Um grupo de ratos reúne-se para combater o gato, segundo se conta terá sido em Paris. Solução: colocar-lhe uma coleira com um guizo que os alertaria da presença do gato. Ideia brilhante. Só faltava uma coisa, quem ia pôr a coleira ao gato. Assim estão os "europeus dispostos", os seus 30 000 soldados, agora 15 000, após o cessar fogo na Ucrânia, dotando-se Kiev com 700 000 soldados.
Se há coisa que estes fracassados políticos da UE/NATO gostam é da tagarelice. São uns tagarelas, com isto disfarçam o descrédito nos seus próprios países e o desastre das suas políticas externas.
Há meses que discutem a forma de garantir um possível cessar-fogo e proteger a Ucrânia de novos ataques russos. Na reunião da "coligação dos dispostos" ou das "vontades" decidiram que "após um cessar-fogo" a UE e o RU apoiarão a Ucrânia com pessoal militar no terreno e dinheiro. Perfeitamente integrado na burocracia vigente na UE o sr. Costa, presidente do Conselho Europeu, excede-se na vacuidade europeia: "A Ucrânia terá garantias de segurança política e juridicamente vinculativas. (?) A Ucrânia tem de estar na melhor posição possível (!!) para que a sua segurança seja garantida, antes, durante e depois de qualquer cessar-fogo."
Dizer que a "coligação dos dispostos", deu um mais passo no desencadear uma guerra direta com a Rússia, é irrelevante. O esforço daqueles países, para garantirem a presença militar na Ucrânia, para a qual não têm potencial nem militar, nem económico, nem social, não passa de tagarelice. A Rússia respondeu-lhes com um Orestnik sobre instalações em Lviv, cidade muito próxima da fronteira com a Polónia.
O que torna estas reuniões dos dispostos muito parecidas com a da fábula dos ratos é que há anos que a Rússia afirma que quaisquer tropas da NATO na Ucrânia sob qualquer bandeira, mandato ou eufemismo são uma ameaça direta. Portanto só falta uma coisa para dar certo o que decidem nas suas reuniões, que têm servido para para dar emprego a muitos comentadores: é pôr a coleira à Rússia, ou seja, ser derrotada.
Vários países recusam-se a alinhar, desde logo os que contestam as orientações da CE a que se juntou a Itália. Portugal, "bom aluno", alinha com os "dispostos". Starmer, um dos belicistas, mais mal cotados internamente, irá submeter a questão do envio de tropas para a Ucrânia a votação no Parlamento após um cessar-fogo... Sonha com a NATO na Ucrânia: "Após um cessar-fogo, o Reino Unido e a França vão estabelecer centros militares em toda a Ucrânia e construir instalações protegidas para armas e equipamento militar". "Forças ocidentais serão colocadas em solo ucraniano assegurando os céus e os mares da Ucrânia" e "regenerar as suas forças armadas".
O ex-diplomata britânico e ex-oficial de inteligência Alastair Crook, esclarece-os: "Os europeus pensam que, se os Estados Unidos entrarem num conflito na Ucrânia, a Rússia definitivamente perderá. Eles ainda acreditam que a Rússia é fraca e o seu exército é ineficaz. Todas as evidências sugerem o contrário. A Rússia é agora uma das principais potências mundiais, juntamente com a China, e tem alavancas de influência económicas e militares."
A Alemanha, por razões internas não assinou o documento dos "dispostos", adiando um tema que já foi objeto de manifestações em dezenas de cidades contra a via militarista do governo. Segundo Merz, "o governo Federal e o Bundestag vão decidir sobre a natureza e o âmbito de uma contribuição alemã, assim que as condições mencionadas forem esclarecidas. Quero dizer: não estamos a excluir nada em princípio". Note-se que a Bundeswehr já está presente, na Polónia, Roménia, Hungria e Eslováquia, Lituânia que fazem fronteira com a Ucrânia, como “força de dissuasão" para a Rússia, Bielorrússia e o enclave russo de Kaliningrado.
Quanto à Gronelândia, o sr. Costa decidiu mostrar que existe (parece querer competir com a Kallas...) e lança uma aviso aos os Estados Unidos (!!): "a Gronelândia pertence ao seu povo e a UE não vai aceitar violações do direito internacional, independentemente do local onde ocorram (como em Gaza?!) "Permitam-me ser claro: a Gronelândia pertence ao seu povo. Nada pode ser decidido sem a Dinamarca ou sem a Gronelândia."
O que quer isto dizer? Concretamente, nada. Oito países da NATO, incluindo Portugal, emitiram um comunicado conjunto a defender a segurança no Ártico como "uma prioridade-chave para a Europa" exortando os Estados Unidos a defenderem "os princípios da Carta das Nações Unidas, incluindo soberania, integridade territorial e a inviolabilidade das fronteiras". O ministro dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca arruma a questão: "A Gronelândia precisa dos Estados Unidos, e os Estados Unidos precisam da Gronelândia para a segurança do Ártico". Por outras palavras, os EUA têm o caminho livre para fazerem na Gronelândia o que melhor entenderem.
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