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6 de março de 2016

O povo que pague os bons empregos dos ex ministros

MLALBUQUERQUE

Descaramento , arrogância e falta de escrúpulos

 Maria Luís. Maria Luís Albuquerque, ...que tomou conta das Finanças do país entre 2013 e 2015 decidiu-se pela carreira no privado (mas por enquanto ainda é deputada do PSD). Aceitou ir trabalhar para uma consultora especialista em compra de carteiras de créditos. Como administradora não executiva.
Qual o problema? A referida empresa fez em 2014 avultados negócios com o Banif. Banco em que à época (do negócio e da Sra. ser ministra das Finanças) o Estado tinha uma pequena participação... De 60%.

(....)A própria Maria Luís se queixou do aproveitamento político-partidário da situação. Devia estar, obviamente, a falar de Paulo Rangel e Manuela Ferreira Leite, companheiros de partido (que a criticaram de forma aberta e clara)  In,Expresso diário.
No entanto como se sabe Passos Coelho ,o mesmo que se esqueceu de declarar rendimentos ,o mesmo do caso Banco Efisa , o mesmo ex sócio de Relvas , o mesmo que mente descaradamente com cara séria , entende que o procedimento de Maria Luis  não merece qualquer reparo, que é legal normal e natural !
Legal até pode ser , mas o que não deixa de ser é uma manifesta "pouca vergonha".
No D.N. o seu director comenta o caso  num (p.s.) com a maior brevidade possível  :

"P.S. Maria Luís Albuquerque denunciou, em 2013, os contratos swaps assinados com o Santander entre 2005 e 2007 e o Estado Português foi condenado a pagar 1,8 mil milhões de euros. Durante meses o banco procurou uma solução extrajudicial, e insistiu no assunto, mas Maria Luís recusou e agora terá de explicar-se com detalhe no Parlamento, antes de renunciar ao mandato de deputada. Depois dos desastres no Novo Banco e no Banif, o Santander confirma definitivamente a impreparação de Maria Luís para o cargo que exerceu."

Para o director do DN a dita senhora  revelou impreparação…(Coitada !) . Será só impreparação?
 O ministro dos submarinos e da Moderna teve a mesma percepção quando se demitiu irrevogavelmente , mas depois verificou que descaramento e afirmação não  faltavam  á dita  , portanto boa para cumplicidades e mentirolas…
Passos Coelho comentou o caso dizendo que os swaps são do tempo de Sócrates , o que é verdade mas não acrescenta duas verdades
1-ºQue na altura Maria Luís AL.. foi também responsável pelos swaps na C.P. e que nem ele nem o seu partido alguma vez manifestaram desacordo com estes .
2- Que a sua ministra das Finanças e ele próprio nunca explicaram por que é que recusaram negociar a proposta extrajudicial  apresentada pelo Santander .
Mais uma vez  “ que pague o pagode “ e que ninguém vá preso! 
Valha-nos Santa Bárbara…embora o país precisasse de uma boa trovoada.



29 de fevereiro de 2016

O que eles dizem


O fardo da Helena Garrido

Há uns anos Helena Garrido, nas páginas do Negócios, atirou-se à banca. Deve ter percebido que tal posição no Negócios não rendia e nunca mais se atreveu
Hoje é directora!
 Há uns dias mostrou-se compungida com as críticas que eram feitas à banca.
 A banca, coitadinha, é a sua nova dama!
Recentemente escreveu sobre o «Novo Banco» e sobre uma eventual nacionalização, cruzes canhoto. Ficou assombrada por o seu colega de quadrante ideológico defender que se pondere a nacionalização do Novo Banco e, como não tem argumentos, joga com o preconceito anti-comunista: Vítor Bento e PCP defendem o mesmo. Helena Garrido dixit.

O tacho
O Governador do Banco de Portugal, com o maior dos descaramentos, veio dizer que «seria curioso» demitir-se «por um pequeno incidente». O governador faz humor sem o saber.
Acrescentou, depois, que o incidente estava sanado porque o primeiro-ministro disse que a independência do Banco de Portugal não estava em causa.
O Banco de Portugal é, formal e estatutariamente, independente. O primeiro-ministro não podia dizer outra coisa. Mas o primeiro-ministro não disse que o Governador do Banco de Portugal era independente. E de facto não é. Foi um cúmplice útil do anterior governo e tem a mentalidade e o comportamento de um alto quadro do BCE, a quem julga dever obediência e não a Portugal, como se viu no caso BANIF.
Fazia um grande favor ao país se se demitisse, mas continua agarrado ao tacho que nem uma lapa.

