento das despesas com saúde e educação, leva a que a mais recente previsão do cenário macroeconómico (boletim da primavera do Banco de Portugal) preveja uma queda do PIB em 2012 que é praticamente o dobro da que era esperada antes da sua assinatura (de -1,6% passou para -3,4%), com o Consumo Privado a cair como nunca (-7,3%), o Consumo Público também em queda e o Investimento a continuar o seu já longo percurso de queda contínua, que faz com que o seu nível real actual se situe próximo dos níveis de 1996.
5. O impacto recessivo de todas estas medidas será de tal forma elevado em 2012 e 2013 que o próprio Banco de Portugal, neste seu último boletim económico da primavera, prevê uma queda do emprego de -3,6% em 2012 e de -0,7% em 2013, o que significa a destruição nestes dois anos de cerca de 207 mil empregos e a correspondente subida do desemprego. Não é por acaso que o próprio governo, sempre muito cauteloso no cálculo das previsões do desemprego, veio há muito pouco tempo corrigir as suas previsões da taxa de desemprego para 2012 e 2013, prevendo agora mais 60 mil e 40 mil desempregados do que quando da assinatura do pacto de agressão. Tudo leva a crer, que mesmo assim, uma vez mais peque por defeito nas suas previsões de cálculo da taxa de desemprego neste e no próximo ano.
6. O Boletim Económico do BP reconhece que o elevado nível de inflação esperado para 2012 (3,2%), depois de em 2011 ela se ter situado nos (3,7%) é reflexo do crescimento dos preços associado a decisões administrativas (subida dos preços dos transportes públicos, da electricidade e gás e dos cuidados de saúde) e dos aumentos da tributação indirecta (alterações introduzidas no IVA ) e conclui que estes aumentos não se vão transmitir aos salários, pelo que dizemos nós, eles vão contribuir para a queda considerável do poder de compra dos trabalhadores.
7. O Banco de Portugal reconhece ainda neste seu boletim de Primavera e à imagem do que fez em anteriores boletins, que são elevados os riscos de uma evolução mais desfavorável da actividade económica, quer isto dizer de a queda do PIB em 2012 ser superior ao que agora projectam, como resultado da degradação da envolvente externa.
8. Uma nota ainda para referir que o Banco de Portugal depois de no boletim de Inverno apresentado no passado dia 13 de janeiro ter projectado um crescimento em 2013 de 0,3%, vem agora na sua 1ª revisão do PIB para 2013 apontar para uma estagnação com uma variação nula do PIB 0,0%. A pergunta que não pode deixar de ser feita neste momento é esta. Na próxima revisão, qual vai ser a previsão de queda do PIB em 2013?

29 de março de 2012

Sinais inquietantes

A revisão em baixa  do PIB português para este ano e para 2013 segundo o Banco de Portugal , a baixa de notação de vários bancos portugueses pela Fitsh e o aumento da taxa a 10 anos de  5,6 pontos base para 11,37  esta quinta feira são dados que contrariam a propaganda do governo e que mostram a falência da política seguida .
Mas não é so´em Portugal.
Segundo a S&P uma nova reestruturação da dívida grega vai ser necessária. E a Irlanda que entrou de novo em recessão declarou não poder honrar o pagamento de 3,1 milhares de milhão em relação ao BCE
Lá se foi o exemplo da Irlanda...E os comentadores encartados caladinhos....


28 de março de 2012

Semear ilusões


A propaganda

Os juros caiem para Portugal e aumentam para a Espanha.
Vejam como os «mercados» já estão a ver Portugal de outra maneira repetem os
aldrabões encartados na comunicação social.

Os juros dos empréstimos a curto prazo têm caído para Portugal e para os outros
países embora com oscilações desde as operações do BCE que encheram os cofres dos bancos  da U.E:com empréstimos a três anos a 1% contra a garantia de títulos designadamente da dívida
pública.
Por isso, havendo mais liquidez e sendo atractivos e garantidos, os empréstimos públicos até três anos
têm tido taxas de juros menores. Até com a Grécia se verificou .

