Se o Irão sobreviver e resistir a guerra de Trump contra a China e os BRICS vai colapsar. Por outro lado os EUA também procuram estabelecer a hegemonia israelita em toda a Ásia Ocidental.
O conflito é assim uma batalha existencial tanto para a hegemonia geopolítica dos EUA como da China. É de momento travada entre as capacidades de mísseis e intercetadores do Irão e as dos Estados Unidos e Israel. Segundo o plano inicial a derrota militar do Irão e a decapitação da sua liderança, levariam a um surto de ressentimento popular que traria o Irão para a esfera ocidental.
Porém, o Irão mantém a iniciativa. O Estado não colapsou e está retaliando golpe após golpe com drones e mísseis atingindo as bases militares dos EUA no Golfo e Israel com mísseis hipersônicos - pela primeira vez - com múltiplas ogivas direcionais.
Os Estados do Golfo estão prestes a esgotar os seus estoques de intercetadores - pedindo aos EUA um fim rápido e diplomático do conflito, a fim de evitar uma escalada regional e um choque prolongado nos preços da energia. As reservas de defesa aérea israelo-americanas, também estão profundamente corroídas, com o Irão inicialmente enviando mísseis e drones antigos para esgotar as defesas aéreas. Os mísseis de alta qualidade do Irão, com velocidades superiores a Mach 4, mostram-se intocáveis pelas defesas israelitas.
O assassinato do Líder Supremo pelos serviços de inteligência americanos acabou sendo um erro fundamental. Em vez de precipitar um colapso moral, isso levou a manifestações massivas de apoio à República Islâmica. Telaviv e Washington interpretaram mal a situação.
O Irão tem sido resiliente e mantém-se firme, contrariamente ao cálculo dos EUA que se baseava numa guerra rápida. As monarquias do Golfo estão enfraquecendo: prosperidade, muito dinheiro a correr, IA, praias e turismo – provavelmente acabou. Israel também pode não sobreviver no seu estado atual (Coronel Douglas MacGregor).
O fecho seletivo do Estreito de Ormuz e a destruição de bases e instalações portuárias do Golfo mostram como tudo se tornou diferente. A infraestrutura da Quinta Esquadra dos EUA no Bahrein, um centro completo para radares, inteligência, bancos de dados, espinha dorsal da hegemonia regional dos EUA, foi destruída. A esquadra cobre três estreitos estratégicos vitais: o Estreito de Ormuz, o Canal de Suez e o Estreito de Bab al-Mandeb.
Os EUA precisam controlar estreitos estratégicos e, de modo geral, o trânsito energético, para negar à China o acesso aos mercados de energia e, assim, conter seu crescimento. Contudo, o Irão, no ano passado, representou apenas cerca de 13,4% do total das importações de petróleo da China por via marítima não sendo, pois, um elemento crucial.
A Estratégia de Segurança Nacional (NSS) estabeleceu uma meta para a política dos EUA de "reequilibrar a economia chinesa em direção ao consumo interno." Significando, forçar a China a exportar menos e importar mais restaurando as exportações dos EUA, contra com as exportações muito mais competitivas da China.
Uma forma de tentar impor essa mudança é por meio de tarifas e guerra comercial. Outra é negar à China o acesso aos mercados de energia que ela - e o mercado BRICS - precisam para seu crescimento. Isso poderia ser alcançado, sugere a estratégia do NSS, restringindo o fornecimento de recursos, ou seja, impondo bloqueios navais e apreensão de navios por sanções arbitrárias (como no impasse venezuelano).
Quanto aos ataques iranianos podem ter como objetivo enviar uma mensagem aos vizinhos do Golfo: alinharem-se com Israel e os Estados Unidos contra o Irão não é aceitável. O que o Irão também parece estar a fazer é tentar arrancar os grandes estreitos marítimos, portos e corredores navais do controle dos EUA, trazendo-os para o controle iraniano. Isto é, colocar as rotas marítimas adjacentes ao Golfo Pérsico sob controle iraniano. Tal mudança seria extremamente importante – não apenas para as relações da China com o Irão, mas também para a Rússia, que deve manter as rotas de exportação marítima abertas.
Se o Irão prevalecer nesta luta gigantesca contra Israel e a administração Trump, as ramificações seriam enormes. O fecho (seletivo) de Hormuz ao longo dos meses causaria uma crise nos mercados europeus de gás e no mercado da dívida.
Além disto, o fim dos países do Golfo como refúgio para investimentos, poderá levar a uma desvalorização do dólar, à medida que os investidores busquem alternativas para os seus ativos. Além da reconfiguração geopolítica resultante desta guerra, a arquitetura geofinanceira também mudará fundamentalmente.
Fonte - Alastair Crooke, Se o Irã sobreviver e resistir, a guerra de recursos de Trump contra a China e os BRICS vai colapsar
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