A derrota do congressista Thomas Massie nas primárias republicanas do Kentucky é um marco da disciplina imposta por Donald Trump ao Partido Republicano, exemplificando o risco político para dissidentes internos. O presidente de sete mandatos perdeu para Ed Gallrein, apoiado por Trump, numa das disputas mais caras da história.
A Estratégia de Cerco: Poder Financeiro e Político
Reação e Futuro: "Comprem o Assento"O trumpismo não é um elemento estranho ao sistema americano. É a sua expressão mais brutal, cínica e fiel. Trump é a emanação distorcida de uma América que perdeu seus mecanismos de controle e equilíbrio.
Um sistema inteiramente sujeito ao fetichismo do dinheiro, onde a superestimação de si mesmo e a busca pelo ganho imediato substituíram toda a realidade.
Para deter Trump, só existe o próprio Trump.
Porque ele está destruindo, sem se dar conta, os próprios alicerces do poder americano.
Desde 1945, os Estados Unidos vinham se beneficiando de uma renda colossal: domínio monetário, militar, cultural e tecnológico. Essa renda estava diminuindo, mas permanecia explorável graças a um consenso, credibilidade e "investimentos indiretos" acumulados ao longo de décadas.
Trump, assim como grande parte da elite e do eleitorado americano, optou pela pilhagem imediata em vez da recuperação paciente. Ele está destruindo a confiança, monetizando os bens materiais e desmantelando os mecanismos que permitiram a sobrevivência do sistema falido.
Ele aposta tudo — aposta a fazenda inteira — numa corrida desenfreada e perdulária.
Nenhuma de suas grandes promessas produziu ainda os resultados esperados.
Ele age como o vigarista que, depois de construir pacientemente uma reputação, decide de repente enganar a todos e ficar com nada de uma vez.
Seu calcanhar de Aquiles é também sua aparente força: A Arte da Negociação.
Trump acredita sinceramente que é um negociador genial.
Ele pensa que vencer seus oponentes é o mesmo que derrotar a Realidade. Erro fatal. Você pode manipular o petróleo em papel, pressionar, assinar acordos de poder. Isso não muda a realidade física do petróleo.
Bolhas financeiras e avaliações podem ser inflacionadas. Isso não elimina a escassez, as limitações materiais e a inércia do mundo.
A Inteligência Artificial que ele ostenta como um totem não se impressiona com tweets ou pressão: ela obedece à física, à energia, aos dados, à complexidade real.
Trump não compreendeu que a supremacia americana não era autossuficiente. Ela se baseava na exploração "suave" do resto do mundo, no trabalho não remunerado de outros e na constante extração de excedentes de produção.
Como muitos capitalistas americanos, ele acredita que produz a riqueza que extrai. Vive num mundo mágico onde se pode prescindir das realidades que se exploram. É essa ilusão que causará sua ruína. Não seus rivais políticos, não os eleitores, nem mesmo os juízes.
A realidade acabará por impor a sua lei: escassez de energia, resistência geopolítica, limitações tecnológicas, tensões financeiras.
A repulsa dos mercados será apenas um sintoma entre outros.
O trumpismo não é a cura para os males da América. É a sua forma mais aguda e mais "honesta". E é precisamente por essa razão que ele se despedaçará diante da dura realidade do mundo. BB

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