A pirâmide dos ricos: política de austeridade!
Passos Coelho afirmou recentemente que a «austeridade não é de esquerda nem de direita. É o que sobra quando acaba o dinheiro». 
Um jornalista do Expresso colocou-o nos "altos#. Gostou da afirmação!
 A dita «austeridade» continua a servir de biombo para lançar a confusão.
Repetimos mais uma vez que o que houve foi política de concentração de riqueza ,política de concentração e centralização de capitais e de privatização de tudo o que, sendo público, pudesse ser lucrativo.
Mas se se chamasse à política seguida por Passos, política de concentração de riqueza, o que de facto foi, como mostram os indicadores, nenhum jornalista perguntaria pela alternativa à política de concentração de riqueza, nem nenhum jornalista aceitaria a aldrabice de que a política de concentração de riqueza não é de esquerda nem de direita.

A insuportável verdade dos factos para Sousa Tavares
Sousa Tavares esquece o BES, diz que é uma questão de família!
Ao autêntico roubo feito às carteiras dos contribuintes pelo BES, Sousa Tavares remete-se ao silêncio.
Fala da banca e do Novo Banco, que teve prejuízos(embora tenha tido lucros operacionais ), mas nada nos diz das responsabilidades  do BES e do seu compadre.
Procura meter tudo no mesmo saco para, no fundo, atingir duas finalidades: desculpabilizar o BES e defender a banca privada.
O seu argumento é o exemplo da Caixa Geral de Depósitos há vários anos a dar prejuízo , e sem ter ainda devolvido ao Estado o dinheiro que lhe foi adiantado.
É certo que não basta à banca ser pública , quando o poder está ao serviço dos grandes interesses privados.
Foi a Caixa que financiou boa parte dos candidatos nacionais às privatizações , designadamente no inicio em que estes não dispunham de capital..
Foi a Caixa que teve nos lugares cimeiros , os Varas , Celestes Cardonas... e que ainda com o último governo dividiu os lugares pelo PSD e CDS.
Mas quanto à qualidade técnica a banca privada não teve um desempenho muito diferente , como o mostra o BES, o Banif , o BPN, o BPP...
Mas mesmo assim a Caixa foi a instituição bancária que ao longo destes anos mais impostos pagou  , a ùnica em que os lucros foram para o Estado e ao contrário das outras o seu património mantém-se de pé , é nacional e público. 
Uma pequena diferença dirá Sousa Tavares . Uma grande diferença para quem defende o País e a sua soberania . 

28 de fevereiro de 2016

Domingos Abrantes ao DN

No passado dia 20 de fevereiro o DN publicou uma notável entrevista dada por Domingos Abrantes, a propósito da sua nomeação como Conselheiro de Estado. Vale a pena ler na íntegra. Este destacado militante apesar dos seus 80 anos mostra uma lucidez e coerência a todos os títulos digna de registo. As respostas as perguntas algo provocatórias acerca de Adriano Moreira e Álvaro Barreto são de antologia. Ei-las: 

Como se sente em relação ao facto de, como conselheiro de Estado, se sentar à mesma mesa que Adriano Moreira, ministro de Salazar que presidiu a um regime contra o qual combateu grande parte da sua vida? 

Já me cruzei com o professor Adriano Moreira noutro contexto. Fomos deputados na assembleia durante 10 anos. Cada um está no Conselho de Estado por direito próprio. É um facto que Adriano Moreira foi ministro de um governo fascista, responsável por decisões graves, como foi a reabertura do sinistro campo de concentração do Tarrafal (Cabo Verde), onde foram assassinados 32 presos, ou, como ministro do Ultramar, responsável pela repressão dos povos coloniais. Também nunca morreu de amores pelos comunistas, a quem sempre atacou de forma violenta. Quanto a estarmos juntos no Conselho de Estado,
não posso deixar de fazer uma reflexão. No tempo do fascismo, durante o qual ele foi ministro, eu estava na cadeia. Hoje, no Portugal de abril, para o qual ele não contribuiu obviamente, ele pode ser conselheiro de Estado, deputado... Resta saber se Adriano Moreira tira alguma conclusão da diferença
 
Um colunista do DN, António Barreto, escreveu há semanas uma crónica muito crítica para os comunistas portugueses, dizendo que eram um sintoma do atraso do país, deixando implícito que para os combater tinha que ser pela força. Sente que é a opinião de muita gente?
 
