Portas como Ministro dos Negócios Estrangeiros mais parece um vendedor ambulante de Empresas Públicas.
No Brasil o seu discurso sobre as futuras privatizações , mais pareciam as de um vendedor de Portugal em retalhos .
Na oposição Portas gostava de se apresentar como um nacionalista um defensor da soberania e da independência nacional.
Agora é vê-lo a justificar o acordo com a Troika e a pavonear-se como o grande vendedor de Empresas Públicas no estrangeiro , aquilo a que ele chama de diplomacia económica.
Transformaram o país num protectorado , um protectorado cada vez mais dependente e endividado.
A luta por uma política de ruptura contra os vendilhões da Pátria é também uma política patriótica de recuperação e defesa da soberania e independência nacional.
Linha de separação
6 de maio de 2012
30 de abril de 2012
Da Síria à bomba nuclear do Irão...
1 - A DERROTA IMPERIALISTA NA SÍRIA
(Réseau Voltaire - 20 abril 2012 – reproduzindo entrevista de Thierry Meyssan)
Durante um ano a Síria suportou uma guerra levada a cabo por milhares de mercenários vindos de toda a região e com experiência de combate no Iraque e na Líbia, sabotaram as infraestruturas energéticas e de telecomunicações além de crimes contra as populações. Poderosamente armados pela NATO, enquadrados por instrutores ocidentais, tentaram semear o terror e o caos perpetrando crimes de uma violência inaudita. A informação ocidental inventou então uma história de revolução/repressão.
(Réseau Voltaire - 20 abril 2012 – reproduzindo entrevista de Thierry Meyssan)
Durante um ano a Síria suportou uma guerra levada a cabo por milhares de mercenários vindos de toda a região e com experiência de combate no Iraque e na Líbia, sabotaram as infraestruturas energéticas e de telecomunicações além de crimes contra as populações. Poderosamente armados pela NATO, enquadrados por instrutores ocidentais, tentaram semear o terror e o caos perpetrando crimes de uma violência inaudita. A informação ocidental inventou então uma história de revolução/repressão.
As próprias informações dadas pela missão da Liga árabe
foram escamoteadas. Segundo os seus relatórios nunca foram detectadas
manifestações de massa contra o regime. Note-se que esta missão foi organizada
pelos países da NATO e do Golfo, composta por militares e diplomatas.
A guerra chegou ao fim depois do duplo veto da Rússia e da
China na ONU e entrega de armas anti-aéreas russas. A NATO viu-se então
obrigada a abandonar o seu plano de bombardeamentos…Os últimos combatentes entrincheiraram-se numa zona de Homs,
que serviu para continuar a manter a opinião pública intoxicada. No seguimento
de um acordo concluído entre um responsável francês (Claude Guéant) e o general
Assef Chawkat, os instrutores franceses deixaram o reduto e a maior parte dos
mercenários rendeu-se. Restam ainda grupos isolados que causam danos à
população.
Com a entrega do sistema de defesa anti-aéreo mais
sofisticados do mundo – a ser operado por russos - a Rússia pôs fim ao domínio
aéreo dos EUA e de Israel no Médio Oriente. Ora o poder das forças armadas
norte-americanas consiste principalmente na sua capacidade de destruição aérea,
as forças do solo têm mostrado a sua incapacidade de ocupar um terreno.
Segundo Thierry Meyssan, a derrota na Síria altera decisivamente o
equilíbrio na zona. Em 2005 Israel foi derrotada no Líbano pelo Hezbollah (guerra por
encomenda dos EUA) . Em 2011 o Pentágono foi obrigado a evacuar
gigantescas bases militares que tinha construído no Iraque; a NATO recua na
Síria e qualquer ataque ao Irão parece ser posto de parte. Porém, neste
confronto o grande derrotado não é Israel, mas os regimes como a Arábia Saudita
e o Qatar.
A Síria fazia parte de uma lista de 7 objetivos a serem atacados:
Afeganistão, Iraque, Libia, Siria, Somália, Sudão e por fim Irão, esta decisão
teria sido tomada em 15 setembro de 2001 em Camp David. O plano contra a Síria foi iniciado na
base de falsos testemunhos hoje anulados, tendo Bachar- el Assad sido acusado de
assassinatos no Líbano, entre os quais o do primeiro-ministro. Depois vieram as
sanções.
