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25 de março de 2026

Assim vai o mundo

 O mundo mudou, o catálogo das "regras" que deveria gerir o mundo deixou de ter validade, a Rússia e a China cancelaram-no, o Irão confirmou-o. As tentativas dos EUA e "aliados" de o reporem aparecem como atos brutais, inconsequentes e desesperados.

A narrativa dos propagandistas pode continuar a declarar os EUA como superpotência bélica, a Diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, e o Diretor da CIA, John Ratcliffe, pode esclarece-los com o relatório da sua "Avaliação Anual de Ameaças de 2026":

"A Rússia provavelmente continuará a ser resiliente contra as sanções e os controlos de exportação ocidentais. Moscovo conta com as suas parcerias com outros adversários dos EUA para evadir as sanções. Também está a evadir as sanções ao estabelecer sistemas de pagamento alternativos. A maior ameaça que a Rússia representa para a América é a espiral de escalada do conflito na Ucrânia ou um novo conflito que levaria a um confronto militar direto, incluindo uma troca de ataques nucleares. As forças terrestres da Rússia cresceram, e as suas forças aéreas e navais estão intactas e, possivelmente, mais capazes em grande escala do que antes da invasão (da Ucrânia). A Rússia tem sistemas avançados, incluindo armas anti-espaciais, mísseis hipersónicos e capacidades submarinas concebidas para anular as vantagens militares dos EUA."

"A Rússia está também a construir novas plataformas de armas nucleares para complementar a sua já formidável tríade nuclear aérea, terrestre e marítima, complicando os cálculos de dissuasão nuclear dos EUA. Durante o ano passado, a Rússia teve a vantagem no campo de batalha. Não vê sentido em parar as ações militares enquanto as suas tropas continuam a avançar. Moscovo continua confiante de que vai ganhar no campo de batalha e forçar Kiev a chegar a um acordo nos seus termos".

Os EUA perderam a superioridade militar. Estão a perder a vantagem financeira do dólar. O potencial da indústria de defesa americana mostra ser demasiado limitado. Perdem credibilidade ao violar o que quer que se pareça com direito internacional, sem contudo atingir os objetivos pretendidos. O Irão concordou em desistir do seu arsenal de urânio enriquecido durante as conversações de Genebra, mas os EUA optaram pela guerra sem aviso prévio.

A Rússia tem capacidade para ripostar no próprio território dos EUA, a China tem potencial balístico capaz de destruir bases e navios dos EUA na Ásia e no Pacífico. No Irão os EUA expõem a fragilidade militar das suas bases e esquadras navais. Bases, sistemas de radar foram atingidos ficando inoperacionais. Os navios dos EUA perderam o acesso à sua infraestrutura portuária na região e são forçados a deslocarem-se para Diego Garcia a 3900 km.

Trump, inconsequente e narcisista, aparece como um presidente fraco. A raiva raramente é a linguagem da força. É muitas vezes a máscara da insegurança. A sua administração sobrestimou o poder militar dos Estados Unidos, minou aliados e antagonizou adversários, entrando numa guerra cujas implicações tarde começou a compreender. A guerra contra o Irão acelera as transformações que era suposto evitar. Israel procurava dominar o Médio Oriente, Trump reafirmar os EUA como superpotência mundial sem paralelo. Resultado: a posição geoestratégia dos EUA em declínio e uma Israel enfraquecida,

Os preços do petróleo, gás e a inflação atingem máximos com a segurança alimentar ameaçada dado que a energia não é o único comércio afetado: há que enfrentar escassez de fertilizantes (a partir da ureia). E o Irão (com os Houthis) tem capacidade para manter os dois Estreitos da região com acesso limitado ao segundo os seus critérios.

Em vinte dias os EUA tiveram um F-35 atingido; quatro F-15 perdidos; sete aviões-tanque KC-135 danificados; dez sistemas de radar  ultra caros foram destruídos. A Embaixada dos EUA em Bagdade foi atingida por drones visando o complexo, com alguns ultrapassando as defesas aéreas e a atingir os seus alvos. Foram também reportados ataques a uma instalação logística dos EUA no Aeroporto de Bagdade.

O editor do jornal The National Interest escreve que os Estados Unidos gastaram mais munições desde o início do conflito militar contra o Irão do que conseguiram produzir nos últimos cinco anos. "A escala das despesas é significativa. Na verdade, excede o número total de mísseis Tomahawk produzidos nos últimos cinco anos, levantando preocupações sobre um possível esgotamento das suas reservas". No caso do conflito se prolongar, os Estados Unidos correm o risco de esgotar criticamente o seu stock de mísseis de cruzeiro.

O Pentágono pediu ao Congresso mais 200 mil milhões de dólares à medida que a guerra no Irão drena os seus recursos. A dívida federal já ultrapassou 39 milhões de milhões, 124,8% do PIB. Dívida Pública (Estados e Locais) 135,3%. A oligarquia financeira olha para isto tudo com desagrado.



1 comentário:

Anónimo disse...

o cenário até parece ir melhorar, mas veja aljazeera hoje 9:20 para ver o ainda imenso poder do império.