Linha de separação


26 de abril de 2024

Retrato da extrema-direita sem máscara - Argentina

 Como é que Bolsonaro foi eleito, como é que Milei foi eleito na Argentina? Como é que por cá obtiveram 1 milhão de votos? Como é que os que mais precisam das prestações sociais proporcionadas pelas reivindicações da esquerda, aderem à boçalidade dos que nunca sequer as defenderam e que as querem liquidar? Esta é a questão que se coloca aos que defendem o 25 de ABRIL e os princípios consagrados na Constituição de 1976.

O discurso da extrema-direita foi bem enunciado por Shakespeare: “é um conto cheio de som e fúria contado por um idiota e significando coisa nenhuma”. (Hamlet) Claro que com o discurso de “coisa nenhuma”, o que eles querem e ao que vêm está nas entrelinhas, mas atrai gente desinformada e mal esclarecida – ou mal formada - ficando-se pelo “som e pela fúria” de “coisa nenhuma” para a maioria.

A Argentina, não faz parte dos noticiários, a regra estipulada pelo império é que nos que domina (ditos “países amigos”) tudo o que é negativo se omita, enfatizando o que puder ser positivo. Nos países que não domina, o critério é rigorosamente o contrário. O que diriam os noticiários se na Rússia os estudantes universitários se manifestassem contra políticas do governo, como ocorre nos EUA relativamente ao apoio a Israel? Mas golos no campeonato de Inglaterra são mais importantes...

Embora pouco ou nada se fale do que acontece na Argentina, ficámos a saber que foi conseguido um excedente orçamental, o primeiro ao fim de não sei quantos anos e que uma sondagem dava a Milei aprovação maioritária.

A eleição de Milei teve a ajuda do descalabro das políticas de direita há muito praticadas no país. Depois das promessas cheias de som e fúria eis o que se passa:

- A Argentina, vive uma crise de estagnação e inflação, as fileiras os pobres estão crescendo um milhão por mês, os gastos públicos e os subsídios estão a ser cortados, mesmo para refeitórios para pobres e bancos alimentares. Porém, está a enviar alimentos, remédios e outras formas de apoio para a Ucrânia. (1)

- Milei anunciou a “suspensão” e uma “auditoria integral” às indemnizações dadas às vítimas das violações de direitos humanos durante a ditadura (1976-1983), alegando “irregularidades no tratamento ou pagamento”. Vão ser revistos cerca de 25 mil casos. A ditadura provocou cerca de 30 mil mortos e desaparecidos, o que é contestado por Milei, que evoca menos de 9 mil vítimas e critica o “negócio” dos direitos humanos. (Agência Lusa – 24/04/2024)

O nacionalismo de Milei – não sei se terá dito “é preciso cumprir a Argentina” – dilui-se no fervor de submissão aos EUA. Enquanto a Colômbia, tem a intenção de entrar para o BRICS, Milei cancelou a entrada da Argentina e assinou um memorando de entendimento com os Estados Unidos, permitindo que Engenheiros do Exército dos EUA operassem na hidrovia Paraná-Paraguai, por onde passam cerca de 80% de todas as exportações argentinas. Vai gastar 300 milhões de dólares em F-16 com 40 anos de uso e foi anunciado o estabelecimento de uma base naval dos EUA em Ushuaia, no sul da Terra do Fogo, apontando para a Antártica.

Milei discutiu o envio de armas e pessoal militar para a Ucrânia. Expressou o “apoio inabalável” da Argentina ao Estado de Israel, mesmo quando este comete genocídio em Gaza. A Ministra do Interior, Patricia Bullrich, membro da “casta política” que Milei jurou derrubar, resumiu a posição da Argentina: “Estamos com Israel, com os EUA, com a Europa, com o mundo ocidental, por convicção. Porque acreditamos na filosofia da democracia, na defesa dos direitos humanos, em países livres onde as pessoas podem levar a vida que escolherem livremente… Mensagens politicamente corretas, como as que pedem paz, não são a posição da Argentina. A posição da Argentina é que ela estará ao lado dos Estados que pertencem à democracia (sic), ao mundo ocidental, que compartilham valores com a Argentina, independentemente de tudo correr bem ou mal. A posição argentina em relação ao conflito entre Israel e Irão não é “pedir paz”, mas apoiar Israel e todas as suas ações beligerantes. (1)

Milei, sem máscara não passa de um títere dos planos de Washington para retomar o domínio da América do Sul, à frente dos quais está Laura Richardson, comandante do Comando Sul dos EUA, com o objetivo de combater a influência chinesa e russa na região e apoderar-se dos recursos da América Latina, como terras raras, lítio, ouro, petróleo, gás natural, cobre, alimentos e água doce, ambicionados pelo governo dos EUA e seus militares, ao serviço das transnacionais. (1) A extrema-direita está ao serviço de todos eles

1 – A Argentina torna-se um parceiro da NATO



1 comentário:

Jose disse...

Os órfãos soviéticos e sua litania!