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3 de maio de 2026

A luta, é urgente, exigente e prolongada

 A frase é do SG da CGTP, Tiago Oliveira, no 1º de MAIO, está correta e tem toda a oportunidade, num momento em que o ataque aos direitos laborais coloca em risco não apenas o nível de vida, mas também as liberdades democráticas e o futuro de gerações. Uma revisão constitucional ultrarreacionária está na agenda da direita e extrema-direita ao serviço do grande capital corroendo a liberdade, as condições de vida, o futuro do país e das pessoas.

A direita conta com os media e seus trafulhas - alguns apresentados como esquerda - para consumar a submissão às oligarquias e ao imperialismo. Os papagaios dizem que a inflação é de 3%, quando o preço do cabaz alimentar aumentou 40% desde 2022; a GALP atingir nos primeiros três meses do ano lucros recorde de 207 milhões de euros, mais 40% face aos primeiros três meses do ano transato. (Tiago Oliveira). São as vantagens (para quem?) das privatizações.

Sem dúvida que a luta será prolongada, e sem dúvida difícil, mas para além da conquista ou reconquista de direitos e garantias, não se pode perder de vista e ter consciência que fundamentalmente a lógica e procedimentos deste sistema baseado na exploração têm de ser decisivamente invertidos.

Com guerras a decorrer e as populações confrontadas com dificuldades acrescidas, a riqueza dos milionários aumentou 16% em 2025 para um recorde de 18,3 milhões de milhões de dólares três vezes o crescimento anual médio dos últimos cinco anos, de acordo com a Oxfam. Desde 2020, a riqueza dos milionários aumentou 81%. A maior parte da riqueza dos milionários é obtida por clientelismo, poder de monopólio, práticas neocoloniais.

Com o poder oligárquico tornado dominante a democracia esvai-se. Os super-ricos financiam os políticos que se propõem desenvolver o poder e riqueza das ditas elites. Influenciam a educação, o meio académico, os media e redes sociais (algumas usando IA) para verdades inconvenientes serem ignoradas.

Mudar de sistema torna-se ainda mais urgente com as tecnologias em desenvolvimento como a IA. Sectores progressistas têm alertado que a IA conduzida pelo grande capital traz consigo um tecno-fascismo. Nos Estados Unidos as grandes empresas estão a preparar ou já a concretizar despedimentos massivos de força de trabalho, com a justificação de serem mais eficientes.

Nada de novo: no passado, seguindo as justificações do capital, a aplicação de melhorias tecnológicas traduziu-se sempre no aumento da exploração. Só a luta, muitas vezes, dramática, dos trabalhadores o impediu deitando por terra aquelas argumentações.

Os mesmos que se riem, parvamente, dos Planos económicos soviéticos, que transformaram um país pobre devastado por uma guerra dita civil e intervenções do imperialismo, numa superpotência, fazem por ignorar a exploração dos países submetidos ao imperialismo cujos planos os mantêm cada vez mais pobres.

Um exemplo de atualidade tem que ver com os veículos elétricos, revelado pelo ex- funcionário da ONU Andrew MacLeod, que apontou abusos dos direitos humanos nas cadeias de fornecimento de cobalto, tântalo e minerais de terras raras para baterias, na República Democrática do Congo, extraídos por crianças de 14 anos.

A generalidade dos consumidores seduzidos por uma falsa modernidade capitalista, ignora ou prefere ignorar, o mundo de exploração laboral e as realidades geopolíticas por trás dos produtos que alimentam carros, telemóveis e outros dispositivos.

Enquanto as desigualdades não deixam de crescer: pelo menos 26 milhões de milhões de dólares cerca de um terço do PIB global estão em contas offshore. O sistema financeiro global esconde um mundo offshore silenciosamente movido, protegido de impostos e escrutínio. As Ilhas Caimão albergam cerca de 85% destes fundos. Sistemas que ajudam as elites a evitar impostos nos seus países. Fugas como os Documentos do Panamá, os Documentos do Paraíso e os Documentos de Pandora expuseram o sistema, envolvendo políticos, multimilionários e multinacionais.

No dito país capitalista mais rico, a desigualdade nos EUA níveis extremos, 10% dos mais ricos detêm  quase 70% da riqueza nacional total - dados da Reserva Federal do quarto trimestre de 2025. Os 0,1% mais ricos (cerca de 136.000 famílias) controlam cerca de 25 milhões de milhões de dólares, 5 vezes mais que os 50% mais pobres (cerca de 66 milhões de famílias). A esmagadora maioria dos ganhos económicos é absorvida pelos mais ricos. É este o sentido pretendido pelas "reformas" designadamente laborais das políticas da direita.

Graças às suas "reformas" os EUA têm os piores resultados de saúde nos países do Ocidente, segundo um estudo da Gallup em 2025: 49% não conseguem aceder ou pagar cuidados de saúde adequados. A generalidade da população tenta poupar faltando a consultas e testes médicos ou na compra de medicamentos prescritos. Nos EUA têm os piores níveis de despesas estatais em educação pré-escolar entre os países da OCDE. Trump cortou o financiamento do Departamento de Saúde e Serviços Humanos em mais de 15 mil milhões de dólares (12%), enquanto aumenta as despesas militares em 42% para 1,5 milhões de milhões de dólares.

Na Europa, as lideranças e seus "governos reformistas" esforçam-se por seguir mais plenamente estes critérios.

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