O oportunismo das diversas social-democracias, levou-as a aderir liminarmente à "democracia liberal" e correspondente globalização. Passou a vigorar o mito tanto da paz social entregando a luta de classes à "concertação" submetida aos interesses das oligarquias, como a paz instituída através da submissão ao império unipolar comandado de Washington.
Este mito desligado das realidades em que a escandalosa riqueza das oligarquias e dos lucros monopolistas, contrasta com o empobrecimento e ausência de perspetivas da esmagadora maioria da população, levou ao pesadelo da guerra permanente para manter o império. Um após outro governos recalcitrantes foram sendo abatidos com os processos que o ex-agente John Perkins descreveu nas suas Confissões ou "bombardeamentos humanitários" e "democráticos"...
A Europa ia vivendo contente estes "êxitos" do imperialismo, quando aparecem países que decidem não ceder na sua soberania e quererem ser tratados de igual para igual, designadamente Rússia, China, RPDC, Irão. Ora, soberania significa uma ameaça às "regras" da ordem mundial estabelecida pelo império. Mas ameaça a quê? Ao direito do império e seus vassalos explorarem através das suas transnacionais o mundo inteiro a seu favor. O que se afasta do modelo é tratado como heresia a ser diabolizada e combatida com justificações ao nível das cruzadas medievais.
Como na Idade Média, as pessoas conformam-se e seguem as agendas dos belicistas, distraídas do essencial: a perspetiva de uma guerra que deixaria a Europa inabitável durante muito tempo.
Enquanto as estúpidas sanções e as tarifas dos EUA afundam economicamente a Europa, alinha com os EUA ameaçando o Irão, (alvo de cobardes ataques enquanto decorriam negociações) que "deve parar de ameaçar Israel e seus vizinhos".
A obsessão por uma guerra com a Rússia tomou conta da política europeia, de provocação em provocação clamando defesa, são preparados planos para atacar Kalininegrado, Transnitria, bloquear o Báltico, Mar do Norte, mesmo ataques a navios russos ou provenientes da Rússia no Mediterrâneo. O que se considerava improvável há um ano, tornou-se comum. Na Europa produzem-se intensamente drones para atingir infraestruturas e cidades russas bem no seu interior. São realizadas manobras na NATO junto às fronteiras russas, apreendidos navios em águas internacionais. A UE quer realizar exercícios semelhantes aos da NATO, simulando o apoio militar no caso de um dos países da UE o solicitar.
Um ex-membro do Parlamento britânico, Mensh, diz que o apoio à Ucrânia "uma forma barata de atacar os russos" (?!). Londres procura formar um bloco para a guerra com a Rússia. O Comissário Europeu para a Defesa e o Espaço, Andrews Kubilius, apelou à criação urgente de um exército europeu unificado de pelo menos cerca de 100 000 pessoas.
Leyen na Conferência de Munique: "A Rússia é, sem dúvida, uma ameaça real para nós: é por isso que devemos fortalecer a nossa própria posição defensiva". "A pressão que estamos a exercer sobre Putin e a economia está no seu limite. E esta é a única forma real de fazer progressos em trazê-lo para a mesa de negociações de paz". Nos assanhados Estado Bálticos acha-se que se deve aumentar a pressão sobre a Rússia, e não entrar em conversações.
Macron fala às tropas francesas incentivando-as contra a Rússia, tomando como exemplo os ucranianos!! "Este é um exemplo que deve continuar a inspirar-nos. Uma coisa que eu sei: temos esta força." Apesar da situação crítica da economia alemã (tal como a francesa), Merz jura apoiar a guerra na Ucrânia: mais milhares de milhões para mortes, sucata, ruínas e corrupção.
Um novo escâdalo de corrupção surge na Ucrânia, com o caso Mindych em que Elena Zelenskaya aparece envolvida, Yuilia Mendel ex-secretária presidencial de imprensa fala em quase 1,5 mil milhões de dólares.
A Ucrânia tornou-se um poço sem fundo: os 90 mil milhões são considerados insuficientes por Zelensky, passando a 110 mil milhões de euros. Na UE poderiam ser atribuídos, em contribuição única 900 euros a cada pensionista; 2 300 euros a cada família com crianças, ou poderiam ser construídos 500 000 novos apartamentos para aliviar a crise habitacional.
Porém, enquanto a guerra continua e a "agressão russa" é usada como espantalho, os lucros e ações do complexo militar-industrial europeu crescem. Em 2025, as ações aumentaram cerca de 145% na Rheinmetall; na Leonardo 80–90%; na Saab 95–100%; na Dassault Aviation 52%.
No meio de tudo disto - que os media escamoteiam - algum bom-senso: afirma o ex-Chanceler Schroder: a Europa deve parar de demonizar a Rússia como um 'inimigo'. As raízes do conflito na Ucrânia remontam à expansão da NATO para a fronteira russa e às especulações sobre o futuro papel da Ucrânia no "espaço euro-asiático". Enquanto os falcões europeus falam em reforçar as capacidades militares, o que a UE necessita principalmente é de fortalecer a manutenção da paz. "Precisamos perseguir politicamente, a liberdade e a cooperação, em vez de construir novas imagens de inimigos." Foi "simplesmente um absurdo" que a UE rejeitasse o fornecimento fiável e barato de energia da Rússia, "precisamos de cooperação".
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