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31 de março de 2026

O Imperialismo americano sem disfarces

  “Para ser honesto consigo, a minha coisa favorita é ficar com o petróleo no Irão”, declarou Trump --.

Mais palavras para quê . È um artista americano

 O Washington Post noticiou no domingo que o Pentágono está a preparar-se para “semanas de operações terrestres no Irão”, citando fontes militares norte-americanas. A decisão está nas mãos do Presidente Donald Trump, que de momento continua a oscilar entre a tomada da ilha de Kharg, um bombardeamento em massa de toda a infra-estrutura energética do país, ou um acordo com Teerão, que por sua vez volta a desmentir haver negociações em curso.

Com a chegada de 2500 fuzileiros, há neste momento mais de 50.000 elementos das Forças Armadas norte-americanas no Médio Oriente, cerca de 10.000 mais do que o contingente habitual na região. O número, assinala também o New York Times, citando analistas militares, não é suficiente para uma invasão terrestre em larga escala. Mas poderá bastar, aponta o Post, para um conjunto de operações envolvendo “uma mistura de forças especiais e de tropas de infantaria convencionais”. Outros 10.000 militares podem ainda estar a caminho, indicam o Wall Street Journal eo site Axios.

Questionada pelo Post, a assessora de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que “é função do Pentágono fazer preparativos para dar ao comandante supremo o máximo de opções”, mas que tal “não significa que o Presidente tenha tomado uma decisão”.

Sem essa decisão tomada e anunciada, Trump declarou, contudo, em entrevista ao Financial Times publicada ontem, que os Estados Unidos ponderam tomar a ilha de Kharg, ponto nevrálgico da indústria petrolífera iraniana por onde passa a maioria das exportações de crude. “Talvez tomemos a ilha de Kharg, talvez não. Temos muitas opções”, declarou ao jornal britânico, acrescentando que as forças norte-americanas o fariam “muito facilmente”.

Na mesma entrevista, Trump admitiu que pretende assumir o controlo da produção petrolífera iraniana. “Para ser honesto consigo, a minha coisa favorita é ficar com o petróleo no Irão”, declarou.

A invasão de Kharg é um dos objectivos sob análise do Pentágono que requerem a mobilização de forças terrestres, a par de eventuais operações em áreas costeiras junto ao estreito de Ormuz, detalha o Post, ao qual uma fonte militar fala num esforço de “semanas, não meses”, enquanto outra fonte indica “um par de meses”.

Já na semana passada, o Axios indicava que o recurso a forças terrestres estava a ser equacionado em Washington para um “ataque final” contra o Irão na ausência de um acordo para o fim do conflito. O referido ataque passaria, repete o Axios, pela invasão ou pelo bloqueio de Kharg, na zona ocidental do Golfo, e de quatro outras ilhas mais próximas do estreito de Ormuz, como Larak e Abu Musa.

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