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25 de março de 2026

Preparar a resposta à ofensiva terrestre

 

Tudo indica uma escalada significativa.

PATRICIA MARINS

O Irão lança sete ondas de ataques contra Israel em dez horas e abre fogo contra uma base Peshmerga.

Movimentos recentes também indicam que o Irão está antecipando uma ofensiva terrestre ao longo da fronteira com o Kuwait.

Durante a noite, o Irão lançou sete ondas de ataques com mísseis contra Israel e continua hoje a realizar novas ondas contra várias cidades, aproveitando-se do racionamento de mísseis em algumas áreas.

Essa decisão coincide com um relatório da Agência Anadolu que indica que os ataques retaliatórios iranianos contra os países do Golfo diminuíram, enquanto seu impacto sobre Israel aumentou

consideravelmente.

O Irão pode estar atualmente reajustando sua estratégia contra as nações do Golfo e se preparando para uma possível escalada.

A região fronteiriça entre o Irã, o Kuwait e o Khuzistão tem sido alvo de crescente atenção de ambos os lados nas últimas semanas. O Irã intensificou seus ataques contra o Kuwait, temendo que uma invasão terrestre possa ter origem nessa área.

A ocupação da província iraniana de Khuzistão e da ilha estratégica de Kharg seria grandemente facilitada pelo terreno plano e aberto da região, semelhante à rota de avanço usada por Saddam Hussein durante a invasão do Irã em 1980.

No dia 23, o Irã relatou ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra sua infraestrutura de gás em diversas cidades. O principal alvo foi Khorramshahr, perto da fronteira com o Kuwait, onde um gasoduto foi atingido; este foi o quinto ataque registrado contra essa cidade estratégica da região.

Para garantir a superioridade aérea durante a ofensiva, as baterias de defesa aérea que protegiam as áreas industriais e portuárias da cidade foram rapidamente alvejadas por drones e lançadores múltiplos de foguetes gigantes (GMLRS) disparados do Kuwait. Locais de lançamento de mísseis e centros de comando de drones em cidades vizinhas, como Ahvaz, também foram atingidos por fogo da coalizão.

No mesmo dia, o Irã lançou várias ondas de ataques contra posições americanas no Kuwait, cortando o fornecimento de energia elétrica em muitas cidades.

N0outra frente, milícias apoiadas pelo Irã e que operam no Iraque lançaram um ataque em duas frentes contra uma base Peshmerga. O alvo era o quartel-general da 7ª Divisão, localizado na zona rural ao norte de Hawler (Erbil), ao norte de Shaqlawa. Seis mísseis balísticos atingiram o local, matando seis soldados e ferindo mais de vinte.

Essa movimentação iraniana, combinada com múltiplos ataques contra infraestrutura ao longo da fronteira com o Kuwait, sugere que Teerã possui informações de inteligência sobre um possível apoio de milícias curdas a uma ofensiva terrestre americana.

Por que essa região seria alvo de uma invasão?

O Khuzistão é o centro energético do país, responsável por cerca de 80% da produção total de petróleo do Irã. No entanto, embora essa região plana esteja situada ao pé da cordilheira, os aliados também precisarão garantir a segurança da fronteira norte com o Iraque, pois foi ali que ocorreram inúmeros contra-ataques iranianos contra Saddam Hussein. Tudo indica uma escalada significativa do conflito.

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