O globalismo neoliberal, fundamentado no neoliberalismo acabou. Sanções aplicadas a dezenas de países, tarifas alfandegárias, a que a UE está agora a ser sujeita pelos EUA, marcaram o seu fim. A UE não está preparada para esta situação, o facto de continuar agarrada aqueles critérios, só mostra a falência e isolamento das suas políticas, comprovadas pela estagnação económica e crescente irrelevância geopolítica. O resto do mundo, os próprios Estados Unidos, olham para a UE/NATO como uma península da Euroásia.
Perante o endividamento, os défices comerciais, que nos EUA superam o milhão de milhões de dólares, a ideia que "as nações devem produzir seus próprios meios de sobrevivência", atingiu os EUA.
A globalização neoliberal foi apresentada como a política necessária ao desenvolvimento, porém a UE e sobretudo a zona euro estão em estagnação desde o início do século, agravada com sucessivas crises cujas causas são incapazes não só de resolver como pretendem intransigentemente manter. Em 2023, o crescimento económico da UE foi de 0,4%, em 2024 a UE cresceu 1%, a zona euro 0,9%.
Isto leva-nos para a noção de soberania económica, posta de parte na UE, embora fundamente os seus demais aspetos. A soberania económica nada tem que ver com protecionismo, mas sim com planeamento económico, designadamente do comércio externo.
Seria bom não esquecer as medidas de desmantelamento da produção agrícola (de que fez parte a liquidação da Reforma Agrária fundamental para a soberania alimentar), das pescas, de indústrias estratégicas como a siderurgia, metalurgia, químicas, etc. Tudo isto à conta das "regras europeias" cujo resultado - ou objetivo - foram a financeirização, endividamento, concentração monopolista, desindustrialização.
A finança com os seus critérios de rendibilidade no curto prazo assumiu o papel de planificador das economias, ditando as orientações das economias nacionais, do comércio internacional, da fiscalidade, da criação de dívidas. Afinal é esta oligarquia que determina a nossa forma de viver, com a qual alinham partidos ditos de esquerda.
A globalização neoliberal foi feita à medida dos interesses do grande capital. A tese de exportar mais serve para controlar o nível de salários internamente, com o argumento de ser competitivo. A liberdade de circulação de capitais associada à concorrência fiscal coloca trabalhadores em confronto com salários e produtividades doutros países e políticas fiscais em função dos interesses da oligarquia. As políticas nacionais acabam regulados desta forma.
Mesmo teóricos da economia de mercado, como Samuelson, defendiam a proteção às "industrias nascentes" e eram totalmente contra os monopólios, sendo os oligopólios formas mitigadas de monopólio.
O falhanço económico a degradação social da UE, provam o princípio que comércio livre só é vantajoso entre economias com níveis de produtividade idênticos, caso contrário apenas aumenta os desequilíbrios económicos e sociais. O comércio externo tem de ser orientado pelas necessidades de desenvolvimento económico e social, pelo planeamento económico democrático.
Uns papagaios mediáticos peroravam que o comércio (dito) livre era o garante da paz, quando historicamente foi justamente o contrário, através do colonialismo, neocolonialismo, guerras e golpes de Estado imperialistas.
A globalização sob o imperialismo criou divisões internacionais e instabilidade. Inventou-se o eufemismo da "democracia liberal" e os que não a seguissem passavam a "totalitários, "ditaduras", contra eles tudo se tornava permitido e retintos fascistas apresentados como "democratas" liberais financiados pela USAID, NED, etc.
Com a aplicação de sanções a dezenas de países o esquema global do neoliberalismo, autodestruiu-se. O plano globalista forçava as nações a uma centralização quase total, meras províncias do império, com sistema económico e monetário único, referido ao neoliberalismo e ao dólar. O resultado foram crises e desigualdades.
Países saíram desta órbita, criaram sistemas alternativos como os BRICS, OCX, etc., em que é considerada a soberania económica, a produção necessária à sua subsistência e desenvolvimento sustentável. Isso manifesta-se no rápido desenvolvimento dos BRICS, com 45% da população mundial e 37% da produção económica global, muito à frente da UE, que representa 5,5% da população mundial e 14,5% da produção económica global.
Onde para a UE neste processo? Apesar de todas as fantasias de grande potência que pairam na CE e no PE, deixaram há muito de o ser. A UE está atrasada demográfica, económica e mesmo tecnologicamente. Nenhuma militarização alterará isto.
Além do planeamento económico, voltado sobretudo para a industrialização, no sector alimentar, não falando nas pescas, é necessário abandonar as regras da UE em que a vantagem é dada à agricultura industrial e à grande distribuição, que domina e explora os pequenos produtores.
Para além de retórica para colher votos, dizendo mal dos antecessores, mas fazendo o mesmo, a autonomia alimentar é desprezada pelos adeptos do "comércio livre". Um governo de esquerda iria incentivar os pequenos agricultores com crédito, apoio técnico e na comercialização, de forma a poderem desenvolver-se livres dos constrangimentos dos oligopólios da distribuição.
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