A estupidez é contagiante como um vírus, porque examinar é muito mais penoso do que deixar-se levar pela propaganda mediática, embora "uma vida sem exame não mereça ser vivida" (Apologia de Sócrates - Platão).
Dado o êxito em colocarem importante parte das pessoas alinhadas contra os seus interesses individuais e coletivos é justo atribuírem-se prémios.
Prémio da estupidez especialista: "os iranianos estão a ver com bons olhos os bombardeamentos, em Beirute também“ "sabem que alguma coisa vai mudar" (quanto ao "regime").
Prémio de Carreira para a "nojeira" da nulidade intelectual propagandística - não acerta uma, mas continua. Recentemente especificou que o maior erro do Irão foi responder aos ataques do país mais poderoso do mundo. Embora esse país não seja capaz de defender as suas bases militares nem os seus porta aviões.
Três Menções Honrosas: 1 - Para os que consideram o "poderosos exército americano" e "a sua força avassaladora", como vista no Afeganistão e agora no imbróglio de Ormuz.
2 - Para os que falam do regime execrável de Teerão que matou 40 ou 50 mil iraquianos que se manifestaram. Mesmo que o número ditado de Londres por uma organização ligada ao MI6 fosse 30 000. Israel matou - e continua a matar - entre 100 e 126 mil pessoas em Gaza ao longo de dois anos, dados do Instituto Max-Planck. Impede a chegada de medicamentos e bens essenciais, mata crianças, mulheres, jornalistas, pessoal da ONU, pessoal médico. Regime terrorista e execrável é o Irão, justificando-se ser mudado. 3 - Para comentadores que se prestam a ser usados para esconder ataques a radares, bases militares, refinarias e depósitos de petróleo, danos em ativos norte-americanos e aliados expondo as falhas na defesa dos EUA. Ataques relatados como sendo aos países onde se encontram.
Merece referência os media conseguirem populações tão mentalmente bloqueadas que aceitem com indiferença o bloqueio a Cuba condenado repetidamente por 95% das nações representadas na AG da ONU e a agressão em curso ao país.
Matar dirigentes do Irão (quando decorriam negociações favoráveis) é algo, como salientou o gen. Agostinho Costa, que até na Idade Média se respeitava. Agora passa com elogios ao poder de Israel e dos EUA.
O assassinato desses dirigentes mostra o nível de infiltração conseguido, resultante das cedências do presidente iraniano Pezeshkian. Eleito em 2014 com uma agenda de "reformas"escolheu um neoliberal para ministro das finanças, ligou o país a instituições controladas pelo ocidente, como o FMI e a AIEA, afastando-se da colaboração com a Rússia, designadamente na defesa antiaérea.
Submetendo-se ao FMI impôs um plano de austeridade - sem alívio das sanções! - criou uma crise económica agravada quando o rial iraniano foi obrigado a ser desvalorizado, aprofundando a crise. O descontentamento levou a população a manifestar-se contra o governo, não contra o sistema.
A infiltração de agentes da CIA e Mossad formou células preparadas e armadas para "mudança de regime" à semelhança de Kiev, Hong Kong, etc. Nesta situação, os media ocidentais fizeram o que lhes compete transformando o que noutros locais é vandalismo e terrorismo em "combatentes pela liberdade", justificando uma intervenção externa, que chegou a estar prevista.
Face às contradições e erros em que o imperialismo se enreda, os propagandistas atribuem-nas a Trump. Uma análise que se limite a explicar o que ocorre a uma pessoa revela mediocridade intelectual. É evidente que têm que fugir aos factos e são incapazes de analisar as causas sistémicas do declínio imperialista ou porque está acima da sua compreensão ou do dogmatismo com que alinham.
As intenções iniciais de Trump, o MAGA, e que o levaram à presidência refletiam a necessidade de industrializar os EUA e novamente impor-se ao mundo. A tentativa de parar a guerra na Ucrânia refletia a necessidade de uma pausa para recuperar económica e financeiramente. O facto de não o conseguir expõe a instabilidade instalada no império que, como sempre ocorre nas fases terminais, para ser mantido tem custos muito superiores ao que rende.
Na reunião em Riade entre a Arábia Saudita e os países do Golfo os EUA esperavam que levasse à sua participação no ataque ao Irão, contudo manifestaram-se contra a guerra. A posição de alguns Estados como Omã é muito mais dura para os EUA e Israel do que o expresso no Comunicado. O comunicado mostra que os países recusaram aquele intuito, limitando-se à defesa dos seus territórios. Condenaram a agressão de Israel contra o Líbano e as suas políticas expansionistas na região. "Pediram ao Irão que cesse imediatamente os ataques (a esses países) respeite o direito internacional, o direito internacional humanitário e os princípios de boa vizinhança, como primeiro passo para acabar com a escalada, alcançar segurança e estabilidade na região e ativar a diplomacia como meio de resolução de crises". "Pedem também para não fechar ou obstruir a navegação no Estreito de Ormuz ou no Bab al-Mandeb."
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