A Síria, segundo os planos, seria desmembrada em Estados
etnicamente homogéneos, mais fáceis de manipular. Os kurdos – a Turquia? - e
Israel seriam os beneficiários. A Síria seria entregue a um fantoche, Burnham
Galioum cujo programa político era romper a aliança com o Hezzbollah e o Irão,
como ele próprio explicou ao Wal Street Journal. Há ainda a considerar a o
interesse das multinacionais do sector energético no gás a explorar na região.
2 – ISRAEL CHEGA À CONCLUSÃO QUE O IRÃO
NÃO DECIDIU CONSTRUIR UMA BOMBA NUCLEAR( Réseau Voltaire - 26 abril 2012)
Após 21 anos de intoxicação sobre o programa nuclear
iraniano Israel chega à conclusão que o Irão não decidiu construir uma
bomba nuclear…E quem o diz é o Chefe do Estado Maior Israelita, general Benny
Gantz, em entrevista ao diário Haaretz,
celebrando a data de autoproclamação do Estado de Israel. Diz concretamente: “O
Irão dirige-se etapa por etapa para o momento em que estiver em condições de
decidir fabricar uma bomba nuclear. Ainda não decidiu dar esse passo (…) Se o
guia supremo, o ayatollah Ali Khamenei, quiser, dirigir-se-á para a posse de
uma bomba nuclear, mas a sua decisão terá primeiro de ser tomada.”
Eis em que fica o “perigo eminente”, transmitido sem
contestação, duarnte anos, objeto de sanções por parte de uma decadente e amorfa UE, sem
noção dos reais interesses dos seus povos. Desde 2006 a intriga e desinformação
conduziu a resoluções do Conselho de Segurança que impuseram sanções
unilaterais ao Irão para mascarar as intenções imperialistas, como o “escudo
anti-míssil contra a Rússia com o argumento do perigo iraniano.
Depois das “armas de destruição maciça” do Iraque, da derrota já óbvia no Afeganistão, da
derrota na Síria e do caos em que permanece a Líbia, aqui está a confissão de
uma fraude informativa, as tais mentiras mil vezes repetidas...
29 de abril de 2012
27 de abril de 2012
Uma política suícida
Os resultados da política neoliberal, da austeridade, da redução brutal dos défices públicos aí estão a mostrar que estamos perante uma política suicida.
O Banco da Grécia prevê um novo agravamento da recessão para este ano. O Reino - Unido registou o seu segundo trimestre recessivo e entrou oficialmente em recessão. A Espanha que viu a notação da sua dívida em baixa por uma empresa de notação financeira e um novo aumento do desemprego deverá anunciar que entrou oficialmente em recessão na semana que vem . A Irlanda que Comissários Europeus , analistas e governantes portugueses apontavam como exemplo do sucesso das políticas de austeridade-estamos mais próximos da Irlanda do que da Grécia dizia Passos Coelho- deixou de ser referida. De facto a Irlanda entrou em recessão , entrou em incumprimento e fez com o BCE uma reestruturação da dívida á socapa . Agora o Eurostat . considerou que o governo Irlandês devia integrar nas contas públicas 5,8 milhares de milhão de euros que foram consagrados ao salvamento da banca e contestou a contabilização de 32 milhares de milhão da dívida detida pela NAMA - um bad bank irlandês- aumentando o défice público que atingiu em 2011 os - 13,1% bem acima dos −10,6 % fixados pela troika.
Por sua vez a Itália tem visto a sua situação económica, financeira e social a agravar-se acentuadamente e os financiamentos externos a atingir valores proibitivos
A Austria reinjectou recentemente 1,27 milhares de milhão de euros no KA FINANZ , um bad bank em que o Estado é o único accionista. Mesmo na Alemanha cuja economia abranda o Estado tem garantidos os activos tóxicos de vários bancos- Hypo Real Estate,Westlb,.. e estes continuam a aumentar.
