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23 de março de 2026

O império no seu labirinto

 Trump decidiu atacar o Irão supondo ter uma avenida onde se passearia triunfante. Em vez disso encontra-se num labirinto tentando encontrar uma saída. Vai propalando que venceu, que o Irão está derrotado - os propagandistas repetem - ao mesmo tempo pediu ajuda a aliados e telefonou a Putin para interceder.

Torna-se evidente, que qualquer ação que o pretenso império tome para se manter aprofunda as suas contradições, as suas crises, o seu declínio. O que já estava exposto com a derrocada das intenções de 2014 na Ucrânia, está no Médio Oriente a ser levado ao extremo.

A resistência do Irão marcou o fracasso das ameaças de Washington obrigando a coligação EUA/Israel a um conflito prolongado que não tinham previsto. A incapacidade das defesas antimísseis dos EUA e Israel mostrou a todo o mundo a fragilidade da hegemonia americana, incapazes de se protegerem e aos seus aliados do Golfo. Agora são os EUA que lhes pedem apoio - recusado.

As ameaças de Trump resultam de não ser capaz de levar o Irão a pedir negociações e um cessar fogo. 

Há a ameaça de ocupar a ilha de Kharg para pressionar a abertura do Estreito de Ormuz, como se ações deste tipo possam ser anunciadas semanas antes. Além do custo humano e material da operação o Irão ameaçou retaliar sobre ativos norte-americanos na região como portos, docas e instalações militares, incluindo o porto de Fujairah, centro estratégico para abastecimento de petróleo e produtos petroquímicos

Trump disse que os EUA começariam a atacar a infraestrutura energética iraniana se o Irão não abrisse o Estreito de Ormuz no prazo de 48 horas. A resposta do Irão veio a seguir: "O Estreito só está fechado para os EUA e Israel." "Se a infraestrutura de combustível e energia do Irão for atacada, vamos visar todas as infraestruturas de energia, sistemas de tecnologia da informação e instalações de dessalinização pertencentes aos EUA e a Israel na região." Entretanto os Houthis terão retomado o bloqueio a Bab el-Mandeb.

A estratégia dos EUA e Israel consiste em bombardear alvos, na maioria civis, mas falhando em destruir as unidades subterrâneas de mísseis e tendo gastao enormes quantidades misseis de defesa aérea. São agora obrigados a enfrentar um Irão bem estruturado, motivado e que detém ainda quase todo seu arsenal principal.
O império necessita para se manter do comércio de petróleo e derivados em dólares, a contradição é que para o conseguir está a consumir quantidades enormes de dólares. A dívida federal atingiu 39 milhões de milhões de dólares, 124,8% do PIB, incluindo as dívidas dos Estados e locais vai para 135,3% do PIB.

Pelo menos 39 refinarias de petróleo, campos de gás e outras instalações de energia associadas aos Estados Unidos, Israel e países da região foram afetados desde o início da guerra. O Iraque, Kuwait, Catar, Bahrein, EAU e Arábia Saudita foram obrigados a fechar poços de petróleo dado não terem escoamento devido a danos nas refinarias e bloqueio em Ormuz. O Catar fechou poços de gás e instalações de liquefação. A recuperação destas instalações, particularmente as do gás é muito complexa e demorará anos, atendendo ao volume de necessidades, limitações na produção simultânea e gravidade dos danos.

Para o Irão a pressão económica global terá de aumentar até que outros países intervenham para pôr fim ao conflito. Com efeito, a irracionalidade de Trump mergulhando na agenda sionista irrita os aliados e aumenta a oposição interna à medida que a instabilidade e quebras nos mercados de petróleo, de ações e títulos se instala. A posição iraniana de obrigar a uma guerra prolongada, aumenta a incerteza económica e energética desencadeando uma crise nas finanças e cadeias de abastecimento no Ocidente.

Para além das bravatas da Casa Branca os mísseis iranianos mais recentes só agora  começam a ser utilizados, drones submersíveis e lanchas rápidas equipadas com mísseis antinavio, permanecem armazenados. Os EUA foram ameaçados em Diego Garcia a 3900 km. O incêndio no porta-aviões Gerald Ford levou 30 horas a apagar, sendo obrigado a retirar-se, terá tido origem num ataque iraniano.

Nos EUA as críticas a esta guerra sobem de tom e estendem-se a apoiantes iniciais de Trump, visível nas demissões que têm ocorrido em altos cargos. O antigo diretor da CIA, John Brennan, afirmou que Trump representa uma ameaça à segurança nacional: Não há absolutamente nenhuma evidência de uma ameaça iminente de mísseis ou nuclear do Irão contra os Estados Unidos, e a administração Trump está a mentir sobre isto para justificar uma intervenção militar contra o Irão.

Para o líder da minoria no Congresso , Hakeem Jeffries: "Precisamos de uma mudança de regime na América" "Desde que Trump e os "extremistas republicanos" começaram a guerra no Médio Oriente, começaram tempos sombrios para a América, Os preços estão a subir rapidamente. Milhares de milhões de dólares estão a ser desperdiçados. A segurança dos EUA está comprometida."



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