A colocação da dívida pública nacional tem sido praticamente adquirida pela banca
nacional (até 3 anos) e não pelos operadores internacionais. E tudo isto dentro do quadro
de mais liquidez da Banca e até do cálculo de que a operação BCE se possa vir a repetir.
E  se houver nova operação os títulos de dívida pública servirão de colaterais.,
Quanto ao mercado secundário (yelds) , tanto as diminuições como também os aumentos não
têm grande significado pois são transacções pequenas e apenas traduzem orientações
especulativas.E embora tendo descido a verdade é que continuam proibitivos.
Há uma menor tensão e especulação no mercado obrigacionista devido às operações do BCE, que nada tem a ver com o facto de Portugal estar a cumprir os acordos com a troika.
Não  seria de espantar que mais tempo menos tempo a s Agências de Rating viessem de novo a baixar as notações de diversos países incluindo Portugal

Concluindo: Em 2013 o País terá muita dificuldade em obter empréstimos a longo prazo em
condições satisfatórias e terá de recorrer a outra operação de resgate com novas
imposições e num quadro muito mais vulnerável.
Nessa altura dirão que isso já se sabia , mas que foi o bom comportamento do governo que permitiu ao governo novo empréstimo !!

27 de março de 2012

É BOM QUE SE SAIBA…O QUE ELES NÃO QUEREM QUE SE SAIBA

CALUNIADORES DESMASCARADOS)
A Unesco acaba de excluir a "ONG" Reporters Sem Fronteiras, ligada à CIA, pelos “seus métodos de trabalho” controversos. (1) Esta dita ONG especializou-se na calúnia em particular contra Cuba, Venezuela e outros países e movimentos progressistas. Há muito que tinha sido denunciado o seu financiamento pela CIA a quem servia como caixa de ressonância e como central de desinformação financiada. Muitas das suas calúnias eram depois pressurosamente difundidas comunicação social e comentadores. Claro que divulgar calúnias é participar nas mesmas…
1 - legrendsoir.info – 11.março.2012. Jean-Guy Allard - 11 mars 2012
PEDOFILIAS…
O custo das indemnizações da Igeja por abusos sexuais de padres supera os 2 mil milhões de dólares, para os cerca de 4 000 casos de pedofilia denunciados à Congregação para a Doutrina da Fé (ex-Inquisição. (Google – Algarve noticias – 08-01-12)
O valor destas indemnizações não deve no entanto ser problema para o Vaticano pois “as 400 famílias mais ricas do mundo dão suporte político e financeiro ao Vaticano, o poder de intervenção da Igreja na área económica é enorme.” (Avante – 15-03-2012)
A CRISE SEM FIM À VISTA
Abarca do capitalismo está pior que a Nau Catrineta…o que quer que a propaganda PSD – CDS mistifique. Paul Craig Roberts – escreve: "A economia americana está morta" – "A ilusão da recuperação económica". Descontando o aumento de stocks, a taxa anualizada de crescimento real foi 0,8%. A produção industrial permanece abaixo do nível de Janeiro de 2000. Recuperação sem emprego é uma contradição em termos. Não pode haver recuperação sem um crescimento no emprego e do rendimento do consumidor. Os ganhos reais médios por semana (deflacionados pelos índices do governo) nunca se recuperaram desde o seu pico em 1973. A mediana do rendimento familiar real nunca recuperou o seu pico de 2001 e está abaixo do nível de 1969. (resistir.info)
Noutro texto, em counterpunch.org escreve que a América não é mais a terra de pessoas livres e independentes. É a terra dos 1% ultra ricos.
(Paul Craig Roberts was an editor of the Wall Street Journal and an Assistant Secretary of the U.S. Treasury.  His latest book, How The Economy Was Lost, has just been published by CounterPunch/AK Press. He can be reached through his website March 13, 2012)