Perante o desastre evidente aumentm as vozes dos que afirmam que é necessário mudar de caminho antes que seja tarde como aconteceu ao Titanic. Mais austeridade auto alimenta a espiral depressiva dizem agora mesmo aqueles que ainda há pouco defendiam o contrário. Aumento dos prazos para reduzir os défices, financiamento dos Estados pelo BCE,diminuição das taxas de juro, euroobrigações para relançar investimentos a nível europeu...
Entretanto mantém-se o ciclo vicioso do desendividamento púbico e privado e os desregulamentos do sistema financeiro que juntamente com a redução do poder e compra dos trabalhadores e da generalidade das famílias são o principal motor do prosseguimento da crise.
O Banco da Grécia prevê um novo agravamento da recessão para este ano. O Reino - Unido registou o seu segundo trimestre recessivo e entrou oficialmente em recessão. A Espanha que viu a notação da sua dívida em baixa por uma empresa de notação financeira e um novo aumento do desemprego deverá anunciar que entrou oficialmente em recessão na semana que vem . A Irlanda que Comissários Europeus , analistas e governantes portugueses apontavam como exemplo do sucesso das políticas de austeridade-estamos mais próximos da Irlanda do que da Grécia dizia Passos Coelho- deixou de ser referida. De facto a Irlanda entrou em recessão , entrou em incumprimento e fez com o BCE uma reestruturação da dívida á socapa . Agora o Eurostat . considerou que o governo Irlandês devia integrar nas contas públicas 5,8 milhares de milhão de euros que foram consagrados ao salvamento da banca e contestou a contabilização de 32 milhares de milhão da dívida detida pela NAMA - um bad bank irlandês- aumentando o défice público que atingiu em 2011 os - 13,1% bem acima dos −10,6 % fixados pela troika.
Por sua vez a Itália tem visto a sua situação económica, financeira e social a agravar-se acentuadamente e os financiamentos externos a atingir valores proibitivos
A Austria reinjectou recentemente 1,27 milhares de milhão de euros no KA FINANZ , um bad bank em que o Estado é o único accionista. Mesmo na Alemanha cuja economia abranda o Estado tem garantidos os activos tóxicos de vários bancos- Hypo Real Estate,Westlb,.. e estes continuam a aumentar.
Perante o desastre evidente aumentm as vozes dos que afirmam que é necessário mudar de caminho antes que seja tarde como aconteceu ao Titanic. Mais austeridade auto alimenta a espiral depressiva dizem agora mesmo aqueles que ainda há pouco defendiam o contrário. Aumento dos prazos para reduzir os défices, financiamento dos Estados pelo BCE,diminuição das taxas de juro, euroobrigações para relançar investimentos a nível europeu...
Entretanto mantém-se o ciclo vicioso do desendividamento púbico e privado e os desregulamentos do sistema financeiro que juntamente com a redução do poder e compra dos trabalhadores e da generalidade das famílias são o principal motor do prosseguimento da crise.
AS MARAVILHAS DO NEOLIBERALISMO: A FOME ALASTRA
Sabe-se que em Portugal nas escolas há crianças com fome;
que nas universidades alunos não dispõem sequer do suficiente para pagar as
suas refeições nas cantinas. Srs. comentadores, sem contraditório, dizem que os
alunos não querem pagar propinas, mas vão para o Bairro Alto “beber copos”.
Seria bom que mostrassem o estudo em que baseiam estas afirmações. Mas não é só
em Portugal que a fome alastra.
Diversas instituições de apoio a crianças noticiaram
recentemente como a fome alastra no Reino Unido, sendo particularmente grave
nas escolas de certas áreas. Segundo a ONG Trussell Trust,
organização associada aos bancos alimentares, verifica-se nos
últimos meses se assiste a um enorme aumento da procura de assistência
alimentar: «O que temos visto indica-nos que há muitos milhares de pessoas que
sofrem de fome neste país, pessoas que têm de fazer escolhas difíceis entre
combustível, aquecimento, transporte e comida». «Esta pressão recai
fundamentalmente nas mães e nas crianças».
Refira-se que dados de 2011 referiam que em Nova
Iorque existem 1,4 milhões famintos, revela a Coligação Contra a Fome daquela
cidade. Segundo a organização, entre estas cerca de 40 por cento são crianças.
