Esta guerra veio revelar o mau planeamento, falta de estratégia coerente, excesso de confiança na superioridade dos EUA. A posição do Irão é que a guerra terminará quando suas condições forem atendidas, alertando que continuará a dar "golpes duros" em todo o Médio Oriente.
O Irão tornou inoperacionais as bases dos EUA, "causando um caos crescente nas forças dos EUA, com baixas a aumentarem, estoques de munição em declínio, um porta-aviões afastado e aviões abatidos apenas três semanas após o início do conflito." (The Hill).
Provavelmente levará pelo menos 5 anos para repor a quantidade de mísseis Tomahawk já disparados durante a guerra. Pior, o fornecimento de minerais essenciais para fabricar armas e munições, como terras raras dependem da China que controla a maior parte do gálio e germânio do mundo, impondo inúmeros controlos de exportação desde 2023, impedindo os Estados Unidos e aliados adquirirem esses materiais para a industria de defesa.
Os Estados Unidos dispararam cerca de 850 mísseis de cruzeiro Tomahawk contra o Irão, mais de 20% do estoque total, cada 2,5 milhões de dólares. Estes mísseis são geralmente disparados de navios, limitados a 72 Tomahawk. Esgotando-os devem ir a um porto para serem reabastecidos. Os cerca de 16 contratorpedeiros e submarinos que os Estados Unidos têm ao redor do Golfo, não têm mais mísseis Tomahawk e as capacidades de defesa aérea são agora também insuficientes.
Conforme relatado pelo Royal United Services Institute (RUSI) a taxa de utilização de mísseis parece insustentável, com os estoques globais quase vazios". "O Irão danificou pelo menos uma dúzia de radares e terminais de satélite dos EUA diminuindo a eficácia da interceção. Usar 10 ou 11 intercetores para um míssil ou 8 Patriot para um drone torna-se insustentável. Os EUA estão a menos de um mês de ficar sem mísseis de ataque ao solo ATACMS e intercetores THAAD.
"Israel está em uma situação ainda mais precária, com intercetores Arrow provavelmente esgotados até o final de março. Embora a guerra possa continuar com outras munições, isso significará aceitar um risco maior para as aeronaves e tolerar mais mísseis e drones danificando forças e infraestrutura." A RUSI fornece também tabelas e informações de contexto sobre as dificuldades da indústria em reconstruir estoques.
Mais de 10.000 alvos foram atingidos no Irão, mas o objetivo de derrotar as capacidades de mísseis balísticos do Irão está, longe de ser alcançado. Os EUA só podem determinar com certeza que destruíram ou foi consumida cerca de um terço do vasto arsenal de mísseis do Irão, à medida que a guerra dos EUA e de Israel contra o país se aproxima do seu primeiro mês.
Os EUA realizam cerca de 300 missões por dia, sobre alvos iranianos. O Irão dispara cerca de 30 a 40 mísseis por dia. A questão, no entanto, é a qualidade desses golpes. O lado americano desde o primeiro dia tem principalmente atacado alvos civis, como cidades e infraestruturas, o lado iraniano atacou instalações militares e militares-industriais.
Os EUA também atingiram depósitos de petróleo, uma refinaria e duas siderurgias. O Irão tem retaliado contra instalações semelhantes em Israel e Estados do Golfo. Esta capacidade retaliatória protege o Irão de ataques potencialmente mais devastadores.
Os editores da The Economist, que odeiam o Irão, reconhecem isso quando pedem aos EUA que aceitem que não têm como vencer essa guerra: "Apesar de todo o poder e sofisticação dos Estados Unidos e de Israel, o Irão sente que tem vantagem sobre os EUA." "Trump lançou a sua guerra, imperdoavelmente, sem oferecer uma justificação estratégica. Apesar da sua absurda alegação de ter mudado o regime em Teerão, não obteve ganhos substanciais através dos combates, à medida que os custos políticos aumentam, colocando-o sob pressão crescente." "Trump deve concordar com um cessar-fogo completo e forçar Israel a cumpri-lo."
"Conversas sobre a reabertura do estreito e afastamento do Irão do seu programa nuclear serão extremamente difíceis. Qualquer eventual acordo será pior do que poderia ter sido alcançado antes do início da guerra, já que a posição dos linha-dura fortaleceu-se e deixou claro a influência que têm sobre o Estreito." "Trump pode escolher a alternativa e intensificar a guerra. Mas a perspetiva de fazer isso não é melhor do que a posição atual."
Enquanto isto, os aliados sofrem com a guerra que os Estados Unidos iniciaram. O fornecimento global de petróleo bruto continua a diminuir. Os preços da gasolina e do diesel nos EUA continuam a subir. Fica a dúvida de quanto tempo levará Trump a proibir ou reduzir as exportações de produtos petrolíferos. Este será o momento em que os aliados perceberão o verdadeiro valor de sua aliança com os EUA.
Fonte - A guerra contra o Irão. Gastos exorbitantes e falta de sucesso
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