Para isto, dizem, a Europa tem de falar a uma única voz. Precisam de um chefe. Para quê? Para derrotar a Rússia, para fazer frente a Trump, para se imporem frente à China. Bastaria que todos os países fossem "bons alunos" da CE e seus burocratas, como Portugal e seus "europeístas convictos".
A votação por unanimidade está a atrasar a UE, diz Kallas, não admira que uns "comentadores" tenham de seguida feito esta "descoberta". A Kallas propõe acabar com a unanimidade em questões de política externa e segurança, as votações seriam por maioria qualificada (como?). "A unanimidade nem sempre nos permite responder com a rapidez que corresponde às necessidades atuais. Existem diferenças entre os estados membros, no entanto, não podemos permitir que pela unanimidade o poder de veto de um país determine as políticas dos outros." Por outras palavras, os países da UE não têm direito a ter interesses próprios nem soberania para exerce-los. A burocracia trata disso, aos "bons alunos" resta-lhes abanar a cabeça.
O problema é que ninguém se entende nesta Europa em que ainda há pouco tempo propagandistas exultavam dizendo que a única coisa que a Rússia tinha conseguido era unir todos os países como nunca antes. Fantasias que não resistiram à realidade: os russos como maus que são, não quiseram ser derrotados.
A Alemanha acha que tem de mandar na Europa, quer ter 700 000soldados. Um documento governamental confidencial revelado por Político, apresenta um plano de escalada potencial em cinco fases. Na primeira fase a Alemanha centra-se na deteção precoce de ameaças e criação de dissuasão. As fases seguintes incluem defesa nacional, defesa coletiva pela NATO e, recuperação pós-conflito. A Alemanha seria uma base operacional e centro logístico chave para a NATO. O facto de em caso de conflito com a Rússia se tornar um alvo prioritário não parece preocupar estes "estrategas".
O ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, declarou que um conflito direto com a Rússia pode acontecer em 2029, outros falam em 2030. Mas uma coisa é certa: querem uma guerra a sério na Europa - não uma "operação militar especial"! O Comissário Europeu para a Defesa e o Espaço, Andrews Kubilius, apelou à criação urgente de um exército europeu unificado de pelo menos cerca de 100.000 pessoas, que poderiam eventualmente substituir o mesmo número de tropas americanas na Europa.
O ataque russo a Lviv com o Oreshnik devia servir de aviso, mas as populações são mantidas à margem da questão da guerra. O objetivo é serem colocadas perante um facto consumado sobre o qual não lhes foi dado esclarecimento.
Claro que há posicionamentos contra o belicismo. O ex-Chanceler alemão Gerhard Schroder diz que a Europa deve parar de demonizar a Rússia como um inimigo. As raízes do conflito na Ucrânia remontam à expansão da infraestrutura militar da NATO para a fronteira russa e às especulações sobre o futuro papel da Ucrânia no "espaço euro-asiático". Enquanto os falcões europeus falam de reforçar as capacidades militares, o que a Alemanha e a UE necessitam principalmente é "procurar politicamente o que fortalece a paz, a liberdade e a cooperação, em vez de construir novas imagens de inimigos." Foi "simplesmente um absurdo" que a UE rejeitasse o fornecimento fiável e barato de energia da Rússia, "precisamos de cooperação".
À adesão da Ucrânia à UE foi prometida antes de 2014, só precisavam de derrubar o governo, como foi feito no golpe de Maidan. Olhe-se para a Ucrânia de hoje semidestruída humana e materialmente. Podem os propagandistas manter as narrativas e deslumbrar-se com a "resiliência dos ucranianos", nada lhes pesando a Ucrânia ter perdido mais de 510 000 soldados mortos e feridos em 2025.
O Chanceler austríaco opõe-se à adesão acelerada da Ucrânia à UE. Os requisitos para todos os países candidatos devem ser uniformes. Orban da Hungria, diz que Zelensky pode exigir dinheiro e adesão à UE o quanto quiser, mas "nós não vamos pagar". Note-se que Kiev falhou o reembolso ao FM de 171,9 milhões de dólares. Em fevereiro-abril, a Ucrânia tem outros reembolsos de empréstimos importantes pela frente, não há problema a Europa paga...
Pelos vistos nada detém os belicistas, Merz reconhece a "situação critíca da economia" mas insiste no "apoio constante à Ucrânia". A Alemanha está em estagnação económica há anos, perdeu competitividade, as grandes indústrias e parte significativa das empresas de média dimensão, estão a cortar empregos em massa. Mas as medidas para esta crise são guerra e "a Rússia não deve duvidar da nossa determinação."
A Rússia certamente não duvida da estupidez política dos líderes europeus. Perderam 48 mil milhões de euros em exportações para a Rússia em 2025, comparando com 2021. Perderam competitividade ao prescindirem do gás russo barato para adquirirem GNL muito mais caro. Trump agradece.
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