Neste sentido, vale a pena recordar por um
lado o que dizem os políticos da “economia de mercado” e por outro como se
assiste a retrocessos de muitas décadas graças a esta “eficiência” – para um 1% de
oligarcas à custa dos demais 99%. Mas eis um pouco da história desta tragédia.
(1)
Em 1906 foi introduzido na Grã-bretanha o apoio alimentar às crianças
pobres nas escolas públicas. Isto devia-se, aliás, tal como outras medidas
anteriormente tomadas, à preocupação com a condição física dos trabalhadores e com a capacidade de recrutamento militar necessário à manutenção
das conquistas coloniais. Em 1944 estas refeições escolares foram tornadas
obrigatórias sendo servidas grátis ou ao preço de custo. Estas refeições
estavam sujeitas a critérios nutricionais oficialmente definidos desde 1906.
Em 1980 a D. Thatcher promulga um Ato Educacional que
termina com os requisitos de critérios nutricionais e obriga as autoridades a
abrirem o fornecimento de refeições ao sector privado pelo "Compulsory
Competitive Tendering”, devendo o serviço ser retirado das autoridades locais e
concedido à empresa que apresentasse a melhor proposta de preço. Isto é,
transformou-se um serviço público educacional e nutricional numa operação comercial.
O corte nas despesas levou a que desde logo meio
milhão de crianças perdessem o direito a refeições gratuitas. Posteriormente,
em 1986 este número aumentou com novo diploma sobre a Segurança Social, deixando
muito mais crianças de serem elegíveis para refeições gratuitas.
Estas alterações trouxeram novas oportunidades de
mercado para empresas privadas que instalaram serviços de cafetaria e máquinas
automáticas. As considerações mercantis sobrepuseram-se às sociais e
educacionais, pois os aspetos nutricionais deixaram de constituir uma parte da
educação das crianças e jovens. Cerca de metade das escolas tinham em meados
dos anos 2000 serviços total ou parcialmente privados.
A privatização do serviço levou a que considerações
sobre o lucro se sobrepuseram às da saúde, cortando custos nos ingredientes, privilegiando
comida embalada e processada com elevado teor de gorduras, açúcar e sal e pobre
em vegetais e frutos frescos.
Apesar dos cortes nos salários e direitos dos
trabalhadores e nos ingredientes, os custos aumentaram 30% entre 1995 e 2001,
quando pela inflação deveriam ser apenas 19% maiores. O que não será apenas atribuível a aumento de lucros,
mas aos custos de gestão, distribuição, processamento e embalagem das
refeições. As autoridades locais que tinham perdido já a anterior capacidade de
servir refeições passaram a gastar muito mais do que o previsível.
Pela mesma razão que em 1906 o governo foi obrigado a
tomar medidas para proteger as crianças – a ganância capitalista o Department
of Health alertou - aliás sem consequências - para “o baixo nível da dieta” e a “pobre qualidade dos
produtos contendo resíduos de pesticidas, e uma dieta dominada por alimentos
processados baratos e itens de “fast food”, com excesso de gordura, sal ou
açúcar refinado e precariamente baixos nos nutrientes essenciais”. Análises às
refeições servidas mostraram que as crianças recebiam, mais 40% de sal que o
recomendado, 28% mais de gordura, 20% mais de açúcar, mas apenas 80% do ferro
necessário.” Assim em 2003 28% das
crianças tinham excesso de peso e 14% podiam ser consideradas obesas.
O estudo salientava ainda a relação entre a nutrição e
o comportamento e a saúde mental, tal como hiperactividade e autismo. As
crianças seriam assim particularmente sensíveis às consequências dos aditivos,
falta de ferro e zinco, químicos usados na agricultura.
Na prática, a cultura dos custos quantificáveis
próprios da privatização do serviço predominou acima de outras considerações, conduzindo
à deterioração das refeições, e abrindo a porta a que um pequeno número de
transnacionais ganhasse uma crescente quantidade de contratos.
Trabalhadores de longos anos como funcionários de
serviços públicos foram despedidos sendo depois em certos casos admitidos em
condições de precariedade e salários mínimos.