A natureza por vezes é demasiado cruel para algumas pessoas quando chegam a certa idade. António Barreto é uma personagem pouco séria intelectualmente. Barreto já foi tudo na vida. Esquerdista, comunista, socialista, social-democrata. Ultrarrevolucionário quando estava longe da polícia política, na Suíça e contrarrevolucionário no Portugal de Abril. Ele faz parte de uma fauna que quando não sabe explica. Desliza a grande velocidade para posições fascizantes. Basta ver as suas posições sobre a revisão da Constituição e o que defende para a arquitetura do Estado. Nessa crónica expressa um argumento típico do fascismo, a defesa da violência contra os comunistas. Sofre da síndrome dos pigmeus. Acredita que bolsando lama sobre os grandes se torna gigante. É uma doença incurável. Precisávamos que o Eça ressuscitasse por algum tempo para se ocupar de certas abencerragens.

23 de fevereiro de 2016

Os dramas do PS

Os comentadores de serviço mostram-se agora muito preocupados com os impostos e as famílias depois de passarem 5 anos a justificarem e aplaudirem tudo o que o PSD-CDS fizeram. O problema era apenas de “comunicação”, isto é, apesar dos esforços deles próprios “comentadores” parece que a população não se deixava tosquiar sem protestos, mesmo com o colaboracionismo da direção da UGT.
O PS ‘independentemente de boas e louváveis intenções em certas áreas pretende no seu OE fazer uma política não neoliberal, com os instrumentos e medidas neoliberais, as únicas permitidas pela UE....É este um dos dramas do PS.
Citemos alguns vetores essenciais ao desenvolvimento não possíveis com as “regras europeias”: planeamento económico elaborado pelo Estado maximizando benefícios sociais, banco estatal dedicado ao apoio ao investimento produtivo em função do plano, controlo público do sistema financeiro posto ao serviço do desenvolvimento e não da especulação, além de várias outras medidas propostas por exemplo no programa eleitoral do PCP como as referentes à tributação do grande capital e controlo público dos sectores económicos estratégicos.
O ministro Augusto Santos Silva (ASS) evidenciou outro drama em que o PS se envolve. ASS fez na Comissão Parlamentar dos Assuntos Europeus uma intervenção no mínimo absurda sobre o chamado tratado de parceria transatlântica (TTIP). Disse então que a “UE conduz o processo em nome de todos nós”. Frase que não passa de uma mistificação. Não é a “UE” a conduzir o processo mas burocratas que dominam dossiers aos quais nem os deputados do PE têm livre acesso. É exigido segredo e não podem ter consigo algo que posa de alguma forma reproduzir a documentação que lhes seja proporcionada sem saberem se está completa ou se é a mais relevante.
ASS não se coibiu de encómios ao TTIP, para ele “é essencial concluir com êxito o esforço de ligação atlântica entre os EUA e a “Europa” como um requisito essencial para a saúde da economia global”, etc., etc.
O que é que este senhor aprende com a realidade? Nada. A crise global que persiste e se agrava de novo mostra o fracasso da globalização capitalista e eles nem sequer o entendem quando afirmam que desta vez é devido aos problemas económicos dos BRIC!
A UE tornou-se um fantoche da geopolítica imperialista dos EUA. A UE cuja prioridade externa seria paz e colaboração nas suas fronteiras para sair da crise em que mergulhou, não passa de um peão dos EUA colaborando nas suas agressões e ingerências, colocando-se ao lado dos neonazis de Kiev, assumindo as sanções impostas por Washington mesmo que isso tenha consequências desastrosas para as economias europeias .
ASS fala na transparência que deve existir no TTIP, que os parlamentos nacionais devem participar no processo, que não é aceitável a arbitragem privada. Piedosos votos que serão objeto da cosmética já experimentada nos tratados da UE, quando o objetivo é só um: colocar os Estados e os seus povos ao serviço das transnacionais podendo ser penalizados se isso não ocorrer. Fazer dos cidadãos súbditos das empresas e as funções sociais transferidas para os grandes interesses privados.

