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4 de março de 2026

A guerra continua e seus custos também

500 mil milhões aos EUA por dia, fora o resto... sem nenhum dos objetivos dos EUA estar próximo de ser alcançado. Internamente regista-se a queda acentuada de Trump e do Partido Republicano nas sondagens. Americanos e israelitas- e até os seus propagandistas nos media - estão longe do triunfalismo. Os 4 ou 5 dias anunciados por Trump no início, passaram a 4 a 5 semanas...

O contentamento que os "comentadores" irradiavam pela devastação do Irão pelo "país mais poderoso do mundo", ficando "o mundo melhor sem o regime dos ayatholás", desvaneceu-se. O massacre de palestinos por Israel enquadra-se no mundo perfeito e nos direitos humanos da direita e das social-democracias...

Jeffrey Sachs explica a extensão da influência do lóbi pró-Israel no processo de tomada de decisões nos Estados Unidos. "O Congresso dos EUA está sob a sua influência. Qualquer congressista que se desvie da linha do lóbi sofre consequências políticas: apoio a adversários, críticas públicas e pressão. Pelo contrário, o apoio ao lóbi israelita alegadamente traz benefícios políticos e financeiros, incluindo viagens e doações de campanha. Este sistema está ligado à CIA, ao Mossad e ao complexo militar-industrial, que possui uma influência abrangente e governa eficazmente os Estados Unidos." Isto é: o MAGA não passa de MIG (Make Israel Great).

As dissidências que surgiriam no Irão, ocorreram afinal nos EUA. O partido democrata aproveita para sair do limbo a que o populimo de Trump o tinha atirado. Kamala Harris, exibe-se sorridente e critica, na perspetiva de ser de novo candidata. O líder democrata do Senado, Schumer, afirma que Trump não tem nem uma estratégia nem um objetivo na guerra com o Irão. O ex-diretor da CIA, John Brennan, condena as ações militares no Irão. Gavin Newsom, Governador da Califórnia: "Os nossos aviões de combate estão a cair, os nossos aliados no Golfo estão a ser atacados. Os preços da energia estão a subir em todo o mundo, por causa da guerra de Trump. Precisamos de descobrir por que as nossas bombas ou as bombas israelitas foram usadas para matar raparigas numa escola." Segundo o diretor executivo do Ron Paul Institute, "a Casa Branca alegou que um ataque iraniano era iminente, mas o Pentágono disse que isso não era verdade”.

Afinal. quem vai ganhar com esta guerra? Combustíveis, alimentos, tudo o resto vai ser mais caro. O grande capital aproveitará para aumentar a exploração, mas os verdadeiros vencedores serão os detentores do complexo militar industrial.

Quanto aos endividados EUA, nesta aventura imperial-sionista enfrentam uma guerra que lhes custa muito caro. Só a mobilização de forças aéreas e navais e meios humanos a que procederam representa milhares de milhões de dólares. As bases americanas na região, portos ao seu serviço, como o centro de apoio da Quinta Esquadra dos EUA no Bahrein foram sistematicamente bombardeados pelo Irão - sem meios de defesa adequados - mostrando a fragilidade das suas bases, símbolo do poder dos EUA. Centenas de milhares de milhões foram perdidos e será o custo da sua reconstrução se a fizerem.

Em 4 dias os custos andarão pelos 2 mil milhões de dólares. A destruição do radar de longo alcance dos EUA em Doha (Qatar) representa 1,1 mil milhões de dólares. A perda de três F-15E no Kuwait, tem um custo de substituição de cerca de 282 milhões de dólares.

Durante a guerra de 12 dias em junho, contra o Irão, disparando mais de 100 THAAD- possivelmente até 150, os Estados Unidos gastaram cerca de um quarto dos seus mísseis interceptores THAAD, ultrapassando largamente a capacidade de produção. Cada custa 12,6 milhões de dólares, uma bateria para lançamento 1000 milhões, mas o reabastecimento foi limitado a "algumas dezenas". Agora os THAAD nos EAU foram também atacados.

A Lockheed constrói 500-600 Patriot por ano, por 4 milhões de dólares cada. Os EUA disparam intercetores de vários milhões de dólares, dois ou mais de cada vez, contra mísseis iranianos que podem custar 100 ou 250 mil dólares, até 1 milhão ou mais para o hipersónico Fatteh-1. Estima-se que para um míssil balístico iraniano custe cerca de 250 000 dólares, mas para o derrubar podem ser lançados 11 Patriot, mais de 40 milhões de dólares. O Irão possui um grande número de mísseis balísticos e quantidades ainda maiores de drones Shahed, que custam 20-50 mil dólares. No Mar Vermelho, os Hhouthis enviam drones de 20 mil dólares abatidos com mísseis que custam 4 milhões.

Os bombardeamentos continuam, de parte a parte. O Irão não cede ao contrário do previsto: ataca Israel, o Hezbollah bombardeou a base naval de Haifa e atacou o norte de Israel e as Colinas de Golã.

Os stocks de intercetores de mísseis dos EUA, de Israel e dos países árabes do Golfo "são provavelmente perigosamente baixos", e podem estar a esgotar-se "dentro de dias" se "a intensidade dos atuais ataques iranianos persistir", diz a Bloomberg, citando uma fonte informada. Quanto aos stocks dos EUA fala-se em "semanas".



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