Como conclusão, a fome aumenta, mas a obesidade o o
diabetes também. Eis o admirável mindo novo dos srs. V. Gaspar, P. Coelho e não
só – de todos os “troikanos”.
1 - www.corporatewatch.org - SCHOOL MEALS - September 2005)
25 de abril de 2012
25 de Abril Sempre!
Uma intervenção a registar
http://www.pcp.pt/sessão-solene-do-38º-aniversário-do-25-de-abril
Sessão Solene do 38º Aniversário do 25 de Abril
Quarta 25 de Abril de 20121.Uma crise profunda brutaliza a pátria portuguesa. Uma crise encaixada, embebida na crise do capitalismo. Uma crise que “revelou”, todas as fragilidades, todos os défices estruturais, todos os estrangulamentos do País. Um processo cumulativo, que agora implodiu e explodiu, detonado pela crise do capitalismo.Bateu-nos à porta e não pediu licença para entrar. Estava cá dentro em gestação. Não aconteceu por acaso. É o resultado de opções políticas. Tem responsáveis: PS, PSD e CDS/PP, os partidos, os seus dirigentes políticos, os seus governos, que assumiram ao longo dos últimos 36 anos a política de recuperação capitalista, latifundista e imperialista e golpearam o regime de Abril, com sucessivas contrarrevoluções legislativas e revisões constitucionais.E eis que ontem, esses partidos, PS, PSD e CDS/PP, pretensamente para responder ao desastre nacional a que conduziram o País, subscreveram um Pacto de agressão e de traição a Portugal e aos portugueses. Um Pacto que pela sua natureza e conteúdo é um ajuste de contas com Abril, que hoje comemoramos!Um Pacto que agride núcleos da soberania e independência nacionais. Aceitando imposições externas sobre a organização dos tribunais, um Órgão de Soberania.Impondo um novo riscar do mapa das freguesias e concelhos. Um Pacto, que agora com o dito Tratado Orçamental, pretende impor o visto prévio de potências e poderes estrangeiros, à soberana gestão das contas do Estado português. Impor a jurisdição de tribunais externos sobre o Tribunal Constitucional, sobre a Constituição da República.Sabemos como alguns justificam a submissão ao Pacto. Seria a recuperação da soberania económica, pelo saneamento das contas do Estado.É uma fraude política. As imposições económicas, as taxas de juro, os prazos e as condições da aplicação, não asseguram qualquer sustentabilidade presente ou futura das contas públicas.E é uma blasfémia política. É como se o caminho para resistir a Castela em 1383/1385, passasse por fugir a Aljubarrota. Como se o caminho para afirmar a independência nacional em 1580, passasse pela aceitação do jugo filipino. Como se o caminho em 1808, fosse a fuga para o Brasil e a colaboração com os ocupantes e não a resistência às invasões napoleónicas.Percebemos o afã no apagamento simbólico da história pátria, do 5 de Outubro, do 1º de Dezembro, ou da marca da história no desenho das freguesias e concelhos.As classes dominantes, grande parte das suas elites, sempre foram, com excepções, permeáveis à colaboração com o estrangeiro opressor e explorador, em defesa dos seus interesses de classe. Foram as forças do capital monopolista restaurado e as forças políticas, PS, PSD e CDS, que impulsionaram a sua restauração, que transformaram o Estado Português no processo de integração comunitária, numa enorme junta de freguesia. As mesmas forças, que agora aceitam a sua transformação num protectorado da Alemanha.E tem sido sempre, o pé-descalço, os condenados da terra, os trabalhadores e o povo, com outros patriotas de muitas condições sociais, a levantar a voz, a erguer a resistência, a dar o corpo à revolta. Foi assim que chegamos e fizemos Abril!Um Pacto de agressão aos trabalhadores e ao povo.