No mesmo site Mike Whitney refere que neste momento permanecem ainda 1,6 milhões de propriedades com hipotecas que estão no inventário da cobrança duvidosa, cerca de metade já em processo de impedimento de resgate da hipoteca. Para aqueles que dizem “deixar o mercado resolver o problema” é preciso lembrar-lhes que critério diferente foi aplicado aos bancos, que não apenas são responsáveis pela crise como têm sido os seus principais beneficiários por via do apoio público ilimitado. É tempo que as vítimas tenham a mesma consideração.
(Mike Whitney lives in Washington state. He is a contributor to Hopeless: Barack Obama and the Politics of Illusion, forthcoming from AK Press. He can be reached at fergiewhitney@msn.com)

Ainda em counterpunch.org  Joseph Grosso, no seu artigo “Trabalho e Pobreza” cita um  livro, intitulado “Prisioneiros do Sonho Americano” da autoria de Mike Davis. A atual pobreza nos EUA é uma espécie de insulto aos crentes do Sonho Americano. Afinal, para que serve um sistema baseado em classes na terra das oportunidades? A ralé excedente que fica de fora deste orgulho nacionalista é facilmente detestada. O que se vê são empréstimos predatórios, desprezíveis escolas públicas, e os americanos a terminarem a década mais pobres do que a iniciaram.
(January 10, 2012 Joseph Grosso-  is a writer and librarian in New York City)

Jack Random escreve em “A Guerra aos Trabalhadores”, que “as empresas não são os nossos donos”.  Se as pessoas se interrogarem por que é que os salários estagnaram enquanto os lucros das grandes empresas cresceram exponencialmente, reparem que a taxa de sindicalização desceu de 35% dos trabalhadores para os atuais 11,9%. A estratégia na guerra contra os trabalhadores segue o princípio de “dividir e conquistar”.
(Weekend Edition February 24-26, 2012 Jack Random is the author of Jazzman Chronicles (Crow Dog Press) and Ghost Dance Insurrection (Dry Bones Press.)

26 de março de 2012

O escândalo da Líbor



A manipulação da “libor”.

Tudo indica que a Libor taxa de referência para as centenas de milhares de produtos financeiros foi manipulada para que os bancos não aparecessem tão vulneráveis e para terem benefícios com “produtos” especulativos.
Já há quem considere este processo como  a «maior manipulação financeira da história».

A libor é a taxa interbancária de Londres tal como a tibor é a sua equivalente em Tóquio.
Esta taxa de referência foi  manipulada por alguns mega bancos em seu benefício, mantendo-a artificialmente baixa.na altura mais aguda da crise e depois nos anos seguintes embora de forma menos acentuada

Vários mega bancos estão a ser investigados e fazem parte dos dezoito grandes bancos internacionais que fornecem todas as manhãs a informação sobre a taxa de juro a que  estimam poder emprestar aos seus confrades, em diversas moedas Estes bancos terão feito acordos entre si .para a manter favorável aos seus interesses entre 2007 e 2011.
Esta notícia  encontra-se na imprensa inglesa e francesa e foi conhecida a partir do relatório de um dos bancos indiciados que  referia estar a ser objecto de investigação.
Empresas de corretagem consideram que  esses mega bancos – para já 11-  ganharam de forma ilícita muitos milhões de dólares . Resta saber , tratando-se de peixe graúdo se tudo não ficará ,mais uma vez, em águas de bacalhau !

Sugestão de leitura


l capitalismo por dentro (Parte I)
Por: Alejandro Teitelbaum (especial para ARGENPRESS.info)

El capitalismo por dentro (Parte II)
Por: Alejandro Teitelbaum (especial para ARGENPRESS.info)

El capitalismo por dentro (Parte III)
Por: Alejandro Teitelbaum (especial para ARGENPRESS.info)

El capitalismo por dentro (Parte IV)
Por: Alejandro Teitelbaum (especial para ARGENPRESS.info)