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24 de maio de 2026

Os EUA e a “guerra até o fim” de Israel - 2

 Afirma Douglas MacGregor, ex-conselheiro do Secretário de Defesa dos EUA: "Se não conseguirmos forçar o nosso regresso ao Golfo Pérsico, e penso que é bastante claro, não conseguiremos, isso significa que estamos acabados na região". "Não vamos voltar para aquelas bases, não haverá nada para reconstruir". Porém, tal retirada da região é "a maior preocupação do sr. Netanyahu".

A perceção do declínio dos EUA é cada vez mais forte, no entanto, baseia-se em mais do que a sua incapacidade de se adaptar à guerra assimétrica do Irão. Significativo é a dissonância cognitiva que reina na Casa Branca e a noção de que os EUA são um parceiro nas agressões de Israel em toda a região.

Os EUA legaram a Israel a mesma doutrina de domínio da guerra aérea, sustentada por aeronaves americanas extremamente caras, com o objetivo dar a Israel uma vantagem decisiva para a sua supremacia regional. O fracasso de Israel no Irão, a sua impreparação desastrosa perante o Hezbollah e a guerra em Gaza - um horror que não termina - são a evidência do fracasso dessa abordagem.

A doutrina de defesa de Ben Gurion, fundador do Estado de Israel e seu primeiro primeiro-ministro, era diferente. Israel sendo geograficamente um pequeno Estado, com uma população reduzida e recursos económicos limitados, não teria condições de manter um grande exército profissional permanente. Precisaria de um pequeno exército profissional, apoiado quando necessário por um elevado contingente de reservistas. Necessitava de uma economia forte para sustentar a comunidade e o Estado o que reforçava a necessidade de um exército pequeno.

Porém, Israel com o seu desejo de hegemonia e expansão, adotou o “modo de guerra” dos EUA. A paz desapareceu do léxico e tornou-se sinónimo de fraqueza, Nethanyahu e a sua coligação, mantêm-se sem alternativa na esperança de que Trump lhes permita voltar à guerra em Gaza, no Líbano e no Irão, a fim de continuar "atacando", "destruindo" e "esmagando".

O limiar da paranoia foi ultrapassado em 07 de outubro 2023, embora fosse a resposta a anos de ataques contra populações civis e campos de refugiados. O professor Omer Bartov afirmou que o ataque do Hamas, foi enquadrado como um ato semelhante ao Holocausto tornando-se o cimento que une a sociedade israelita, considerando que o Hamas é nazismo. Criticar as respostas militares de Israel é ser antissemita.

Bartov argumenta que o dia 07 de outubro fez com que os israelitas entendessem o Holocausto como “algo sempre à espreita; que haverá outro Holocausto se [Israel] não enfrentar cada ameaça com força total e destruí-la pela raiz”.

Numa entrevista o professor e ativista israelita Idan Landau, afirma que Israel adotou uma postura de “guerra permanente” e "enquanto os EUA e a Europa continuarem a não responsabilizar Israel pelas consequências morais de suas políticas", as coisas vão piorar.

Este relato da política atual de Israel está no cerne do revés que a América enfrenta, muito além da perda de reputação decorrente de uma guerra deliberada e mal conduzida contra o Irão. Além de que a “guerra permanente” tem levado a formas de crimes de guerra.

Trump associou-se a uma guerra genocida, messiânica, formulada por Israel para destruir o Irão e a Resistência, e para consolidar a ambição de Israel de deslocar ou “destruir pela raiz” as populações nativas. Esta política que na UE, em particular na CE, é objeto de absoluto branqueamento, repugna à “maioria mundial”, degradando a reputação global dos Estados Unidos.

Netanyahu, no programa 60 minutos disse que a guerra (permanente) não acabou: “Acho que conseguimos muito, mas não acabou porque ainda há material nuclear, urânio enriquecido que precisa ser retirado do Irão, instalações de enriquecimento que precisam ser desmanteladas, grupos proxy que o Irão apoia e mísseis balísticos que eles ainda querem produzir. Já os enfraquecemos muito, mas tudo isso ainda está e há trabalho a ser feito”.

Netanyahu não se importa com as consequências nem para a economia dos EUA nem para a economia Europeia, nem com a instabilidade política que pode resultar disso. Ele também não se importa com os Estados do Golfo que sofrerão e talvez sejam destruídos se os EUA retomarem a guerra em grande escala.

Ele importa-se apenas com a hegemonia hebraica e messiânica (e sua sobrevivência política) mesmo que a América pague o preço em termos de reputação e economia.

As declarações do coronel Evental na internet, amplamente divulgadas em língua hebraica. argumenta que a única maneira de salvar Israel é retornar à fórmula original de Ben Gurion: Israel deve viver dentro de suas fronteiras e compreender que a ação militar deve ser complementar à busca de soluções políticas.

Fonte: Israel’s ‘war to the root’ may unravel America — Strategic Culture



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