Que tem como outro vector a guerra ao trabalho. Ou seja, consolidar o modelo de mão-de-obra barata, precária e baixo valor acrescentado, que trouxe o País até à crise.A contrarrevolução na legislação laboral e o crescimento da massa dos desempregados, o exército de reserva, só têm um objectivo: baixar o preço da força de trabalho! A variável única de ajustamento dos desequilíbrios económicos do país, para os testamenteiros do Pacto.Este foi e é o caminho do desastre. E, é uma enorme mentira política, que nem os cânones da economia capitalista consentem, fazê-lo em nome da produtividade e competitividade e do emprego. Nenhuma trabalhadora têxtil, que leva para casa, ao fim de uma vida de trabalho de 35 anos na mesma empresa, o SMN/485 euros, vai ser agente de mais produtividade. Um colossal embuste, que os dados empíricos pós sucessivas reformas da legislação laboral, não consentem como argumento, para melhorar a produtividade e combater o desemprego.
Um Pacto de agressão e regressão social e civilizacional na restrição e encarecimento do acesso à saúde, ao ensino e aos apoios sociais, visando de facto a destruição do Serviço Nacional de Saúde, da Escola Pública, do Sistema Público de Segurança Social. Um Pacto que agravará as desigualdades sociais e as assimetrias regionais.Um Pacto de agressão e regressão na soberania económica do país, com a liquidação do que ainda restava de instrumentos de comando estratégico do Estado em sectores e empresas estratégicas de bens e serviços essenciais. Pela dádiva das golden shares/acções privilegiadas, pela conclusão da privatização/venda a pataco do que restava das posições do Estado.E tem um grande simbolismo, que em vésperas do 25 de Abril, um Governo que inscreveu no seu Programa, a reindustrialização do país, tenha dado luz verde ao processo de desmantelamento e deslocalização da que é hoje a principal empresa industrial em Portugal: a CIMPOR, uma construção de Abril!2. A crise do capitalismo, obriga a classe dominante a redobrados esforços de manipulação para explicar e esconder as causas e os responsáveis pela catástrofe.
Depois da Europa connosco, da Adesão à CEE, do euro, sempre apresentados como caminho de sentido único e inelutável e garantia do paraíso na terra, os portugueses não precisavam de se preocupar com essa coisa da produção nacional. (Houve quem teorizasse sobre a desmaterialização da economia - na nova economia, não precisávamos nem de agricultura nem de produzir, ferro, cimento, ácido sulfúrico!) Não precisávamos de nos preocupar com o endividamento externo e o financiamento do Estado. Abrigados sob a asa protectora da União Europeia, do euro, estávamos a salvo das crises monetárias e financeiras. União Europeia que regularmente ia despachando para Portugal uns milhares de milhões de euros…como contrapartida à destruição do aparelho produtivo!É assim que a imposição do Pacto de agressão, aparece como um absurdo, uma irracionalidade!Justificações: “Todos somos responsáveis pela situação a que o País chegou”. “Vivemos acima das nossas possibilidades”. Ou seja, a extraordinária ideia, de que todos somos culpados e de que todos comemos mais do que devíamos. Os ricos e os pobres, os que enriqueceram e os que empobreceram e se endividaram. Os desempregados e os que os despediram, os que põem o seu dinheiro nos offshores ou na Holanda para fugir ao fisco. Os grupos monopolistas, que centralizaram e concentraram capital, e engordaram nos jogos bolsistas, na especulação financeira, na produção privatizada de bens não transacionáveis, e as pequenas empresas, que faliram ou sobreviveram por recurso ao crédito.Teses que partilharam o espaço mediático com outras justificações/explicações da crise.A explicação da crise como catástrofe natural, um tsunami, “naturalizando”, neutralizando, as suas causas. A explicação pelas idiossincrasias e natureza do povo português. O trabalhador português, preguiçoso e indisciplinado, precisa do aguilhão patronal e da fome.Logo facilidades para despedir, menos subsídio de desemprego. O cidadão tem o vício atávico e sadomasoquista de frequentar urgências hospitalares! Logo mais e maiores taxas moderadoras!
