Davos 2026 foi um caleidoscópio demente, com uma série de eventos francamente assustadores, incluindo o encontro entre as grandes empresas de tecnologia e a finança entre a Palantir e a BlackRock. Houve a confusão do “Plano Mestre” para Gaza de Trump. Houve ainda o que os media do Ocidente consideraram um discurso visionário do primeiro-ministro canadiano Mark Carney, resumido numa citação de Tucídides (“Os fortes fazem o que podem, e os fracos sofrem o que devem”) para ilustrar a “rutura” da “ordem internacional baseada em regras”, morta há mais de um ano. Depois - para rir - há a carta de 400 multimilionários reivindicando mais “justiça social”. Tradução: eles estão aterrorizados com o colapso do neoliberalismo que os enriqueceu.
O discurso de Carney foi um artifício astuto e sensacionalista para enterrar a “ordem internacional baseada em regras”, o eufemismo para o domínio total da oligarquia financeira. Carney agora reconhece uma “rutura” – que supostamente será remendada pelas “potências médias”, principalmente o Canadá e alguns países europeus (sem o Sul Global).
Na verdade esta “rutura” não tem absolutamente nada a ver com soberania, trata-se de uma espécie de multipolaridade artificial gerida – nada a ver com a iniciativa dos BRICS – baseada numa mistura confusa de “realismo baseado em valores”, “construção de coligações” e “geometria variável”, destinada a manter o mesmo velho esquema monetarista. Isto é: “Alguma coisa deve mudar para que tudo permaneça na mesma”, vindo de um liberal, ex-governador do Banco da Inglaterra. Esta gente nunca muda de ideias. As alavancas de poder exercidas pela City de Londres e Wall Street são totalmente imunes a "ruturas".
Ora, a parceria estratégica entre a Rússia e a China invalida a fraude sofisticada de Carney, que enganou muitas pessoas bem informadas. A questão é que o Canadá e as “potências médias” europeias agora encontram-se não na mesa, mas no menu imperial. Trump pode fazer com eles o que a NATO tem feito com o Sul Global.
Consagrar Carney como defensor do direito internacional é ignorar totalmente o encobrimento do genocídio sionista de Gaza. Ele e parceiros, demonizaram a Rússia até o fim dos tempos e continuam instigando uma guerra eterna; agora imploram de joelhos para que Trump se envolva num “diálogo” para resolver a apropriação de terras na Gronelândia.
Elon Musk, também apareceu em Davos em cima da hora. Ele é um grande defensor da apropriação da Groenlândia. Musk e outros tecno-feudalistas não podem deixar de ser seduzidos pelo projeto de transformar aquele “pedaço de gelo” no principal centro dos Estados digitais, os sucessores dos Estados-nação, a serem governados por CEO tecnológicos.
E aqui temos a conexão entre as grandes empresas de tecnologia e as grandes finanças, os reis da IA liderando o caminho, com os financeiros seguindo-os.
Coube ao caniche SG da NATO, Rutte, com seu sorriso murcho, convencer o “papá” a ser indulgente, provando mais uma vez que a UE é uma república das bananas, na verdade, uma "união", sem as bananas.
Assim foi improvisada uma “estrutura” para os EUA obterem terrenos na Gronelândia para uma base militar e exploração de terras raras, além da proibição de projetos russos e chineses. A Dinamarca e a Gronelândia nem estavam na sala quando esse “acordo” foi fechado. Ainda assim, tudo isso pode mudar porque Trump pode querer a Gronelândia no mapa dos EUA.
Mas o plano mais assustador de apropriação de terras em Davos foi o de Gaza, pelo idiota sionista, na verdade o cérebro da família pertence à esposa Ivanka. Aqui temos uma campanha de massacre/extermínio em massa, juntamente com a apropriação do que foi reduzido a escombros, levando a uma zona de contenção de alta segurança para palestinos simbólicos e “aprovados” e imóveis de primeira linha à beira-mar para golpistas imobiliários e colonos israelitas.
Tudo isso gerido por uma empresa privada, presidida por Trump, vitalício, responsável pela anexação, ocupação e exploração de Gaza: uma monstruosa apropriação de terras que enterra de uma só vez um genocídio e o que resta do direito internacional – tudo totalmente aprovado pela UE e por um bando de “líderes” políticos, alguns aterrorizados, outros basicamente protegendo-se para evitar a ira de Trump.
Um palhaço chamado Nadio Calvino, presidente do Banco Europeu de Investimento, chegou a argumentar em Davos que a UE “é uma superpotência”. Considerar superpotência uma estrutura totalmente dependente dos EUA e da NATO para sua defesa; sem projeção de poder; sem nenhuma grande empresa de tecnologia (as que ainda existem estão entrando em colapso); 90% dependente de importações de energia e afogada em dívidas (17milhões de milhões de dólares, mais de 80% do PIB da UE).
Afinal o que realmente mudou o jogo em Davos, foi o discurso do vice-primeiro-ministro da China, He Lifeng, deixando muito claro que a China está determinada a tornar-se “o mercado mundial” e que impulsionar a procura interna está “no topo da agenda económica [da China]”, conforme refletido no 15º Plano Quinquenal.
Portanto, independentemente do que os bárbaros possam estar tramando, o que importa é que a China já está profundamente envolvida na próxima fase, na qual se espera que substitua os Estados Unidos como o principal mercado consumidor do mundo. Esta a verdadeira rutura.
Fonte - A verdadeira “rutura” em Davos
Sem comentários:
Enviar um comentário