Espirros

As reformas estruturais
O chapéu das ditas «reformas estruturais» tem sido, e continua a ser utilizado para se evitar chamar os ditos pelos nomes.
Falam em reformas estruturais para evitar falar no que defendem de facto: reduzir os salários reais, as reformas e pensões, reduzir e privatizar o serviço nacional de saúde, o ensino público, a segurança social.

Renegociação da dívida
Alguns comentadores «bem pensantes» dizem que o PCP fala na renegociação da dívida sem se dar conta que, ao levantar a questão da renegociação, está a dar armas aos «mercados» e às empresas de rating para avaliarem negativamente a situação.
Não questionam a substância mas sim como podem reagir os «mercados. Para estes, o país e os partidos devem obediência aos mercados.
Não debatem a questão central: esta dívida é sustentável? Esta dívida não nos bloqueia o desenvolvimento e o investimento? E se sim, então não se deve tudo fazer para diminuir os custos da dívida e do seu montante?
Não gostam do termo «renegociação», então defenda-se a redução do «serviço da dívida» (juros e amortizações).
Ou será que os ditos comentadores não estão de acordo com a redução dos custos da dívida?

O mito da independência do Banco de Portugal
O governador do Banco de Portugal diz-se independente e pelos estatutos do Banco é o formalmente . Mas  ao longo do seu mandato, as suas mais importantes decisões têm sido as   de um mero funcionário zeloso do Banco Central Europeu ou de cúmplice do anterior governo, designadamente no encobrimento das  responsabilidades deste em vários casos
Não é também verdade que adiou a venda do BANIF porque  a ministra das Finanças da altura se opôs, deixando arrastar a situação para servir os interesses eleitorais do PSD e do CDS?
Não é verdade que vendeu o BANIF «limpo» ao Santander por imposição do BCE e da Direcção Geral da Concorrência, comportando-se, de facto, como uma correia de transmissão destes?
Não é verdade que o governador do Banco de Portugal fez o frete ao governo e à sua ministra das Finanças na «Resolução do BES», mantendo-se em silêncio quando o governo vendia a ficção de que nada teve a ver com o BES, e que tudo foi feito pelo Banco de Portugal, deixando pairar a ideia que o governo só teve praticamente conhecimento a posteriori.
Não. O governador do Banco de Portugal nunca foi, nem nunca se comportou como independente.
Não foi independente em relação aos banqueiros, que devia supervisionar. Recorde-se o folhetim do BES e da idoneidade de Ricardo Espírito Santo.
Não foi independente em relação ao governo, e teve como prémio a sua recondução.
Não foi, nem é, independente em relação ao BCE. 
Não é, nem foi, independente na prática , como  os factos o demonstram, mas serve-se da independência formal para se manter no lugar. Entende que deve continuar a servir o capital financeiro, os grandes interesses e o sacrossanto Banco Central Europeu. Não tem a dignidade de se demitir. Era um serviço que fazia ao país.
A independência dos bancos centrais sempre foi um mito e repousa na ficção da separação e autonomia da política monetária em relação às outras políticas.
A neutralidade da política monetária também é outro mito e a ela voltaremos mais tarde.

Orçamento
A direita e os seus prestimosos comentadores continuam a insistir na carga fiscal, no nível de «austeridade». Dizem que afinal o nível de austeridade se mantém, o que há é uma outra distribuição! Pois é!
Como as políticas anteriores foram de concentração de riqueza, políticas que levaram a uma enorme concentração e centralização de capitais, a que, eufemisticamente e ideologicamente se chamou de políticas de austeridade, do que se trata é de reverter estas políticas. Reverter a política de concentração de riqueza.
Alguns impostos até poderiam e deveriam ser criados, como por exemplo um imposto sobre as transacções financeiras, ou sobre a grande distribuição...
O termo «austeridade» dá muito jeito para esconder as políticas favoráveis às classes dominantes.

Os gestores da Banca

Crédito sem garantias

Os dados publicados pelo Banco de Portugal no boletim estatístico de Fevereiro indicam que 46,7% do total de 23.874 milhões de euros de crédito ao consumo e outros fins concedido pelo sistema financeiro português existente no final de 2015 não estava abrangido por nenhuma garantia que previna a entrada em situação de incumprimento dos seus titulares. Esta percentagem corresponde a um total de 11.149 milhões de euros. Qual o problema? Simples: os balan
ços das instituições financeiras estão presos por arames.(D.N.)
Adivinhem quem vai pagar a factura ....