A explicação da crise pelas gorduras do Estado, a diabolização do Estado, da despesa pública, do funcionalismo público.A crise é uma oportunidade de ouro para os talhantes neoliberais de todos os matizes raparem as gorduras, com muita carne do lombo à mistura. Justificações e explicações que expulsam a política das causas da crise, a identificação e responsabilização dos responsáveis políticos, dos partidos e dos governantes, PS, PSD e CDS, pelo estado a que chegamos.Justificações e explicações que suportam/desenvolvem as teses da judicialização e criminalização da decisão política. De que os problemas do País decorrem da má qualidade dos políticos e elites políticas. Da (in)competência dos “gestores/decisores” públicos. Da (des)honestidade e da corrupção dos políticos. Não há opções e escolhas políticas e ideológicas. Não há alternativas políticas e políticas alternativas! A política passou a ser uma tecnologia, uma moral, uma engenharia eleitoral.Não há política. Os partidos seriam mesmo outra coisa, que não a representação política de interesses de classe. E assim se elimina o questionamento das opções políticas estratégicas: integração comunitária, privatizações, o Estado de Abril.É assim que carregam a crise – a dívida externa, o défice orçamental, a ruína da agricultura e pescas, a falta de médicos, o desastre da justiça, etc – nas formas orgânicas e eleitorais do sistema político, no regime democrático de Abril. Há quem escreva sobre a “Dívida pública e défice democrático”. E assim se esvaem as responsabilidades dos partidos e políticos, PS, PSD e CDS/PP, que governaram e governam o país, e se absolvem as responsabilidades da integração capitalista europeia e do euro. É assim que se faz de uma anónima classe política a culpada única dos nossos problemas, porque assim ninguém é responsável, mesmo os responsáveis!
É assim que se encena uma monstruosa fraude política, fazendo do nº de freguesias e concelhos os bodes expiatórios dos desequilíbrios das contas públicas. Do nº de feriados, a grande causa da falta de produtividade da economia nacional. Do nº de deputados a origem do desastre nacional. É assim que todos os problemas do País se resolvem facilmente pela criação dos círculos uninominais, pela redução do nº de deputados, pela extinção de freguesias, pelos executivos autárquicos monocolores. Pela mudança dos sistemas eleitorais.E é assim, pensam alguns, que se vai travar a mentira eleitoral e a duplicidade sistémica e sistemática de partidos e políticos deste e anteriores governos. No governo, o contrário do que se dizia na oposição. Na oposição, o contrário do que se fazia no governo. O que é um cancro na democracia!Esta ocultação dos partidos e das políticas responsáveis pelo desastre tem outra face e utilidade. A ocultação de quem afirmou no tempo certo, antes da Adesão, que o euro não era compatível com a produtividade e a economia nacional. De que o euro representava o financiamento do Estado nas mãos dos mercados financeiros. De quem denunciou as consequências da PAC e não descobriu agora o abandono das terras e a importância da produção agrícola. De quem denunciou o abate da nossa frota pesqueira e o fim da marinha mercante e não descobriu agora a importância do mar. De quem travou um persistente combate à privatização e desmantelamento de empresas estratégicas e à liquidação de importantes fileiras e unidades industriais, e não descobriu agora que precisamos de industrializar o País. De quem sistematicamente alertou para a gravidade do vultuoso défice comercial e a insustentabilidade do endividamento externo! O Partido Comunista Português.3.A concluir. Permitam que saúde a festa de Abril nesta Assembleia da República, que não poderá deixar de ser, como são hoje as ruas e praças de Portugal, uma casa de Abril. Permitam que alguém que era alferes miliciano, com a emoção que ainda hoje sinto, lembre e saúde o meu Quartel, a Escola Prática de Serviço de Material, a EPSM de Sacavém, os seus soldados, sargentos e capitães, com quem vivi dias memoráveis. E que saudando os militares de Abril, o MFA, o glorioso Movimento das Forças Armadas, lembre por todos, Vasco Gonçalves, que foi soldado, capitão e general deste povo que não o pode esquecer!Já quase tudo foi dito sobre essa manhã clara e vibrante, quente e luminosa, desse Abril, já tão longe