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13 de maio de 2026

Irão não faz a vontade aos propagandistas

Dizia um propagandista que o Irão entraria em colapso económico até ao fim do mês (maio). Limitava-se a repetir o que um elemento da equipa de Trump tinha dito. Outros mais "airosos" falam em 3 a 4 meses. A mesma narrativa foi e continua a ser usada para a Rússia, até para a China mesmo que o seu PIB cresça 2 vezes o dos EUA. Da UE nem vale a pena falar...

O orçamento inicial para a guerra no Irão foi estimado pelo Pentágono em 25 mil milhões de dólares, agora, excede 77 mil milhões, incluindo não apenas as perdas militares, mas conforme um estudo da Universidade de Brown, "os consumidores nos gastaram uns 35 mil milhões de dólares extra em gás e diesel desde o início da guerra em fevereiro."

Segundo o gen. Agostinho Costa, na CNN, os EUA consumiram 32% do seu estoque inicial de mísseis SM-3 e Tomahawk, 53% de THAAD e 45% dos Patriot, correspondente a cerca de 13,3 mil milhões de dólares. A este valor devem acrescentar-se as destruições de aviões e das infraestruturas das bases dos EUA, além dos custos da logística de mobilização e manutenção do aparelho militar, o que, segundo estimativas, leva estas despesas militares para cerca de 55 mil milhões de dólares. O tempo para repor os estoques iniciais é de 4 a 5 anos. Isto não contando com os custos de manter Israel económica e militarmente.

A guerra contra o Irão enquadra-se no confronto contra a multipolaridade, que o ocidente já não podia ignorar, e a tentativa de ditar uma "nova ordem mundial". Porém quem o está a fazer é a China, a Rússia agora também o Irão, evidenciando as fragilidades dos EUA e aliados.

O objetivo de domínio dos EUA na região, vendido pelos propagandistas era "levar a democracia ao Médio Oriente", significou bombardear, invadir, desviar o olhar dos atropelos de Israel a resoluções da ONU e da vida aterrorizada e de morticínio de palestinos. O apoio da UE a tudo isto, tornou-a eticamente desprezível e geopoliticamente desprezável para a maioria dos povos, em particular do Sul Global.

A situação que o Irão pretende impor e consolidar no Médio Oriente, tem que ver com o controlo dos Estreitos de Ormuz e Bad-el-Mandeb, este através dos Houthis. Assume também a propriedade do que lhe corresponda no Golfo Pérsico, incluindo direitos sobre os 17 cabos submarinos que passam pelo Estreito.

Em caso de agressão, Teerão poderia mesmo cortá-los, com reparações impossíveis em clima de guerra. Noutras circunstâncias o tempo médio de recuperação de um único cabo é de 40 dias, com custos de 500 mil a 3 milhões de dólares. As consequências para os países do Golfo seriam catastróficas, interrompendo as comunicações digitais como operações bancárias, transferências SWIFT, interrupções na logística e no comércio eletrónico. Estes cabos permitem diariamente transações financeiras no valor de mais de 10 milhões de milhões de dólares.

Os centros de dados do Golfo em que a Arábia Saudita e os EAU investiram milhares de milhões ficariam paralisados, a gestão do fluxo de petróleo entraria em colapso. As consequências levariam a grandes limitações da internet na Ásia e na Europa.

O Irão apresentou um plano para gerar receitas a partir destes cabos: taxas por licenças iniciais e renovações anuais; exigir que as empresas, como Meta, Amazon e Microsoft cumpram a lei iraniana; as empresas iranianas terem o monopólio na reparação e manutenção dos cabos. O Irão justifica-o pela sua soberania e de acordo com o Artigo 34 da Convenção das ONU sobre o Direito do Mar.

Estes são trunfos do Irão no conflito com os EUA e Israel. Mas tem outros: recordemos que o Irão tem mais de 1,6 milhões de km2 montanhosos (1,8 vezes a área da França e Alemanha juntas) e 92,4 milhões de habitantes.

O Irão não está só, recebe apoio militar, comercial e humanitário da China e da Rússia. Da Rússia, além do equipamento militar enviado, pelo menos antes de começar o conflito atual - Pablo Escobar falou numa ponte aérea - veem bens alimentares como cereais, óleos, rações para animais através do Mar Cáspio.

A China presta assistência militar ao Irão, nomeadamente pelos seus satélites, desafiou as sanções dos EUA, ordenando aos bancos chineses para não cumprirem as sanções dos EUA contra cinco refinarias chinesas ligadas ao petróleo iraniano, apesar dos EUA ameaçaram impor "sanções secundárias" a esses bancos. A nova ligação ferroviária entre a China e o Irão foi reforçada com aumento da frequência das composições, anulando no essencial efeitos das sanções e a interferência naval dos EUA.

Os EUA falharam em submeter Teerão, apesar dos enormes custos económicos e de prestígio. Se a opção militar prosseguir vai causar mais destruições, agravar as retaliações do Irão, levar a uma grave crise económica praticamente global, e se ninguém controlar os sionistas podem desencadear a opção nuclear. Os propagandistas ignoram o que tudo isto significa.

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