e ainda tão perto, da nossa razão, do nosso sonho, da nossa vida. Dessa manhã amada e armada dos sinos da nossa liberdade colectiva. Dessa alvorada, manhã depois da noite do fascismo. Desse parto e porto de alegria, depois da triste escuridão de opressiva ditadura.Desse sonho acordado e acendido depois de milhares de dias de medos e tormentos, de dores e sangue, de separação e ausências, desses dias cheios de grades, que era “vestido para todas as idades”. Dessa manhã, foz do rio de lutas, de coragens desconhecidas, de mulheres e homens assumidos, de paciências insuspeitas e corrosivo desfilar de desespero, de impotência, do escoar dos dias na desesperança da vil tristeza em que vivia este povo.Rio tão cheio de sacrifícios, de batalhas perdidas e de pequenos passos na consciência das gentes, tão cheio dos operários, tão cheio dos jovens desta terra aberta ao mar e ao sul. Rio cheio do nosso povo.Rio que desaguou fraterno, solidário, de grito aberto nas bocas, de lágrimas sentidas nos rostos, de corpos abraçados de alegria, na manhã clara desse Abril, tão nosso e tão de todos, que ainda hoje sentimos o nó na garganta e uma funda turvação na memória. Desse Abril, Maio na rua. Maio da nossa força, bandeira proletária de luta. De trabalhadores, sem outra ambição que o generoso projecto de quebrar as grilhetas seculares da opressão e da exploração. Dos homens por outros homens. Dos povos por outros povos.E apesar de tudo, o que depois aconteceu, foi assim que avançamos.Abril, que foi o louvor da política, optou. Decidiu o salário mínimo. Optou pelos direitos dos trabalhadores contra os interesses do capital. Optou pelos que não tinham escola nem saúde. Optou pelos sem terra contra os que a tinham em demasia. Optou pela paz contra os interesses dos que faziam a guerra. Optou pela liberdade de todos os povos como fundamento da nossa própria liberdade.E hoje, é o projecto de Abril, os valores de Abril que podem iluminar o caminho a Portugal e aos portugueses. Do passado para o futuro, a liberdade, a democracia, o desenvolvimento, a justiça social, a soberania e a independência nacional!Um caminho de necessária ruptura e alternativa.
24 de abril de 2012
Mais vale tarde do que nunca
Na altura não se deu conta das objecções de Cadilhe , mas mais vale ...
http://economia.publico.pt/Noticia/miguel-cadilhe-nao-deveriamos-ter-entrado-para-o-euro-1543185
"Portugal não deveria ter entrado na “união monetária e na moeda única”. Este foi um dos erros estruturais cometidos nos últimos 20 anos e que se revelaram pesados para o país, segundo o antigo ministro das Finanças, Miguel Cadilhe.
Foi um “erro histórico” entrar no euro. “Avisei que, com a moeda única, iríamos ter mais défices externos, menos PIB efectivo, menos PIB potencial, menos emprego. Chamaram-me eurocéptico e outros mimos que me colocavam a nadar contra-a-corrente”, lembra Miguel Cadilhe em entrevista publicada hoje no jornal i.
“Não deveríamos ter entrado para o euro, hoje não devemos sair”, sublinha porém o antigo titular da pasta das Finanças de Cavaco Silva, apontando ainda outros erros do passado e que hoje se reflectem na vida do país. Houve “enormes gastos públicos”, com decisões como a Expo 98 ou o Euro 2004, e ainda a “escalada da dimensão corrente e primária do Estado”.
http://economia.publico.pt/Noticia/miguel-cadilhe-nao-deveriamos-ter-entrado-para-o-euro-1543185
"Portugal não deveria ter entrado na “união monetária e na moeda única”. Este foi um dos erros estruturais cometidos nos últimos 20 anos e que se revelaram pesados para o país, segundo o antigo ministro das Finanças, Miguel Cadilhe.
Foi um “erro histórico” entrar no euro. “Avisei que, com a moeda única, iríamos ter mais défices externos, menos PIB efectivo, menos PIB potencial, menos emprego. Chamaram-me eurocéptico e outros mimos que me colocavam a nadar contra-a-corrente”, lembra Miguel Cadilhe em entrevista publicada hoje no jornal i.
“Não deveríamos ter entrado para o euro, hoje não devemos sair”, sublinha porém o antigo titular da pasta das Finanças de Cavaco Silva, apontando ainda outros erros do passado e que hoje se reflectem na vida do país. Houve “enormes gastos públicos”, com decisões como a Expo 98 ou o Euro 2004, e ainda a “escalada da dimensão corrente e primária do Estado”.
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